Quando o Lynyrd Skynrd chamou Neil Young pro pau
Há exatos 50 anos, em junho de 1973, a banda norte-americana Lynyrd Skynyrd entrou em estúdio para gravar uma faixa que entraria em seu segundo LP, “Second Coming”. A canção era “Sweet Home Alabama”, uma ode ao estado norte-americano do Alabama. Mais que isso: era uma provocação a um artista que os membros do Skynyrd adoravam: Neil Young.
Well I heard Mister Young sing about her
Well I heard old Neil put her down
Well, I hope Neil Young will remember
A Southern man don’t need him around anyhow
Eu ouvi o sr. Young cantar sobre ela
Ouvi o velho Neil botando-a pra baixo
Espero que Neil Young lembre
Um homem sulista não precisa dele por perto
A fúria dos integrantes do Lynyrd Skynyrd foi motivada por duas canções de Young: “Southern Man” (1970), e “Alabama” (1972), críticas ao conservadorismo e racismo do sul dos Estados Unidos. “Acho que Neil Young atirou em todos os patos que viu pela frente para matar só um ou dois”, disse o cantor do Skynyrd, Ronnie Van Zant, um fã de Young que costumava usar uma camiseta com a capa do LP “Tonight’s the Night”.
Na letra de “Sweet Home Alabama”, o Lynyrd Skynyrd também ironiza o então governador do Alabama, George Wallace, conhecido por suas ideias racistas. “Eu não concordava com muito do que Wallace dizia em relação às pessoas de cor”, disse Van Zant.
O curioso é que o Lynyrd Skynyrd, diferentemente do que a letra faz parecer, não veio do Alabama, mas de Jacksonville, na Flórida. Nenhum dos três compositores da canção era do Alabama: Van Zant e o guitarrista Gary Rossington eram de Jacksonville, e o guitarrista Ed King havia nascido na Califórnia. Mas o orgulho sulista falou mais alto, e a banda não iria deixar Neil Young se safar dessa.
Assim que “Sweet Home Alabama” saiu, Neil Young percebeu que as letras de “Southern Man” e “Alabama” eram generalizantes e injustas e aceitou, de bom grado, o tapa que levara do Lynyrd Skynyrd. Young era fã da banda e presentou-a com uma música inédita: a obra-prima “Powderfinger”.
Infelizmente, o Lynyrd Skynyrd nunca gravaria “Powderfinger”: em outubro de 1977, o avião da banda caiu no Mississipi depois de um show, matando seis passageiros, incluindo três membros – Ronnie Van Zant, o guitarrista e cantor Steve Gaines e a irmã dele, Cassie, que fazia coro no grupo – e deixando os outros integrantes com ferimentos sérios.
No mês seguinte, Neil Young fez um concerto beneficente para um hospital infantil na Flórida e homenageou a banda com uma versão de “Alabama” que incluía trechos de “Sweet Home Alabama”.
Um ótimo dia a todas e todos.
18 comentários em "Quando o Lynyrd Skynrd chamou Neil Young pro pau"
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Tive um disco da banda nos anos 80, e era uma briga danada ora saber a pronúncia desse diabo de nome. Gosto muito da música “give me back my bullets”. Parabéns pelo blog André!
Sem dúvida que essa treta foi muito mais civilizada que aquela entre chorão e Marcelo camelo rsrs
Não tem uma história de que um dos membros do Lynyrd Skyrnid teria sido enterrado com uma camiseta do Neil Young? É bizarro que duas das maiores bandas de rock sulista americano tenham histórias tão trágicas quanto o Allman Brothers e o Lynyrd…
Isso parece que é lenda. Ele usava uma camisa do Neil em shows.
Oi Barça, sensacional essa história. Não sei se já contou em outro momento, mas pode detalhar mais essa retribuição do Neil Young ao compor Powderfinger? É uma das minhas favoritas do Neil, gostaria de entender mais sobre o que é a música/letra. Abraços
Nem precisa pensar muito…nessa treta sou mais o Senhor Young.
Parabéns pelo texto, rapaz!
“Eu não concordava com muito do que Wallace dizia em relação às pessoas de cor”, disse Van Zant.
Típica fala de racista enrustido… as críticas do Neil estavam (e ainda estão) corretíssimas.
Desculpe, mas o Van Zant sempre criticou o posicionamento racista do Wallace.
Desculpe, mas a frase é bem infeliz. Ele concordava com algo que aquele boçal falava? Caso sim, já é problema.
Sandro, por favor, vc está pegando uma frase do cara CONTRA o George Wallace e supondo que ele é racista. Não faz sentido. Só o fato de, nos anos 70, o Van Zant ser sulista e criticar o Wallace, um político super popular na região, que certamente era adorado por boa parte do público do Skynyrd, já é um ótimo sinal.
André, o cara dizer que “não concorda com muito” com que um racista filho da puta fala, é no mínimo tirar o corpo fora. Tu está passando pano pro Van Zandt. Tá parecendo o Porchat defender escrotisse e DEZ dias depois (e de perder anunciantes), se arrepender.
Sandro, na boa, estou discutindo civilizadamente com você. Você expôs sua opinião, eu discordei e apresentei argumentos. Dizer que eu “passo pano” pra alguém é um golpe baixo, indigno de uma conversa que estava em alto nível e acaba com qualquer discussão. Eu discuti sua opinião, não a sua pessoa. Por favor me estenda a mesma cortesia. Abraço.
Não te ofendi. Eu critiquei sua posição, não você pessoalmente, da mesma forma que eu não critiquei o Van Zandt, mas sim, a posição e a postura dele. Passar pano significa que tu não vê maldade na fala dele, mas eu vejo. Opinões distintas, só isso.
Não acho que o Van Zandt, fosse racista, apenas critiquei a posição “em cima do muro” desta fala específica dele.
Sandro, não vou estender o assunto, mas é claro que ofendeu. Leia seu texto. Você me acusou de “passar pano” para alguém que você diz ser racista. Veja os meus comentários e me diga se eu em algum momento falei de você e não de suas ideias. Ficamos por aqui, ok? Abraço.
André, legal essa maturidade do Neil Young em receber as críticas em forma de canção do Lynyrd, isso não é normal, por exemplo, entre artistas brasileiros!!!!
E a região de Jacksonville, no norte da Flórida, de onde vieram o Ronnie Van Zant e o Gary Rossington tem um passado tão conservador e escravagista quanto o Alabama e o restante do sul dos Estados Unidos….
Oi, Joaozinho1983!
Me permite um comentário?
Nao é normal, mas é antiga dos tempos do Noël Rosa com aquele antagonista dele que eu esqueci o nome.
N’a verdade você até vê um pouco disso na era do CD também, mas ficava nas entrelinhas.
O que eu acho o fim da picada é a expressão passar pano. Alguém precisa coibir o uso dessa expressão hoje recorrente em qualquer bate-papo informal, não?
Abraços
Infelizmente é uma música que muitos racistas americanos usam como um tipo de hino,. O pior é saber que o escroto do George Wallace ainda era governador nos anos 70.
Pois é, inacreditável sobre o Wallace. Figura grotesca.