The Dandy Warhols e o disco que ninguém quis – até agora!
Em 1996, alguém da gravadora Capitol ouviu “Dandys Rule OK”, LP de estreia da banda norte-americana The Dandy Warhols, e resolveu contratar o grupo.
Kurt Cobain havia morrido dois anos antes, mas as grandes gravadoras ainda viviam a ressaca do “grunge” e continuavam a despejar dinheiro em bandas novatas e desconhecidas. E o Dandy Warhols era uma das melhores.
Formado em cafés hipsters em Portland, uma das cidades mais hipster dos Estados Unidos, The Dandy Warhols faz um viciante power-pop, divertido e animado, que traz tanto influências de som bubblegum dos anos 60 (Archies, Monkees) como de guitarras pesadas e viajandonas à My Bloody Valentine e Ride.
A banda se trancou no estúdio e gravou o primeiro disco para a Capitol. Mas a gravadora não curtiu. Alguém lá dentro pronunciou as três palavras malditas: “Não tem hits”, e o disco foi recusado. Atordoada, a banda escreveu novas canções, diminuiu o peso e distorção do som e, em 1997, lançou “The Dandy Warhols Come Down”. O disco fez um relativo sucesso na cena indie, com músicas como “Minnesoter”, “Not If You Were The Last Junkie on Earth” e “Cool as Kim Deal”.
Mas foi o álbum seguinte, “Thirteen Tales From Urban Bohemia” (2000) que estourou a banda no mundo todo, graças a uma coleção impressionante de maravilhosas canções pop, como “Bohemian Like You”.
De lá para cá, o grupo lançou outro disco estupendo – e meu favorito pessoal – “Welcome to the Monkey House” (2003), produzido por Tony Visconti e Nick Rhodes (Duran Duran) e conseguiu sobreviver aos últimos 20 anos.
Esses dias, um anúncio no site da banda anunciou o lançamento em vinil de “The Black Album”, o disco renegado pela gravadora em 1996. Fãs do Dandy Warhols já conheciam o disco desde 2004, quando a própria banda lançou um CD duplo contendo “The Black Album” e uma coletânea de singles e faixas raras. Mas o lançamento agora, em vinil, mostra que ainda há gente interessada no disco que a Capitol não quis.
E só como curiosidade, tenho uma história bem divertida com o Dandy Warhols: em janeiro de 2001, estava no Festival de Sundance, em Utah, nos Estados Unidos, com José Mojica Marins, exibindo “Maldito”, o documentário que Ivan Finotti e eu fizemos sobre ele, quando vi um cabeludo andando na rua. Reconheci na hora: era Brent DeBoer, baterista do Dandy Warhols. Perguntei o que ele estava fazendo ali. Ele desconversou, mas percebemos que os roadies estavam montando o equipamento num bar local. Liguei para um contato na gravadora Capitol e descolei ingressos para o show-surpresa que a banda, que estava estouradaça com “Bohemian Like You”, faria naquela noite, com abertura de – juro – Nikka Costa!
Outro dia, achei no Youtube a íntegra desse show. Aqui está:
Um ótimo dia a todas e todos!
16 comentários em "The Dandy Warhols e o disco que ninguém quis – até agora!"
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Curiosamente comprei recentemente, pelo site do Mercado Livre, o “Welcome to the monkey…” em cd nacional, e tenho ouvido muito, belo disco.
Meu favorito deles.
Bem, já que o pessoal tá pedindo bandas pro Barcinski trazer pro Brasil, sugiro Oh Sees e Lightining Bolt. E, pra não perder o bonde, Sunn O))) tb rs!
Primeiro já veio, não foi bem de público. LB tá nos planos. Mas também é desconhecido por aqui, seria pra lugar pequeno.
Fui dar uma olhada no Insta da Nikka Costa.. ela é tipo uma irmã gêmea da Leilane Neubarth da Globo News.. PQP… ri sozinho!!! rsrsrs
Tá gata!
André, seria uma boa tentar trazer novamente o King Gizzard (eles bateram na trave aqui ano passado) e o Ty Segall.
Seria, mas o primeiro teve o cachê tão absurdamente inflado pelo Lolla que não temos mais como trazê-lo.
amo o Dandy demais. por causa do doc DIG! conheci e passei a amar os Dandy e o BJM. vivo uma solidão aqui na minha cidade: sou o único que escuta essas bandas. em mais de 20 anos desde a adolescência, nenhum conhecido sequer as citou. o ponto positivo é que elas, aqui, são só minhas haha
War on Drugs, Mdou Moctar, Samara Joy e The Comet is Coming em maio em SP….e eu indo pra Portugal dia 20 ;-(
-Alô.
-Alô. Você é o vocalista da banda?
-Sou.
-Como é o seu nome?
-Courtney Taylor
-Courtney o que?
-Taylor
-Como? Não entendi?
-Taylor.
-Repete, por favor.
-Courtney Taylor. TAYLOR, porra…
– Ah tá, já anotei sr. Courtney Taylor-Taylor…
E virou o nome do vocalista da banda.
Cara, você vive uma vida incrível.
Traz o The War on Drugs pro Brasil, André!
Acho legal que eles depois de tanto tempo se permitiram gravar aquele disco de 2020 ‘Tafelmusik”. O que você acha dele, Barça ?
Não curto muito os últimos, mas o “Distortland” tem umas músicas BEM legais…
Traz eles também, André! 🙂
Tá nos planos!