fev/2022

Redescobrindo Bola Sete, gênio brasileiro do violão

Por André Barcinski

Redescobrindo Bola Sete, gênio brasileiro do violão

Por André Barcinski

No fim dos anos 1950, um executivo da rede de hotéis Sheraton estava no Rio de Janeiro e viu um show do violonista Djalma de Andrade, mais conhecido por Bola Sete. Impressionado, o executivo convidou o músico para se apresentar em alguns hotéis da rede na Califórnia. Bola Sete foi e nunca voltou. Morreu de câncer em 1987, depois de uma carreira de quase 30 anos nos Estados Unidos.

Nesse tempo, Bola Sete se apresentou no Monterey Jazz Festival, influenciou Carlos Santana e John Fahey  (que chegou a lançar discos de Bola Sete) e foi “adotado” artisticamente por ninguém menos que Dizzy Gillespie. Em 1962, Dizzy estava se apresentando em São Francisco, na Califórnia, quando entrou num restaurante e ficou chapado com o virtuosismo e sonoridade do violonista que tocava. Era Bola Sete. Dizzy chamou o pianista de sua banda, o argentino Lalo Schifrin, para ver, e Schifrin – que depois ficaria ultrafamoso como compositor de temas para cinema, como “Missão Impossível” e a série “Dirty Harry” – também ficou estupefato com o que ouviu. Dizzy levou o brasileiro para gravar em Nova York e foi o responsável por sua apresentação no Monterey Jazz Festival, no mesmo ano.

Se você lê inglês e quer saber mais sobre a carreira internacional de Bola Sete, recomendo este perfil escrito por Andrew Gilbert para o site Classical Voice.

No fim de 2021, a gravadora norte-americana Tompkins Square lançou “Bola Sete – Samba in Seattle: Live at the Penthouse – 1966-1968”, um CD triplo com as melhores gravações dos shows que Bola Sete – acompanhado por  outros dois músicos brasileiros, o baixista Sebastião Neto e o baterista Paulinho Magalhães – fez na casa de jazz The Penthouse, em Seattle.

Ouça Bola Sete, Neto e Magalhães entortando “O Barquinho”, clássico bossanovista de Menescal e Bôscoli:

Uma das parcerias musicais mais importantes da carreira de Bola Sete foi com o pianista norte-americano Vince Guaraldi, com quem gravou cinco LPs na década de 1960 (Guaraldi ficou famoso como compositor das trilhas dos especiais de TV do desenho animado “Peanuts”, tirado dos quadrinhos de Charles M. Schulz).

Veja Bola Sete e Vince Guaraldi tocando “Star Song”, em 1963.

Espero que o lançamento do disco ao vivo em Seattle seja o início da “redescoberta” de Bola Sete, especialmente no Brasil, onde ele ainda é, infelizmente, muito pouco falado.

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