abr/2023

Um grande – e triste – filme retorna ao streaming

Por André Barcinski

Um grande – e triste – filme retorna ao streaming

Por André Barcinski

A plataforma Belas Artes à La Carte exibe um filme antológico e que andou sumido de streamings e programações de canais a cabo: “O Doce Amanhã” (1997), de Atom Egoyan.

Egoyan nasceu no Cairo, de pais armênios. Os pais eram pintores e, com a ascensão do nacionalismo árabe, se mudaram para o Canadá quando Atom (batizado, acredite, em homenagem ao programa nuclear árabe) tinha três anos.

Egoyan despontou no cinema internacional com “Exotica” (1994), uma mistura de drama psicológico e thriller policialesco passado no mundo dos clubes de strip-tease de Toronto.

Mas o grande filme de sua carreira viria logo depois, “O Doce Amanhã”, adaptado de um livro do escritor norte-americano Russell Banks. O filme começa com um acontecimento terrível (e não é spoiler, mas a base de toda a história), quando, numa pequena cidade do oeste do Canadá, um ônibus escolar cai num lago gelado e mata 14 crianças.

A partir do acidente, vemos as relações pessoais dos habitantes e como a tragédia abala amores e amizades. Um advogado (Ian Holm, fantástico como sempre) chega à cidade e tenta convencer alguns moradores a processar as autoridades locais.

“O Doce Amanhã” não é um filme fácil. Tem um clima muito pesado e sombrio, típicos da literatura de Banks (1940-2023). Se você nunca leu Banks, recomendo “Continental Drift” (1985) e, especialmente, o dilacerante “Affliction” (no Brasil, “Temporada de Caça”, 1989), que foi adaptado em um dos filmes mais tristes que conheço, “Affliction”, de Paul Schrader. O filme é tão pesado que basta dizer que os durões Nick Nolte e Willem Dafoe fazem irmãos assombrados por um pai bestialmente violento e sádico, vivido por James Coburn.

Egoyan fez muitos filmes depois de “O Doce Amanhã”, e um dos melhores é “Memórias Secretas” (2015), um drama incrível em que Christopher Plummer interpreta um sobrevivente de campo de concentração que caça, nos Estados Unidos, seu algoz nazista. Mas ainda acho “O Doce Amanhã” insuperável. Uma ótima semana a todas e todos.

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