Perdido na programação da Netflix está um filme indiano de 2020 que eu não teria visto se não fosse a dica do leitor Ira Carlovich: “O Discípulo”. Foi uma imensa surpresa e um filme muito marcante.
Dirigido por Chaitanya Tamhane, um cineasta de 36 anos com apenas outro longa no currículo – e que vou correr pra assistir – chamado “A Corte” (2014), “O Discípulo” venceu um prêmio da crítica e a estatueta de melhor roteiro no Festival de Veneza.
Veja aqui a crítica Isabel Boscov falando do filme:
“O Discípulo” conta a vida de Sharad Nerulkar (Aditya Modak), um jovem cantor de música clássica indiana. O filme vai e volta na vida de Sharad, mostrando-o criança, tendo aula de música com o pai, e depois, já mais velho, dando aula para crianças.
Sharad é um obsessivo: vê a música clássica indiana como uma arte sagrada, que deve ficar longe de interesses comerciais. Em concursos de canto, não vai bem, superado por outros concorrentes que demonstram mais facilidade para agradar aos jurados. As rejeições o levam a questionar o próprio talento.
Para reafirmar seu amor pela música, Sharad escuta compulsivamente (em passeios de moto durante a madrugada) gravações clandestinas de uma misteriosa cantora/guru chamada Maai, que nunca permitiu gravações de suas apresentações. O guru de Sharad é o veterano Guruji (Arun Dravid), um cantor fabuloso, mas de idade avançada, que tenta guiar Sharad na busca pelo canto perfeito.
“O Discípulo” trata de questões importantes, como o papel da arte numa sociedade cada vez mais insípida e a mercantilização da música, mas o faz de maneira nada panfletária, por meio do personagem fascinante que é Sharad. Ele não é um Dom Quixote, um ludita fanático lutando contra a modernidade, mas um artista que realmente acredita no que faz.
Além de uma história comovente, “O Discípulo” tem sequências musicais deslumbrantes, com apresentações de canto clássico indiano. Voltamos o filme algumas vezes para rever certas sequências, especialmente as que mostram o veterano Guruji.
Difícil imaginar um programa cinematográfico melhor para o final de semana.
10 comentários em "Não perca “O Discípulo”"
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Mais uma ótima leitura, Barça, obrigado!
Permite mais uma sugestão? “As Bestas” (2022), suspense bem afiado e atual do Rodrigo Sorogoyen… não é uma obra-prima como o indiano, mas bateu forte por aqui…
Abração, meu caro!
Boa!
Boa dica. Gosto de filmes indianos mas parei aos 15′ do RRR. Você viu?
Parei no trailer.
Se eu tivesse visto o trailer teria ganho 15′.
Pensei em rever “Serpico”, mas acho que vou passar este na frente….
Quando sai a sua crítica de “Barbie”?
Nunca.
Hahahaha, nesse mesmo dia (nunca) vou ir assistir o filme.
André, vc chegou a assistir o documentário sobre o Caso Isabella Nardoni, dirigido pelo Sr. Casseta Cláudio Manoel?
Não sabia que era do Claudio, agora vou ver.