Novo disco do Beach House é viciante
O grupo norte-americano Beach House acaba de lançar seu oitavo álbum, “Once Twice Melody” e, como os anteriores, é um disco viciante e difícil de parar de ouvir.
O Beach House é um duo formado pela cantora e tecladista Victoria Legrand e pelo guitarrista e tecladista Alex Scally e faz um som eletrônico lento e viajante, cheio de texturas atmosféricas e climas oníricos. No início, foram considerados discípulos da banda que praticamente inaugurou esse estilo, o Cocteau Twins, mas depois de oito álbuns e quase 20 anos de carreira, seria injusto reduzir o Beach House a meros imitadores.
Até porque, nesse tempo, o duo mostrou outras influências, seja da psicodelia dos anos 60 ao “shoegaze” mais pesado de Slowdive, My Bloody Valentine e Ride. “Once Twice Melody” é um álbum duplo de 18 canções e tem uma sonoridade que, se permanece fiel aos trabalhos anteriores do Beach House, também traz músicas mais pesadas e menos “ambient”.
Victoria (sobrinha do lendário pianista e compositor francês Michel Legrand) e Alex começaram a banda em Baltimore, Maryland (costa leste dos EUA), e sempre me perguntei a razão de terem escolhido esse nome, “Casa de Praia”. O nome, associado à sonoridade dos álbuns, remete a paisagens de litorais lindos e calmos, areias claras e sol brilhando. Mas eu morei em Maryland, conheço a extensa costa local, e posso garantir que aquilo ali remete muito mais a um hardcore ou metal extremo, com águas gélidas, ventos intensos que jogam areia na cara de todo mundo e correntes marítimas tão fortes que o banho de mar é proibido em vários pontos do litoral.
Quero acreditar que Victoria e Alex estavam sendo irônicos, ou usaram a imaginação para criar um ambiente que não conheciam.
De qualquer forma, o som do Beach House é um poderoso tranquilizante. É som para ouvir numa tarde de sol ou numa estrada, com as janelas abertas e o vento batendo no rosto. Não tem nada a ver com Baltimore, mas aí está um dos poderes da música: nos transportar a lugares imaginados e longínquos.
12 comentários em "Novo disco do Beach House é viciante"
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SENSACIONAL!
Falando nisso Barça, conseguiu abrir aquele link com o livro sobre LA? Abraço! PS: não conhecia Beach House e achei bem legal!
Vou ouvir essa nova do Beach House, mas mudando de assunto, tá rolando o Japanese Film Festival Online entre os dias 14 a 27/02, liberado de graça para 25 países, incluindo o Brasil: https://watch.jff.jpf.go.jp/
Excelente dica, obrigado, vou dar uma olhada na seleção…
Muito bom! Me lembra Chromatics, banda que infelizmente anunciou seu fim há pouco tempo.
André, aliás, como um bom conhecedor da “América”, tirando a Flórida e alguns pontos da Carolina do Norte, a Costa Leste americana tem praias tão bonitas quanto as brasileiras?
De jeito nenhum. Via de regra, são tétricas.
Coincidentemente estou assistindo The Wire que se passa em Baltimore e fica realmente difícil de associar ao som do Beach House, banda que aliás ouvi a primeira vez no Garagem por uma indicação do Paulão.
Pois é, não tem nada a ver com o som da banda!
Valeu pela indicação, André. Acho o “Bloom” um disco maravilhoso. Tem um show deles no You Tube (Live at Kings Theatre) sensacional. Recomendo!
Lindo demais isso.
Muito bom.