dez/2021

Quem consegue acompanhar Ty Segall?

Por André Barcinski

Quem consegue acompanhar Ty Segall?

Por André Barcinski

Se você quer ver um grande show de uma banda no auge, sugiro assistir à “Levitation Sessions” de Ty Segall & The Freedom Band, que entrou esses dias, na íntegra, no Youtube.

Gravado no lindo Remsen Bird Hillside Theatre, um anfiteatro ao ar livre de uma universidade em Los Angeles, mostra Segall e sua banda, a Freedom Band – Mikal Cronin (baixo), Ben Boye (teclados), Emmett Kelly (guitarra) e Charles Moothart (bateria) – tocando seleções do vastíssimo repertório de Segall.

Confesso que desisti de tentar acompanhar a carreira de Ty Segall. Nada contra a música, que é fantástica, mas eu simplesmente não consigo acompanhar o ritmo de lançamentos do sujeito. Pelas últimas estimativas, Segall, que tem só 34 anos, já lançou treze discos de estúdio, dois álbuns ao vivo, três EPs, 19 compactos e dezesseis vídeos musicais.

E isso só na carreira solo. Se computadas as participações dele em outras bandas – ao menos nove, incluindo Fuzz,  Goggs e Sic Alps – estamos falando em outros trinta e tantos lançamentos. E nem vou começar a falar em participações em trabalhos de outros grupos.

Em 2013, escrevi pela primeira vez sobre Ty Segall:

O dia de Ty Segall deve ter 72 horas, não é possível.

O sujeito tem 25 anos, começou a gravar em 2005 e já lançou uns 40 discos. Só em 2012 foram três LPs, com vários projetos diferentes.

Segall toca em pelo menos sete grupos e acaba de criar mais uma banda, Fuzz, pela qual lançou um compacto com duas músicas muito boas. Ele lança discos com mais rapidez do que eu consigo ouvi-los.

Não sou maluco e nem tenho tempo para falar de tudo que ele gravou. Deixo isso para quem tem 20 anos e mais tempo livre. Mas posso dizer o seguinte: tudo que ouvi de Ty Segall é muito bom.

A praia dele é o rock de garagem sessentista, o pré-punk de Sonics, MC5, Stooges, 13th Floor Elevators e seus discípulos, como Mudhoney, Dinosaur Jr. e Scientists. Mas Segall não parece ser um daqueles obsessivos que acha que qualquer coisa gravada depois de 1974 não presta.

Ele também tem um pé no lado mais podre do rock. A prova é que colaborou num disco de tributo a G.G. Allin.

Torço para que Ty Segall diminua o ritmo. Não é possível gravar tanto sem comprometer a qualidade. Tomara que ele não vire um Guided By Voices, banda que eu desisti de acompanhar por falta de estamina (minha, claro, não da banda).

Vendo os vídeos de Ty Segall no Youtube, percebi três coisas: a primeira é que o sujeito faz ótimos shows. A segunda é que boa parte de seu público é de moleques de 15, 16 anos. Fantástico. A terceira é que é impossível não se sentir um decrépito: o cara tinha um ano de idade quando o Mudhoney lançou o primeiro disco. E você sabe que está ficando velho quando as bandas de que gostava já viraram “old school”…

Depois de escrever esse texto, tive a sorte de ver Ty Segall ao vivo tocando com o Fuzz em 2015 no Festival Austin Psych Fest, no Texas. Foi brutal e inesquecível. E se você quer começar a ouvir Ty Segall, sugiro assistir a esse show. É um ótimo ponto de partida para uma jornada interminável.

11 comentários em "Quem consegue acompanhar Ty Segall?"

  • Cazzos, a última música é Neil Young & Crazy Horse total!!!! Maravilhoso!!! Psychedellic Pill-era. Aliás, um dos melhores shows a que já fui: Voodoo Festival, New Orleans, outubro 2012. Quantas saudades…..

  • Imagem de perfil do usuárioImagem de perfil do usuário
    Joao Gilberto Monteiro

    André, não conhecia o Ty Segall, chapei no som, muito bom, valeu!!!!

    E essa produtividade dele me lembra uma época em que o Pearl Jam estava brigado com as grandes corporações e em uma de suas turnês resolveu lançar discos ao vivo de todas as suas apresentações, aí foram uns 100 e poucos álbuns em mens de dois anos….

  • Imagem de perfil do usuárioImagem de perfil do usuário
    Magno Ulisses De Almeida E Silva

    Também acho difícil acompanhar novos lançamentos e ainda mais com essa frequência. Parece bizarro mas isso me traz uma sensação de angústia. Eu ainda nem ouvi coisas antigas, quanto mais as novas. Essa semana “descobri” os Flamin’ Groovies! Já tinha ouvido falar, mas nunca tinha escutado.Achava que era uma banda de doo wop! Que banda sensacional, como fiquei 50 anos sem conhecer? É Barcinski, o tempo a partir de certa idade, definitivamente não está do nosso lado.

  • Vi esse show por sugestão do YouTube, às vezes ele acerta, e juro que pensei: “o Barça ia gostar de assistir isso”. Não é comum em tempo recentes ver algo assim, com esse nível de sagacidade: ideia, atmosfera e banda. Quanto a acompanhar a discografia do cara, realmente é osso. O engraçado é que meus prediletos dele são justamente os de 2014 pra cá. Acho Manipulator (2014), Ty Segall de 2017 e Freedom’s Goblin (2018) – este com canções que estão longe do início garageiro, como Rain e Alta – seus melhores discos. Dos seus projetos, acho Fuzz 3 (2020) o mais bacana. Abraço.

Deixe seu comentário

Ir para o topo