Teenage Fanclub não muda – ainda bem!
Em 2016, quando o Teenage Fanclub lançou seu décimo LP, “Here”, escrevi um texto sobre como a longevidade da banda “atrapalhava” seu sucesso comercial (leia aqui).
Hoje, sete anos depois, continuamos falando desses escoceses talentosos, que acabam de pôr na praça mais um disco, “Nothing Lasts Forever”, seu 12º álbum de estúdio, e mostraram que sobreviveram bem à saída do baixista e cantor Gerard Love, em 2018.
A formação atual do Teenage Fanclub tem, além dos membros fundadores Norman Blake e Raymond McGinley, ambos cantores e guitarristas, o baixista Dave McGowan, o baterista Francis Macdonald e o tecladista e cantor Euros Child, conhecido também como líder da banda psicodélica galesa Gorky’s Zygotic Minci.
“Nothing Lasts Forever” traz dez faixas. Como sempre ocorreu nos discos da banda, o repertório é dividido entre os compositores: metade das canções foi escrita por Blake e a outra metade por McGinley.
O estilo, felizmente, não mudaou um power-pop pra cantar junto, com influências de Big Star, Replacements e Byrds. Veja o clipe do single “Foreign Land”:
É impressionante a capacidade que Blake e McGinley têm de criar melodias assobiáveis e que grudam na memória. O segundo single do disco, “Tired of Being Alone”, é uma dessas canções que você ouve uma vez e não esquece:
No início da carreira, o Teenage Fanclub fez discos mais barulhentos, como “Bandwagonesque” (1991), e o grupo foi incluído por muitos na cena “shoegaze” que revelou bandas cheias de microfonia e guitarras etéreas, como My Bloody Valentine, Lush e Ride. Mas os discos seguintes viram o TF diminuir a distorção e agressividade de sua música e se concentrar em canções curtas e bonitas. Se você não conhece a discografia do gripo, sugiro começar por “Thirteen” (1993) e “Grand Prix” (1995), dois grandes álbuns, certamente entre os melhores do indie rock da década de 1990.
Espero que a nova formação do Teenage Fanclub dê certo, e que Blake e McGinley levem a banda por muito mais tempo. A nova turnê europeia está sendo realizada em alguns teatros com assentos, e faz sentido: o público da banda parece mais interessado em curtir as músicas com conforto e um som de boa qualidade do que em pular do palco, como nos idos de 91.
Um ótimo fim de semana a todas e todos.
13 comentários em "Teenage Fanclub não muda – ainda bem!"
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Eu tenho o Grand Prix, em edição nacional… comprei na época, e até hoje, ouço e amo (a canção Neil Jung é uma obra-prima).
André, ouviu “now And Then”, a última canção dos Beatles?
Amanhá é 2×0 pro Fluzão!!! Ninguém merece mais do que vocês.
Vamos torcer demais pra isso!
.No sábado passado perdi de vê-los numa sala pequena em Bruxelas. Tinha comprado os ingressos na pré-venda mas por compromisso profissional não pude ir. Parece que ao vivo eles são demais. Pelo menos posso me deleitar com os discos deles. Este último está lindo. Banda incrível.
André, o disco é mesmo muito bom. São viáveis de trazer aqui pro BR? Abraços.
São sim, tão nos planos.
Daria meu testículo esquerdo pra ver os caras em Porto Alegre.
Barça, se conseguir trazer os caras avisa pra nós aqui por favor. Outra banda que eu adoraria ver é o Pavement, eles voltaram recentemente e fizeram uma turnê 2022, 2023. Ainda não está claro se vão continuar ano que vem, pra mim seria um sonho ver um show deles ao vivo.
Parece que o Pavement vem para um desses megafestivais em 2024.
Sério? Tomara então. Nesse caso acho que vale abrir uma exceção e passar pelo perrengue de assistir em festival.
Deve ser legal demais ver um show do Teenage Fanclub em um teatro, especialmente tocando o repertório desse novo disco.
Off Topic: André, você já assistiu a nova série documental do Globoplay “Vale O Escrito – A Guerra do Jogo do Bicho”?
Não vi ainda, mas tá na fila. Parece bem legal.
Boa sorte pro Fluzão amanhã!!! (foi mal, não resisti)
Valeu demais, vamos pra cima!