jul/2024

Música do Congo: passado e presente

Por André Barcinski

Música do Congo: passado e presente

Por André Barcinski

Hoje queria indicar dois discos fantásticos, gravados em períodos diferentes, mas que dão uma ideia da força e criatividade de uma das cenas musicais mais interessantes do mundo todo: a música congolesa.

O primeiro é a coletânea “Congo Funk: Sound Madness from the Shores of the Mighty Congo River (Kinshasa-Brazaville 1969-1982)”, lançada pela gravadora Analog Africa.

Quem acompanha o blog sabe o amor que tenho por essa gravadora, especializada em coletâneas de música de raiz de todo o planeta. Já escrevi sobre discos de Cumbia Rebajada mexicana (leia aqui) e de sons psicodélicos das florestas peruanas (leia aqui).

“Congo Funk” reúne 14 canções de bandas de soul, funk e rumba que botaram o Congo – aliás, os dois países, a República do Congo e a República Democrática do Congo – pra sacolejar entre 1969 e 1982.  É absolutamente impossível parar de ouvir.

A rumba congolesa tem uma história fascinante, contada num documentário que foi exibido pelo festival In-Edit há alguns anos. Infelizmente, não consigo achar o filme em lugar algum, apenas o trailer.

Basicamente, a rumba congolesa é a mistura da maringa, uma tradicional música de festa da região, com ritmos cubanos que chegaram aos países nos anos 1940 e 1950, formando uma sonoridade alegre e contagiante. E “Congo Funk” é uma mostra preciosa dessa música tão especial.

O outro disco é “Butu”, que em Lingala, um dos idiomas da República Democrática do Congo, significa “Noite”, ou “Algo que acontece na escuridão”, segundo LP da banda KOKOKO!, um coletivo que começou em Kinshasa.

Sou fã ardoroso do KOKOKO!, a quem considero uma espécie de Devo da África, pela mistura insana de rock e bases eletrônicas. “Butu” é um disco espantoso, por vezes dançante e festivo, mas em outras, muito sombrio, com uma pegada de Prodigy dos bons tempos, tudo embalado por uma alucinante percussão africana. Sério candidato a um dos discos do ano para mim.

Veja o clipe de “Mokili”, faixa que está no álbum “Butu”.

Há planos para trazer o KOKOKO! ao Brasil ainda este ano. Dedos cruzados.

Uma ótima semana a todas e todos.

11 comentários em "Música do Congo: passado e presente"

  • Que legal essa iniciativa de lançar essas coletâneas… ajuda demais a divulgar as bandas ali presentes para o mundo. Cara, dá pra sentir o quanto tu gosta de algo só pela maneira que tu escreve… mesma coisa coisa quando tu tem a chance de trazer alguma banda que tu admira. Demais isso.

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    Cleibsom Carlos Alves Cabral

    As dicas do Barça de música latina e africana são excelentes e vou atrás de todas!!!Ao contrário da imensa maioria de suas dicas de bandas indies chinfrins repletas de nerds sem graça que, muito provavelmente, só tomavam cascudos na escola, as de música latina e africana valem muito a pena e me deixam com um sorriso na cara…

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        Cleibsom Carlos Alves Cabral

        E sabe o que é curioso, Barça, meu estilo de escrita tem grande influência sua, do Forasta e do Álvaro…Me recordo de críticas destruidoras escritas por vocês que não tinham outro adjetivo que não “desagradáveis”, e estou sendo cortês, mas eu as admirava mesmo assim, independente de concordar com elas ou não. Em minha cabeça esse trio é uma uma espécie de proto-haters, apesar das óbvias influências de gente como Lester Bangs e Paulo Francis que vocês sofreram. Será que a idade te deixou mais “sensível”? Pergunto isso sem ironia ou ofensa alguma, do fundo do coração e com o máximo de respeito que você merece, por favor.

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