Estreou ontem nos cinemas brasileiros (e na plataforma MUBI em 21 de abril), um dos filmes mais bonitos dos últimos tempos: “Close”, dirigido pelo belga Lukas Dhont (de “Girl”).
O filme venceu o Grande Prêmio em Cannes e está indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, representando a Bélgica. Num ano particularmente forte para o cinema internacional, acho “Close” um dos três melhores títulos da disputa, junto ao irlandês “A Menina Silenciosa” e o polonês “Eo”.
Os personagens principais de “Close” são dois meninos de 13 anos que vivem no interior da Bélgica: Léo (Eden Dambrine) e Remi (Gustav De Waeele). Léo e Remi são inseparáveis: andam de bicicleta juntos, dormem na casa do outro, fazem tudo em dupla. A família de Léo trabalha com cultivo de flores, e os meninos passam longas tardes brincando nos campos coloridos.
A placidez da amizade dos dois começa a ruir quando o ano letivo inicia e eles vão para a mesma escola. Os colegas zombam da relação afetuosa dos dois, e Léo começa a se incomodar com as piadas e insinuações.
O tema “bullying na escola” já foi explorado incontáveis vezes no cinema, mas aqui é mostrado de forma muito sutil e sensível. Mais importante que expor as maldades ditas – quase sempre de forma inconsequente – por adolescentes, é mostrar como elas podem impactar a sensibilidade de alguns jovens. “Close” não é simplesmente um filme sobre bullying, mas um drama íntimo e dramático sobre dois meninos que são submetidos, pela primeira vez, ao “mundo real”, fora do casulo de tranquilidade e aceitação de suas casas.
O filme é lindamente fotografado, com predominâncias de lentes longas e closes nos rostos dos meninos. Mesmo em cenas filmadas em áreas extremamente bonitas, como os campos floridos da Bélgica, o fundo desfocado confere às imagens uma aura de mistério e sonho.
O diretor Lukas Dhont não apela ao sentimentalismo em nenhum momento. Até as cenas mais dramáticas são encenadas de forma elegante e minimalista. “Close” é o tipo de filme que seria completamente estragado num “remake” hollywoodiano, se é que vocês me entendem.
Enfim, “Close” é altamente recomendável. Para quem tem filhos adolescentes, então, é uma experiência marcante.
Um ótimo fim de semana a todas e todos!
8 comentários em "Não perca “Close”"
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Vou logo procurar no Cine Torrent pois, pra variar, não está em cartaz em nenhum cinema da minha cidade.
Assisti ontem, derreti de chorar.
Especialmente pra quem é pai.
Nossa, André… imperdível! Vou assistir com certeza!
Bom dia André
O. T._ Ví sua excelente entrevista no inteligência , fiquei sabendo alí do lançamento do Barulho.
Estou tentando fazer reserva no Apóia-se, o site não aceita nem meu e mail nem minha senha. que são os mesmos com que acesso seu blog. O e-mail que não aceitam é o mesmo em que se comunicam comigo….
Tentei resolver por alí , mas acaba sempre no mesmo bloqueio.
É possível fazer reserva fora do Apóia-se?
Obrigado
Cara, que chato isso. Não consigo fazer fora do sistema, pelo menos até o fechamento da campanha. Posso pedir um favor? Dá um toque no Suporte deles e vê se não resolvem? Se não rolar, avisa que damos um jeito. Obrigado.
Deu certo ¡!!
Que ótimo!