“Tour de France 2” continua divertido
Não sou muito chegado em maratonar séries, mas há uma que é um tremendo fast food audiovisual, cheia de pegadinhas e truques de edição, e eu não consigo parar de ver: “Tour de France: No Coração do Pelotão” (Netflix). A segunda temporada estreou há alguns dias e já vimos todos os oito episódios.
A ideia é simples e eficiente: às vésperas de mais uma disputa do Tour de France, a prova mais importante do calendário do ciclismo de estrada, a Netflix conta como foi a temporada anterior. A nova temporada cobre a prova de 2023 e estreia poucos dias antes da disputa de 2024, que começa em 29 de junho e se estende até a grande final, em Paris, em 21 de julho.
Ano passado, escrevi sobre a primeira temporada de “Tour de France” (leia aqui): “Tudo é mostrado de forma jornalisticamente competente e sem deixar cair o interesse do espectador. Por vezes, a série escorrega para um viés de ‘reality show’, com personagens mostrados de forma um tanto caricata – o técnico durão, o dono de equipe que busca sua ‘redenção’, o ciclista que volta depois de um tempo contundido – mas é tudo feito a serviço de tornar o conteúdo mais atraente”.
A nova temporada é igualzinha e continua funcionando como um entretenimento de primeira. A vantagem em relação à temporada anterior é que temos agora a presença do esloveno Tadej Pogačar (UAE Team Emirates), bicampeão do Tour de France (2020 e 21) e único ciclista que parece ter condições de desbancar o vencedor de 2022, o dinamarquês Jonas Vingegaard. Tanto Vingegaard quanto Pogačar são entrevistados e falam de sua rivalidade.
Quem acompanha o Tour de France, como é o nosso caso, tem a desvantagem de começar a ver a série já sabendo o resultado, mas nos divertimos mesmo assim. As imagens filmadas dentro dos pelotões e as câmeras exclusivas propiciam sequências impressionantes para quem gosta de ciclismo.
Esse ano a temporada de “Tour de France” trouxe algumas histórias paralelas muito interessantes, como a última disputa do Tour de France do ídolo francês Thibaut Pinot, que decidiu se aposentar para cuidar de suas vacas e hortaliças, e a batalha do belga Jasper Philipsen, um ás no sprint, mas petulante ao extremo, para se firmar como o maior “sprinter” de sua geração e se recuperar do vexame de 2022, quando virou até meme ao comemorar a vitória numa etapa,sem perceber que seu compatriota Wout Van Aert já havia cruzado a linha de chegada.
Outra história legal é a do veterano inglês Mark Cavendish, 39 anos, que está em dúvida entre se aposentar ou tentar ganhar mais uma das 21 etapas do Tour de France, o que o colocaria com 35 vitórias, desempatando com o belga Eddy Merckx, grande nome do ciclismo dos anos 60 e 70, que tem 34 vitórias em etapas do Tour de France. Para quem se interessar, a Netflix tem no catálogo um bom doc sobre o britânico, chamado “Mark Cavendish: Pedalando Até o Fim”.
Um ótimo fim de semana a todas e todos.
11 comentários em "“Tour de France 2” continua divertido"
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Sou ciclista amador e por coincidência comecei a ver a 2ª temporada ontem. Os caras são alienígenas! etapas com 200/250km e altimetria de 3000/4000 metros, fazendo uma média de 42 km/h!!! Só quem pedala sabe a magnitude disso! kkkk sensacional! Imagino o menino Ney tomando um tombo que esses caras tomam e continuar pedalando em alto nível como eles fazem. Adoro futebol, mas o ciclismo é espetacular!!!
Pois é, a gente que não pedala não tem a menor ideia do nível de esforço.
André: o que torna Tour de France tão sensacional?
Imagens lindas em paisagens absurdas… de bicicletas iguais a um ballet? Edição extra cool? Cores e movimento com luz natural? Acidentes inacreditáveis? Disputa milimétrica na última pedalada antes de se cruzar a linha de vitória?
Impressionante como Tour de France consegue ser mais elegante que uma prova de fórmula 1 de Mônaco (pelo menos eu acho isso). Ela transformou a bike em um veículo ultramoderno, descolado e sexy.
Valeu a indicação!
Tudo isso que vc falou.
Tudo isso que vc falou. E as paisagens.
Excelente seu comentário, audiovisualvaro. Descreveu a minha mesma admiração!
Tu já praticou algum esporte, André?
Já joguei tênis, mas adoramos vela e ciclismo.
André, confesso que não sou fã do Ciclismo profissional, mas respeito…
Um OT: O que dizer sobre a morte do Chrystian, mais um dos falsos gringos que se vai???
Olá André! Ótima recomendação. E por acaso vc já assistiu um documentário que a diretora Lina Chamie fez sobre a Corrida de São Silvestre? Está no À la carte , é de 2013 e como foi o primeiro trabalho do meu filho após a graduação em cinema sempre dou um jeito de divulgar. É diferente, um pouco esquisito no início mas vale muito a pena assistir, até como experiência sensorial de um corredor.
E um adendo: parabéns pelo canal no You Tube…só deixei passar um ou dois episódios…muito legal, curto mas informativo.
Maravilhosa dica, não conhecia, mas me interesso muito pelo tema, verei. E que bom que está gostando do canal do Youtube, dá um trabalho monstro, mas os resultados têm sido ótimos. Abraço!