jan/2022

Pretenders: dois LPs clássicos ganham versões luxuosas

Por André Barcinski

Pretenders: dois LPs clássicos ganham versões luxuosas

Por André Barcinski

A gravadora Rhino relançou, em versões “deluxe”, dois discos absolutamente essenciais: “Pretenders” (1979) e “Pretenders II” (1980).

Cada um dos LPs mereceu três CDs, com o disco original, um segundo CD de demos e versões alternativas, e um terceiro com dois espetaculares shows ao vivo – o primeiro gravado em Londres, em 1979, e o segundo em Los Angeles, em 1981.

Ouvindo o material, é impossível não concluir que o Pretenders foi uma das mais explosivas e talentosas bandas do período, capaz de rivalizar com Ramones e Clash em energia e com Buzzcocks e Undertones em talento para criar pérolas do punk-pop.

O que poucos lembram é que Chrissie Hynde, a líder do Pretenders, já era uma veterana da cena punk londrina quando esses discos saíram. Essa norte-americana de Ohio chegou à Inglaterra em 1973 e viu de perto o nascimento do punk inglês: trabalhou como jornalista no jornal musical “New Musical Express”, participou de versões embrionárias de bandas que viriam a ser The Clash e The Damned, e até passou um tempo trabalhando em lojas de roupas de Vivienne Westwood e Malcolm McLaren, os fashionistas que ajudaram a criar a estética punk.

Hynde era a única não-britânica da formação que lançou o primeiro LP do Pretenders, que incluía o baterista Martin Chambers, o guitarrista James Honeymann-Scott e o baixista Pete Farndon.

Apesar de ter surgido bem na efervescência do movimento punk, o Pretenders não fazia parte do clubinho. Hynde e seus parceiros eram ecléticos demais e faziam uma música que incorporava elementos do rock de garagem, da soul music e do rock clássico de Kinks e Stones (o primeiro compacto da banda foi uma versão de “Stop Your Sobbing”, do Kinks, canção composta por Ray Davies, com quem Chrissie viveria um romance e com quem teria uma filha, Nathalie, nascida em 1983).

Os dois primeiros LPs do Pretenders foram sucessos de venda. O disco de estreia, que tinha clássicos como “Kid” e “Brass in Pocket”, foi número 1 na Inglaterra e 9 nos Estados Unidos. O segundo LP, com “Message of Love” e “Talk of the Town”, também vendeu muito e chegou a número 7 na parada britânica.

Veja a banda em 1981 – apresentada pelo comediante Andy Kaufman! – detonando o clássico new wave “Message of Love”:

Infelizmente, “Pretenders II” foi o último disco com a formação clássica da banda. Em junho de 1982, Hynde, irritada com os problemas de Farndon com heroína, despediu o baixista. Dois dias depois, o guitarrista James Honeymann-Scott morreu de overdose de cocaína.  No ano seguinte, foi a vez de Farndon, que morreu afogado na banheira depois de usar heroína.

Chrissie Hynde penou, mas conseguiu retomar o controle: em 1984, com dois novos integrantes, lançou um disco cujo título explicitava os tempos duros por que passara: “Aprendendo a Rastejar” (“Learning to Crawl”), que trazia hits mundiais como “Back in the Chain Gang” e “Middle of the Road”. Bem que a Rhino poderia relançar esse também…

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