jul/2022

TootArd explora os sons empolgantes do pop árabe

Por André Barcinski

TootArd explora os sons empolgantes do pop árabe

Por André Barcinski

Se você por acaso estiver em San Simon Galicia, na Espanha, nesse sábado, dia 23, uma dica: não perca o show do TootArd.

Em árabe, “TootArd” significa “Morangos”. É uma banda liderada pelos irmãos Hasan e Rami Nakleh. Os Nakleh hoje moram em Berna, na Suíça, mas nasceram e cresceram em Majdal Shams, uma vila ao pé no Monte Hermon, nas Colinas de Golã, um território sírio ocupado e controlado, desde 1968, por Israel.

O TootArt tem três discos:  “Nuri Andaburi” (2011), “Laissez Passer” (de 2017 e batizado com o nome do documento que habitantes de Majdal Shams precisam ter em mãos para não serem importunados pela polícia israelense), e o mais recente, “Migrant Birds” (2020).

Os discos têm letras políticas que falam da situação da população local, e o último, como o próprio nome diz – “Pássaros Migratórios” – é sobre o senso de deslocamento e corte de relações com o passado provocados pelo exílio.

Quem ouve os três discos do TootArd na sequência percebe uma clara mudança no som. Eles sempre trouxeram muitos elementos da música árabe misturado ao pop e ao rock, mas, em “Migrant Birds”, abraçaram o som dançante e sintetizado da cena de discoteca árabe dos anos 70 e 80. Essa faixa, “Moonlight”, está em altíssima rotação aqui em casa há um tempão…

Os dois primeiros discos são muito legais, mas “Migrant Birds” é um achado. Esse resgate dos sons dançantes da cena disco árabe dos anos 70 e 80 vem em bom tempo, e está sendo feito por vários outros artistas.

Se você se interessa pelo gênero, sugiro explorar os sets de Moataz Raged, um DJ egípcio que mora em Amsterdã e se apresenta com o nome de Disco Arabesquo. Esse aqui é muito bom:

Um ótimo fim de semana a todas e todos.

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