The Jesus and Mary Chain: irmãos do barulho
Se o seu negócio é barulho, distorção e psicodelia, sugiro dar uma olhada no catálogo do Fuzz Club, selo inglês especializado em lançamento de vinis de bandas como The Black Angels, King Gizzard and the Lizard Wizard, Holy Wave, The Men, A Place to Bury Strangers e The Telescopes, entre muitos outros.
O Fuzz Club lançou dois discos ao vivo de uma banda que influenciou todas essas citadas acima: The Jesus and Mary Chain. Ano passado, saiu “Live at Barrowlands”, versão deluxe de um disco de 2015 com a gravação, feita um ano antes, de um show que celebrava os 40 anos do disco “Psychocandy”.
Esses dias, o selo lançou “Sunset 666”, gravado numa série de seis shows que o The Jesus and Mary Chain fez em 2018 no Hollywood Palladium, em Los Angeles, abrindo para o Nine Inch Nails (que retribuía um favor que o JAMC fizera no início dos anos 90, quando convidara a banda de Trent Reznor para abrir uma turnê).
Surgida na Escócia há 40 anos, The Jesus and Mary Chain é resultado da obsessão dos irmãos Jim e William Reid pelos sons de grupos como Stooges e Velvet Underground. Em 1985, os irmãos lançaram o clássico LP “Psychocandy”, em que uniam a microfonia enlouquecida e o noise a uma sensibilidade pop açucarada. O resultado foi uma obra-prima que praticamente inventou um novo gênero, o “shoegaze”, que depois seria adotado por bandas como My Bloody Valentine, Ride, Slowdive e Lush, entre muitas outras. Faixas como “Just Like Honey”, “Never Understand” e “You Trip Me Up” são copiadas até hoje.
O JAMC, como a grande maioria das bandas formadas por irmãos (pense em Oasis, Kinks, Creedence Clearwater Revival e outras mais), teve períodos de absoluta tensão interna. Jim e William não parecem ser as pessoas mais gratiluz do planeta e brigavam constantemente. Tive a sorte (ou falta dela) de presenciar um dos momentos mais críticos da história da banda, um show em Nova York, em 1998, na turnê do álbum “Munki”, em os brothers saíram, literalmente, rolando no palco aos socos. Pelo menos esse show eles conseguiram terminar, porque o concerto em Los Angeles, em setembro de 1998, foi interrompido depois de 15 minutos por outra discussão. O público recebeu o dinheiro de volta e a banda acabou. Só voltaria a se reunir nove anos depois, no festival de Coachella, em 2007.
Desde a volta, os irmãos se dedicaram mais a fazer shows em que celebravam a própria carreira. Tive a sorte (essa sim!) de ver um show da turnê de 2014 em que eles tocavam “Psychocandy” na íntegra, e foi sensacional. Em 2017, lançaram “Damage and Joy”, primeiro disco de inéditas em 19 anos.
“Sunset 666” captura a banda em ótimas noites. O grupo estava superafiado e o repertório é matador e passeia por todos os discos, incluindo uma versão linda de “Sometimes Always” com Isobel Campbell, do Belle & Sebastian, cantando as partes que, no disco original, foram gravadas por Hope Dandoval, do Mazy Starr. Ouça aqui:
Enfim, “Sunset 666” funciona como uma ótima coletânea ao vivo de uma banda fora do comum. Se todo show do The Jesus and Mary Chain fosse assim…
10 comentários em "The Jesus and Mary Chain: irmãos do barulho"
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sou grande fã do Jesus e já os assisti algumas vezes ao vivo. em novembro de 2017 os vi numa casa de shows em plena Times Square, à época chamada Playstation Theater. era a turnê do Damage and Joy e foi um show bem parecido com o que aconteceu no Tropical Butantã, em São Paulo, quase dois anos depois – 27/06/2019, aliás, dia do meu aniversário, foi um grande presente. nesse show em Nova York aconteceu uma coisa engraçada: lá pelo final, Jim estava anunciando um por um os membros da banda, enquanto seu irmão ficava tirando sons da guitarra ao fundo. quanto mais Jim falava, mais os barulhos da guitarra iam ficando intensos. até que Jim perdeu a paciência e mandou no microfone “Could you stop with that fucking guitar, William? please…”. no fundo do palco, William parou imediatamente com a guitarra e mandou um sorrisinho do tipo “consegui, tirei ele do sério”. o ambiente ficou meio tenso, acho que todos os fãs temem que eles briguem novamente, mas logo depois todo mundo começou a rir e Jim voltou a apresentar a banda novamente., de boas. no que eu concluí que a tensão entre eles sempre vai existir, mas que hoje eles tratam meio como uma espécie de folclore incorporado ao espírito da banda
Todo show é isso, os caras vivem se bicando…
Fui no show de 88 se não me engano no Projeto SP e fiquei ao lados dos alto falantes, foi sensacional, fiquei uma semana com um zumbido nos ouvidos, mas valeu a pena.
Já tentei e não me desce de jeito nenhum. Tive o Psychocandy e passei adiante. Recentemente descobri os Replacements e ali é mais a minha praia.
André, valeu pela dica de mais uma ótima banda, mas não querendo reclamar, mas reclamando: Sinto falta dos seus textos ácidos e muito engraçados de quando vc NÃO gosta de algum trabalho, banda ou artista, ultimamente vc está numa fase “paz e amor” hehehehe
Calma que semana que vem tem “Oppenheimer”.
Não vejo a hora de ler seu texto sobre esse “abacaxi gourmet.”
Por favor, Barça, aproveite e inclua no mesmo balaio do cão o “fenômeno” BARBIE…
Aí pegou pesado.
exatamente!!! queremos ver o circo pegar fogo 🙂