Ry Cooder e Taj Mahal, 50 anos depois
Sou muito, mas muito fã de Ry Cooder. O cara é um dos maiores exploradores musicais que já existiram. Numa carreira de mais de 60 anos, gravou uns 20 discos solo, perto de 20 trilhas sonoras (incluindo as antológicas “Paris, Texas” e “Crossroads”) e fez discos em colaboração com Ali Farka Touré, The Chieftains, Vishwa Mohan Bhatt, Manuel Galbán e, claro, o histórico álbum “Buena Vista Social Club”.
Cooder tem 75 anos e não para um minuto. Acaba de lançar outro álbum colaborativo, em que presta tributo a músicos que admira: “Get on Board: The Songs of Sonny Terry & Brownie McGhee” (Nonesuch), gravado em parceria com o amigo e fantástico guitarrista Taj Mahal.
A ligação de Cooder e Taj Mahal é antiga: Cooder tinha 17 anos em 1965, quando foi chamado para formar o grupo de blues-rock Rising Sons, do qual fazia parte também Taj Mahal, cinco anos mais velho. O grupo gravou um disco, mas se separou antes do lançamento, e o álbum permaneceu inédito até 1992.
Em 1968, Cooder participou, como músico, do primeiro LP solo de Taj Mahal. Desde então, não haviam gravado juntos.
“Get on Board: The Songs of Sonny Terry & Brownie McGhee” é um disco simples: Taj Mahal canta e toca guitarra, gaita e piano, enquanto Ry Cooder canta e toca guitarra, violão e banjo. O único músico que acompanha a dupla é o filho de Cooder, Joachin, exímio baterista e percussionista. É blues raiz, sem grandes produções, como deve ser. E o resultado é lindo.
Veja a dupla – com Joachin Cooder – tocando “I Shall Not Be Moved”:
Sonny Terry (1911-1986) e Brownie McGhee (1915-1996) são pioneiros do blues e influenciaram enormemente tanto a Cooder quanto a Taj Mahal. Terry era gaitista e McGhee, guitarrista. Se conheceram em 1942 e formaram uma parceria que durou até o início dos anos 1980. Cooder e Taj Mahal viram a dupla se apresentando na década de 1960, e ficaram tão impactados pela força da música que decidiram gravar um álbum inteiro com canções que faziam parte do repertório de Terry e McGhee.
Veja a dupla em 1974, num show da BBC (procurem a íntegra no Youtube!), tocando “Drinkin’ Wine, Spo-Dee-O-Dee”, canção composta em 1949 pelo irmão mais novo de Brownie, “Stick” McGhee (1918-1961) e que foi grande sucesso na voz de Jerry Lee Lewis:
Uma ótima semana a todas e todos.
5 comentários em "Ry Cooder e Taj Mahal, 50 anos depois"
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https://m.youtube.com/watch?v=TCC2SBKl_rM
Valeu Barça.
Reassisti Paris Texas outro dia com minha esposa, ela ficou extasiada, e me perguntou:”porque não fazem filmes com estes hoje em dia”, eu respondi’:” por que não existem diretores, atores e músicos de uma trilha sonora com está”. Até hoje eu tenho o vinil da trilha sonora. E quando eu ouço, me remeto instantemente para o deserto. Buena Vista Social Club não existiriam sem Ry Cooder e filho dele. Ele deu uma sobrevida aos excelentes mais esquecidos músicos cubanos. Uma verdadeira lição de vida e amor a música.
Tem toda razão.
Ry Cooder é gênio… tocou também no primeiro disco da Crazy Horse, com os Stones… com todo mundo! e Taj é uma lenda vida! Vou atrás desse disco, valeu mestre Barça.