jun/2022

Vai começar o In-Edit!

Por André Barcinski

Vai começar o In-Edit!

Por André Barcinski

Começa hoje, em São Paulo, mais uma edição do In-Edit, o sensacional festival de documentários musicais. Mesmo que você esteja longe da capital paulista, é possível ver boa parte dos filmes online e de graça.

A programação tem mais de 60 filmes (confira aqui). Já vi alguns e fiz uma seleção dos melhores que vi e de alguns que ainda não tive a chance de ver, mas que parecem promissores (atenção: isso não quer dizer que filmes que não estão na minha lista não merecem ser vistos. Eu tentaria ver o maior número possível, até porque o In-Edit é a única chance de ver vários deles).

Este ano, fui convidado e aceitei, com muito orgulho, fazer parte do júri da competição nacional, então vou me abster de comentar os seis filmes competidores. Mas sugiro que assistam. Tem muita coisa boa.

Dividi a lista em filmes que podem ser vistos online e os que só poderão ser assistidos em sessões presenciais.

FILMES ONLINE

Me Chama Que Eu Vou (Joana Mariani | Brasil | 2021 | 73’) Doc sobre Sidney Magal. A história dele é fascinante e não perco de jeito nenhum.

Lenha, Brasa e Bronca: A História de Jacildo e Seus Rapazes (Dennis Rodrigues | Brasil | 2021 | 96’) Nunca ouvi falar de Jacildo e Seus Rapazes, mas só a sinopse de um filme sobre uma garage band surgida em Cuiabá nos anos 60 me venceu.

Tambores da Diáspora (João Nascimento | Brasil | 2021 | 73’) Amo filmes sobre história da percussão afrobrasileira.

Endless Love (Duda Gambogi | Brasil | 2020 | 20’) Curta sobre cantores de karaokê no Rio de Janeiro. Não perco.

Anonymous Club (Danny Cohen | Austrália/2021 | 83′) Doc sobre a cantora e compositora australiana Courtney Barnett. Adoro os discos dela e me interessei pelo filme.

Cesária Évora (Ana Sofia Fonseca | Portugal/2022 |94′) Impossível não se emocionar com um filme sobre a grande cantora de Cabo Verde. Tá na lista.

Lydia Lunch: The War Is Never Over (Beth B | Estados Unidos/2019 |74′) Figura seminal da no wave nova-iorquina, inspiradora de punks e góticos, admirada por gente como Sonic Youth, Ministry e Nick Cave, Lydia Lunch é uma lenda do underground. Não perco esse doc sobre ela.

No Ordinary Man (Aisling Chin-Yee e Chase Joy | Canadá/2020 |83′) Nunca tinha ouvido falar na história de Dorothy Tipton, uma pianista de jazz de grande talento, mas que não conseguia o reconhecimento que merecia, até começar a usar roupas masculinas e adotar o nome de “Billy”. Intrigante.

Other, Like Me: The Oral History of COUM Transmissions and Throbbing Gristle (Marcus Werner Hed e Dan Fox | Inglaterra/2020 | 59′) Já vi e é imperdível a história dos degenerados da comuna COUM Transmissions que deu origem ao grupo industrial Throbbing Gristle.

Rewind and Play (Alain Gomis | França,Alemanha/2022 |65′) Retrato da última apresentação do gênio Thelonius Monk, em 1972. Não perco.

SESSÕES PRESENCIAIS

a-ha: The Movie (Thomas Robsahm e Aslaug Holm | Noruega e Alemanha/ 2021 |104′) Já vi e recomendo demais. Filme super bem feito sobre a banda que mais se odeia no mundo (mais que os Ramones, acreditem). Nunca vi três caras se aturarem por 40 anos sem nenhum tipo de afeto ou amizade. Três músicos de personalidades distintas e fortes, que só permanecem juntos em nome de uma verdadeira entidade chamada a-ha. É impressionante.

Bitchin’: The Sound and Fury of Rick James (Sacha Jenkins | Estados Unidos/2021 |111′) Não perco por nada esse doc sobre o genial e porra-louca que poderia ter sido Prince, mas era maluco demais para ter uma carreira “normal”.

Flaming Lips – Space Bubble Film (Wayne Coyne e Blake Studdard| Estados Unidos/2022 | 86′) Já vi e adorei. Filme sobre os bastidores dos já célebres “Shows das Bolhas”, em que os Flaming Lips, em meio à pandemia, têm a ideia de colocar o público dentro de bolhas de plástico. O resultado são imagens impressionantes e tristemente distópicas, mas inesquecíveis.

Freakscene: The Story of Dinosaur Jr. (Philipp Reichenheim | Alemanha e Estados Unidos/2021 | 82′) Louco pra ver esse doc sobre outra banda que se mantém na ativa apesar das tensões internas e conflitos de personalidade entre os integrantes.

I’m Wanita (Matthew Walker | Austrália/2020-2021 |90′) Amo o In-Edit, entre muitas razões, porque me permite conhecer músicas e histórias sobre as quais eu não fazia a menor ideia. Esse filme é uma joia: retrata Wanita, a autoproclamada “rainha do honky-tonk” da Austrália, que trabalha como prostituta enquanto junta grana para gravar um disco de country em Nashville, nos Estados Unidos. Não perca. Só o marido de Wanita vale o ingresso.

I Get Knocked Down (Sophie Robinson e Dunstan Bruce | Inglaterra/2021 |78′) Sensacional história da banda anarco-pop Chumbawamba, contada por seu vocalista, Dunstan Bruce, que revisita o passado e se pergunta se tudo aquilo valeu a pena. E que legal é ver um papo com Penny Rimbaud, do Crass. Não perca.

The Unicorn (Isabelle Dupuis e Tim Geraghty | Estados Unidos/2018 | 92′) A exemplo de Wanita, aqui está outra história que só poderia ser trazida pelo In-Edit: a de Peter Grudzien, um porra-louca cujo único feito musical importante foi ter gravado o LP “The Unicorn”, possivelmente o primeiro álbum country abertamente gay do mundo. Não deixe de ver.

DIO Dreamers Never Die (Don Argott e Demian Fenton | Estados Unidos/2022 | 113′) Sempre fui fã de Dio e não posso perder esse doc sobre o pequeno grande cantor de Rainbow, Black Sabbath e Dio.

Until the Light Takes Us (Aaron Aites e Audrey Ewell | Estados Unidos/2008 | 93′) Por total vacilo, nunca vi esse filme lendário sobre as origens do black metal norueguês. Tá na hora de reparar esse erro.

The Forbidden Strings (Hasan Noori | Irã, Afeganistão e Qatar/2019 | 72′) Fiquei intrigado com a sinopse deste filme: “Quatro jovens imigrantes afegãos no Irã formaram uma banda de rock que nunca teve permissão para se apresentar. Agora eles têm a chance de tocar ao vivo pela primeira vez em sua terra natal, por meio do convite de um festival. Mas para chegar lá eles precisam passar por uma área dominada pelo Talibã e por zonas em conflito bélico.” Não perco por nada.

Devido ao feriado, o blog volta na segunda, 20 de junho. Um maravilhoso feriado a todas e todos!

12 comentários em "Vai começar o In-Edit!"

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