Se há um músico que dedicou a vida a explorar os sons do mundo, é Ry Cooder. Pelas últimas seis décadas, este americano de 76 anos vem criando uma discografia inigualada em qualidade e ecletismo.
Cooder é um colaborador serial: não pode ouvir uma música que lhe agrada, que logo parte para gravar um disco com o tal artista. É um obcecado, um romântico.
Escrevi várias vezes sobre Ry Cooder aqui no blog, primeiro sobre os 25 anos de seu disco mais famoso, “Buena Vista Social Club” (leia aqui) e, ano passado, sobre um disco com o grande guitarrista Taj Mahal (leia aqui).
Esses dias, saiu um novo LP colaborativo de Ry Cooder. Na verdade é um disco antigo, gravado em 1989, mas que só foi lançado agora: “Way Down Low”, registro de um show realizado no píer de Santa Monica, na Califórnia, com o acordeonista Flaco Jiménez, nascido no Texas, mas famoso por seus discos de música regional mexicana. “Way Down Low” é um deleite.
Para homenagear Ry Cooder e sua missão musical de unir os povos por meio da música, separei outros quatro discos colaborativos, gravados com artistas de diferentes partes do mundo. Em ordem cronológica:
A Meeting By the River (1992) Disco lindo – e totalmente improvisado – de Cooder com o músico indiano Vishwa Mohan Batt, que toca um instrumento de cordas criado por ele próprio, o Mohan veena. O disco é de uma beleza hipnótica e ganhou um Grammy de melhor LP de “World Music”.
Talking Timbuktu (1994) Encontro de dois guitarristas/violonistas geniais: Cooder e Ali Farka Touré (1939-2006), um dos maiores nomes da música africana. Esse disco NUNCA sai da parada de nossa casa. É lindo demais. Veja aqui (infelizmente, sem legendas) uma entrevista de Cooder em 1994, falando da parceria com Farka Touré:
Mambo Sinuendo (2003) Cooder se junta ao guitarrista e pianista cubano Manuel Galbán (1931-2011) para uma releitura de mambos clássicos cubanos dos anos 1950. O disco ganhou um Grammy como “Melhor álbum pop instrumental”.
San Patricio (2010) Cooder e a banda irlandesa The Chieftains gravaram esse fascinante disco conceitual sobre soldados irlandeses que abandonaram o Exército norte-americano em 1846 para juntar-se aos rebeldes mexicanos. Veja Cooder e os Chieftains falando sobre o disco em um minidoc (com legendas em espanhol):
Tenham um ótimo dia!
2 comentários em "Os muitos mundos de Ry Cooder"
Deixe seu comentário
Faça login para publicar um comentário.
Grande Mestre Jedi Ry Cooder. Este tira água de pedra no meio de qualquer deserto no planeta terra.
Verdadeiros Artistas são incansáveis e estão em constante movimento (pra frente). Cooder é um destes.
Dias atrás, vi um disco dele num sebo, onde ele tocava com alguns membros dos Rolling Stones (Jamming With Edward, se não me engano) e não comprei. Tremenda burrada.