“O Homem de Palha” é obra-prima “cult”
A plataforma MUBI exibe “O Homem de Palha” (“The Wicker Man”), produção britânica de 1973 dirigida por Robin Hardy. Não é exagero dizer que é um dos mais espetaculares e inventivos “cult movies” dos anos 70, lado a lado com obras-primas da esquisitice como “Inverno de Sangue em Veneza” (Nicholas Roeg, 1973), “Piquenique na Montanha Misteriosa” (Peter Weir, 1975) e “Corrida Contra o Destino” (Richard C. Sarafian, 1971).
O filme conta a história de um policial (Edward Woodward) que vai de hidroavião a uma remotíssima ilha na costa da Escócia para investigar o desaparecimento de uma menina. A paz e beleza do local escondem, no entanto, muitos mistérios: o policial percebe que os habitantes dessa sonolenta ilha praticam rituais antigos de paganismo.
A coisa fica ainda mais estranha quando o policial encontra o líder da ilha, uma figura enigmática chamada Lord Summerisle, interpretada por ninguém menos que Christopher Lee. A trama vira uma viagem sem volta a um mundo sombrio e surpreendente.
Se você achou a trama parecida com a do recente sucesso “Midsommar” (Ari Aster, 2019), não é à toa: o filme de Aster copia “The Wicker Man” descaradamente. Aliás, boa parte do subgênero que alguns críticos chamam de “Horror Folk” – filmes em que personagens contemporâneos se veem às voltas com magias e práticas antigas – vem do filme de Robin Hardy.
Para plateias modernas, “The Wicker Man” pode parecer apenas outro filme de terror acima da média. Mas, pensando com a cabeça de quem viu o filme em 1973, é difícil não imaginar a correlação com os acontecimentos políticos e sociais da época, especialmente a Guerra do Vietnã. É interessante perceber como muitos filmes do período tratam de pessoas “normais” que vão a um local supostamente tranquilo e se deparam com o barbarismo. Pense em “Straw Dogs”(Sam Peckinpah, 1971) ou “Deliverance” (John Boorman, 1972).
“The Wicker Man” captura perfeitamente o espírito do hippismo mais radical e da contracultura dos anos 70. É um filme-retrato de sua época, que inspirou outros cineastas e pode ser visto até como um modelo para eventos neopagãos modernos, como o Burning Man. Só não chegue ao extremo de tentar ver a refilmagem, com Nicholas Cage, por favor. Aí é pedir demais.
Uma ótima semana a todas e todos.
14 comentários em "“O Homem de Palha” é obra-prima “cult”"
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Tem uma minissérie da HBO que é quase um apêndice de O Homem de Palha: The third day, com o Jude Law. Teve um episódio exibido em caráter inédito, inclusive, mostrando todo o festival pagão onde a trama se passa – numa ilha esquecida da Inglaterra, claro.
Inspiração máxima para o Midsommar, do Ari Aster.
O clipe em stop motion da música Burn the Witch do Radiohead, tem entre outras, inspiração neste filme..
Certamente.
André, falando em Folk Horror, alguma opinião sobre o “The Witch” (2015), do Robert Eggers? Abs
Gosto bastante, mas menos do que a maioria das pessoas. Mas o Eggers é talentoso.
André, um OT: Mais um sintoma dos “tempos modernos” em que vivemos?
https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2023/10/por-que-artistas-pop-como-anitta-e-luisa-sonza-fazem-musicas-cada-vez-mais-curtas.shtml
Ainda bem, né? Imagina ouvir uma música dessas por mais de dois minutos?
É uma obra-prima, sem dúvidas… e é impressionante até hoje.
Me critique, André…. gostei da refilmagem, especialmente por conta da Ellen Burstyn no papel que foi do Christopher Lee.
Tá maluco?
Tô! Tô maluco desde que o Fluzão fez um favor pro Brasil e eliminou o “Barcelona dos pampas”.
In Diniz We Trust! Vai, Fluzão!
Vamos pra cima!
Xará, a refilmagem com o Nicolas Cage é um dos piores filmes que já assisti na vida. abs
Também.