Pretenders: dois LPs clássicos ganham versões luxuosas
A gravadora Rhino relançou, em versões “deluxe”, dois discos absolutamente essenciais: “Pretenders” (1979) e “Pretenders II” (1980).
Cada um dos LPs mereceu três CDs, com o disco original, um segundo CD de demos e versões alternativas, e um terceiro com dois espetaculares shows ao vivo – o primeiro gravado em Londres, em 1979, e o segundo em Los Angeles, em 1981.

Ouvindo o material, é impossível não concluir que o Pretenders foi uma das mais explosivas e talentosas bandas do período, capaz de rivalizar com Ramones e Clash em energia e com Buzzcocks e Undertones em talento para criar pérolas do punk-pop.
O que poucos lembram é que Chrissie Hynde, a líder do Pretenders, já era uma veterana da cena punk londrina quando esses discos saíram. Essa norte-americana de Ohio chegou à Inglaterra em 1973 e viu de perto o nascimento do punk inglês: trabalhou como jornalista no jornal musical “New Musical Express”, participou de versões embrionárias de bandas que viriam a ser The Clash e The Damned, e até passou um tempo trabalhando em lojas de roupas de Vivienne Westwood e Malcolm McLaren, os fashionistas que ajudaram a criar a estética punk.
Hynde era a única não-britânica da formação que lançou o primeiro LP do Pretenders, que incluía o baterista Martin Chambers, o guitarrista James Honeymann-Scott e o baixista Pete Farndon.
Apesar de ter surgido bem na efervescência do movimento punk, o Pretenders não fazia parte do clubinho. Hynde e seus parceiros eram ecléticos demais e faziam uma música que incorporava elementos do rock de garagem, da soul music e do rock clássico de Kinks e Stones (o primeiro compacto da banda foi uma versão de “Stop Your Sobbing”, do Kinks, canção composta por Ray Davies, com quem Chrissie viveria um romance e com quem teria uma filha, Nathalie, nascida em 1983).
Os dois primeiros LPs do Pretenders foram sucessos de venda. O disco de estreia, que tinha clássicos como “Kid” e “Brass in Pocket”, foi número 1 na Inglaterra e 9 nos Estados Unidos. O segundo LP, com “Message of Love” e “Talk of the Town”, também vendeu muito e chegou a número 7 na parada britânica.
Veja a banda em 1981 – apresentada pelo comediante Andy Kaufman! – detonando o clássico new wave “Message of Love”:
Infelizmente, “Pretenders II” foi o último disco com a formação clássica da banda. Em junho de 1982, Hynde, irritada com os problemas de Farndon com heroína, despediu o baixista. Dois dias depois, o guitarrista James Honeymann-Scott morreu de overdose de cocaína. No ano seguinte, foi a vez de Farndon, que morreu afogado na banheira depois de usar heroína.
Chrissie Hynde penou, mas conseguiu retomar o controle: em 1984, com dois novos integrantes, lançou um disco cujo título explicitava os tempos duros por que passara: “Aprendendo a Rastejar” (“Learning to Crawl”), que trazia hits mundiais como “Back in the Chain Gang” e “Middle of the Road”. Bem que a Rhino poderia relançar esse também…
10 comentários em "Pretenders: dois LPs clássicos ganham versões luxuosas"
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André, vi uma apresentação no Youtube da formação clássica da banda, visceral!
Eu tenho o Pretenders II numa edição nacional dupla caprichada da Rhino, e estou atrás do primeiro… mas essas edições triplas são de babar a gravata!
Gosto também do Learning to Crawl, mas esses dois são os melhores -, discaços! Pena que o preço deve ser proibitivo….
Estes dois álbuns são sensacionais. Faz sentido que um deles leve o título II, soa mesmo como uma sequência. Os dois soam, juntos, como se fossem um álbum duplo. E “Kid” é uma das canções mais bonitas do Rock. Acho que Pretenders é a banda, das que fizeram nome nos 80 (ok, começou em 79), que mais ouvi até hoje (REM logo na sequência). Também acho que é uma das bandas com carreira discográfica menos irregular. São mais de 40 anos mantendo o nível. “Hate for Sale”, o disco de 2020, é muito bom.
Preciso ouvir esse mais recente, não rolou ainda…
André, a ideia do lançamento dos dois primeiros álbuns dos Pretenders é muito boa, eu mesmo nem conhecia esses trabalhos, só do Learning to Crawl em diante, e da fase pós-estouro em diante, de quais trabalhos vc gosta deles?
Cara, acho o “Get Close” muito bom também.
Ano passado a Fender lançou uma guitarra inspirada na famosa Telecaster dela. Uma lindeza só: https://youtu.be/3HlXWUsghMA
Linda, linda.
André, Pretenders é demais!!!! Mesmo com mais de 40 anos na ativa continuam fiéis à sua sonoridade. Hate for Sale, o álbum que eles lançaram em 2020, é um dos meus preferidos junto aos dois que você citou na matéria.