abr/2022

“Slow Horses” satiriza os serviços britânicos de “desinteligência”

Por André Barcinski

“Slow Horses” satiriza os serviços britânicos de “desinteligência”

Por André Barcinski

A Apple + exibe “Slow Horses”, minissérie britânica de espionagem. Vi o três primeiros episódios e estou gostando muito.

Estrelado por Gary Oldman e Kristin Scott-Thomas, é baseada numa série de livros do autor Mick Herron (que não li ainda, mas estou bastante inclinado a começar) e tem um “twist” engenhoso: aqui, os espiões não são aqueles profissionais frios e perfeccionistas que nos acostumamos a ver no cinema, mas uns verdadeiros trapalhões.

O centro da história é um prédio chamado “Slough House” (ou “Casa do Lamaçal”), uma divisão do MI5, o serviço de inteligência britânico, para onde são enviados agentes que cometeram erros imperdoáveis. É uma espécie de “cantinho do castigo” para espiões.

É lá que chega River Cartwright (Jack Lowden), um promissor agente que teve a carreira atrapalhada por um vacilo numa operação. Ele chega à “Slough House” e precisa lidar com o mau humor do chefe, Jackson Lamb (Gary Oldman), um ex-astro do MI5, hoje um bêbado flatulento e com sérios problemas de higiene pessoal.

A equipe de Lamb – formada ainda por meia dúzia de agentes encostados – se vê às voltas com um caso de repercussão internacional, quando um rapaz muçulmano é sequestrado por uma célula terrorista de supremacistas brancos que ameaçam decapitar o jovem e transmitir a execução pelo Youtube.

A série toca, mesmo que não diretamente, em assuntos quentes como o Brexit, o racismo na sociedade britânica, o populismo de políticos de direita que clamam por uma Inglaterra “pura” e a tentativa de manipulação da população por governos (encarnada na maquiavélica personagem de Kristin Scott-Thomas, chefona do MI5), mas tudo embalado numa história detetivesca tão emocionante quanto divertida.

Escrito por Will Smith – não o do tapa, mas um conhecido comediante e roteirista britânico especializado em sátira política, que ajudou a criar a série “Veep”, com Julia Louis-Dreyfus – “Slow Horses” tem um humor autodepreciativo, britânico até a medula, com ótimos atores trocando diálogos espertos e sem afetação, em que a graça está nos detalhes. Uma série muito acima da média.

Um ótimo dia a todos.

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