Sigur Rós: mais do mesmo e sempre lindo
A banda islandesa Sigur Rós acaba de lançar seu oitavo disco, e o primeiro em uma década: “Átta”. E a boa notícia é que nada mudou. Desde o primeiro lançamento, “Von”, em 1997, a banda faz exatamente o mesmo som: uma intrincada mistura de ambient, post-rock e música de trilha sonora de filme futurista, embalada pelo uso de arcos nas guitarras, em atmosferas lúdicas e viajandonas, e no falsete inconfundível do cantor e guitarrista Jon “Jónsi” Birgisson. Acho que nenhuma banda nas últimas três décadas criou uma sonoridade tão particular e imutável. Você ouve 30 segundos de qualquer música de qualquer disco e sabe que é do Sigur Rós.
A banda, cujo nome significa “Rosa da Vitória”, foi batizada em homenagem à irmã mais nova de Jónsi, Sigurrós, e tem outra característica que torna seu som ainda mais particular: as letras são cantadas em islandês ou num idioma inventado por eles próprios, ou seja, o ouvinte não-islandês não tem relação com a música que não seja puramente visceral e causada pelo impacto das melodias. A exemplo de outra banda extraordinária que cantava num idioma inventado – o Cocteau Twins – letras e música são um coisa só.
Fãs mais obsessivos podem argumentar, com razão, que a banda até fez algumas tentativas na direção de um rock mais “estruturado” e convencional em seu quarto LP, “Takk…” (2005), mas não espere canções com verso-refrão-verso para cantar no rádio, que não é a praia deles.
Recomendo demais assistir a essa remontagem, feita por um fã, do DVD “Heima”, que mostra uma turnê da banda pela Islândia em 2006. Essa nova edição compilou todas as performances ao vivo da banda que vinham no DVD duplo, e o resultado é hipnotizante.
Para quem não conhece o Sigur Rós, por onde começar? Continuo achando que o melhor é iniciar pelo disco que revelou a banda ao mundo, o grande “Ágaetis Byrjun”, de 1999, considerado por muitos críticos (e não discordo) um dos grandes discos da virada do milênio. Veja aqui, tirado do DVD “Heima”, uma versão acústica da faixa-título, “Ágaetis Byrjun”:
E aqui, o clipe da faixa “Skel”, no novo disco, “Átta”:
Um ótimo fim de semana a todas e todos.
4 comentários em "Sigur Rós: mais do mesmo e sempre lindo"
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André, tem um documentário chamado “Pop I Reykjavik” que fala sobre o Sigur Rós e outras bandas e artistas da cena da Islândia. Eu nunca consegui assistir porque só achei as legendas em inglês, mas fica aí a dica.
Boa dica, não vi.
Sempre ouvi falar desta banda e nunca prestei atenção… vou ouvir!
André, tu conhece uma banda da Noruega chamada Madrugada? Sim, em português… Tenho um disco deles chamado “Industrial Silence”, lindíssimo. Acho que talvez, tu poderia gostar.
Abraço.
Boa dica, não conheço a banda!