Novo LP do The Coral é uma joia preciosa
Acaba de sair “Sea of Mirrors”, 11º LP da banda britânica The Coral. Parece ser um daqueles discos que ficam para sempre.
The Coral tem uma história curiosa: a banda foi formada em meados dos anos 90 por amigos de escola de Hoylake, uma cidadezinha de 13 mil habitantes que fica na Península Wirral, no noroeste da Inglaterra. Em 2002, lançou o LP de estreia, homônimo, e explodiu com a faixa “Dreaming of You”:
O disco de estreia era bom, mas não se diferenciava muito dos trabalhos de inúmeras bandas britânicas do período, como Libertines, Supergrass e outras. Era, basicamente, um sub-Kinks, fazendo um pop animado e divertido, mas sem grandes voos criativos.
Depois do LP de estreia, The Coral ainda obteve algum sucesso comercial com o segundo disco, “Magic and Medicine”, mas, depois disso, a banda meio que sumiu das paradas. O passo seguinte, de acordo com os quase inescapáveis clichês do showbiz, seria a banda acabar, ficar uma década separada e voltar depois para turnês nostálgicas e caça-níqueis.
Felizmente, não foi o que ocorreu. The Coral sobreviveu. E, no isolamento de Hoylake, onde os integrantes ainda moram, começou a fazer discos cada vez mais estranhos e experimentais, até chegar a “Sea of Mirrors”, que parece ser, pelo menos às primeiras audições, o trabalho mais inspirado da banda.
É um disco tão estranho quanto genial. Quando a banda terminou as gravações, os integrantes perceberam que havia material suficiente para dois discos. Decidiram lançar, no mesmo dia, “Sea of Mirrors” e um segundo álbum, “Holy Joe’s Coral Island Medicine”, este disponível apenas em vinil.
Descrito pela própria banda como “a trilha sonora de um imaginário faroeste-espaguete imaginário”, “Sea of Mirrors” une sonoridades de Ennio Morricone a uma psicodelia folk britânica, que remete a Donovan e The Incredible String Band. Veja o clipe da faixa “Wild Bird”:
E aqui, “That’s Where She Belongs”:
“Sea of Mirrors” é o auge criativo de uma banda que, felizmente, nunca fez grande sucesso e pôde burilar seu som e estilo ao longo dos anos, sem se preocupar em regurgitar hits para plateias nostálgicas. É um disco calmo e contemplativo, que exala uma reconfortante sensação de isolamento.
Um ótimo feriado a todas e todos. O blog volta segunda, dia 16.
11 comentários em "Novo LP do The Coral é uma joia preciosa"
Deixe seu comentário
Faça login para publicar um comentário.
Curiosamente, este texto tem uma ligação com o anterior. O vídeo para a música “Goodbye”, do primeiro disco da banda, possui cenas do filme “O homem de palha”.
Caramba, bem lembrado!
André, um OT de três cores: Gostou da terceira camisa do seu Fluminense em homenagem ao Cartola?
https://ge.globo.com/futebol/times/fluminense/noticia/2023/10/11/fluminense-lanca-camisa-em-homenagem-a-cartola.ghtml
Achei linda, vou comprar.
Na época em que saiu o primeiro álbum, eu comprei e gostei muito. Vou ouvir este último, então… obrigado pela indicação.
Depois diz o que achou.
Pra mim, The Coral e Midlake são as duas bandas mais subvalorizadas da música atual. Produzem grandes albuns e se mantem sempre no underground.
Recomendo fortemente Buterfly House do Coral, de 2010, pra quem tiver interesse. Acho que foi aí o ponto de virada da banda pra ese som mais pscicodelico e é um dos meus discos favoritos dos anos 10.
Tem razão, e ótima lembrança do Midlake, gosto muito.
Quanto ao Midlake, apesar depouco falado, gosto muinto do disco Antiphon (2013) que foi gravado após a saída do vocalisa/letrista principal. O último album, “For The Sake Of Bethel Woods” tem algumas pérolas pop impressionantes.
Barça, como vc descobre essas coisas?! toda vez fico impressionado com a diversidade de bandas, filmes e livros que vc acompanha. seu dia tem 48 horas? abraços.
Valeu, Pedro, eu tenho um cotidiano bem organizado. Vemos um filme ou série por dia, estou sempre de olho em lançamentos de discos, etc. Abraço!