fev/2022

Novo disco do Beach House é viciante

Por André Barcinski

Novo disco do Beach House é viciante

Por André Barcinski

O grupo norte-americano Beach House acaba de lançar seu oitavo álbum, “Once Twice Melody” e, como os anteriores, é um disco viciante e difícil de parar de ouvir.

O Beach House é um duo formado pela cantora e tecladista Victoria Legrand e pelo guitarrista e tecladista Alex Scally e faz um som eletrônico lento e viajante, cheio de texturas atmosféricas e climas oníricos. No início, foram considerados discípulos da banda que praticamente inaugurou esse estilo, o Cocteau Twins, mas depois de oito álbuns e quase 20 anos de carreira, seria injusto reduzir o Beach House a meros imitadores.

Até porque, nesse tempo, o duo mostrou outras influências, seja da psicodelia dos anos 60 ao “shoegaze” mais pesado de Slowdive, My Bloody Valentine e Ride. “Once Twice Melody” é um álbum duplo de 18 canções e tem uma sonoridade que, se permanece fiel aos trabalhos anteriores do Beach House, também traz músicas mais pesadas e menos “ambient”.

Victoria (sobrinha do lendário pianista e compositor francês Michel Legrand) e Alex começaram a banda em Baltimore, Maryland (costa leste dos EUA), e sempre me perguntei a razão de terem escolhido esse nome, “Casa de Praia”. O nome, associado à sonoridade dos álbuns, remete a paisagens de litorais lindos e calmos, areias claras e sol brilhando. Mas eu morei em Maryland, conheço a extensa costa local, e posso garantir que aquilo ali remete muito mais a um hardcore ou metal extremo, com águas gélidas, ventos intensos que jogam areia na cara de todo mundo e correntes marítimas tão fortes que o banho de mar é proibido em vários pontos do litoral.

Quero acreditar que Victoria e Alex estavam sendo irônicos, ou usaram a imaginação para criar um ambiente que não conheciam.

De qualquer forma, o som do Beach House é um poderoso tranquilizante. É som para ouvir numa tarde de sol ou numa estrada, com as janelas abertas e o vento batendo no rosto. Não tem nada a ver com Baltimore, mas aí está um dos poderes da música: nos transportar a lugares imaginados e longínquos.

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