fev/2023

Michael Mann, 80

Por André Barcinski

Michael Mann, 80

Por André Barcinski

O cineasta norte-americano Michael Mann acaba de completar 80 anos. Considero Mann um dos mais talentosos diretores de cinema em atividade e, para homenageá-lo, escolhi meus cinco filmes prediletos dele. Aqui estão, em ordem cronológica:

Thief (Profissão Ladrão, 1981): Mann estreou com essa obra-prima do neo-noir. James Caan faz um ladrão de cofres que é traído por seus chefes e começa uma vingança sangrenta. Tuesday Weld faz a namorada e, numa incrível participação especial, Willie Nelson interpreta um amigo. A fotografia de Donald Thorin, cheia de reflexos de néons nas paisagens de Chicago, e a música gélida da banda eletrônica Tangerine Dream criam uma atmosfera lúdica e futurista. Saiu na caixa “Cinema Policial”, da Versátil.

Manhunter (Caçador de Assassinos, 1986): Cinco anos antes de “Silêncio dos Inocentes”, Mann lançou esse aterrorizante filme com o personagem Hannibal “Lecktor” (como era então chamado), interpretado, aqui, por Brian Cox (o patriarca de “Succession”). William Petersen faz um policial que investiga uma série de crimes bárbaros.

Heat (Fogo Contra Fogo, 1995): O que dizer desse filme? Certamente um dos grandes policiais da história do cinema, contrapõe uma gangue de assaltantes liderada por Robert De Niro com um premiado policial vivido por Al Pacino. Há tantas cenas memoráveis aqui que fica difícil escolher a melhor. Fico com o tiroteio nas ruas do centro de Los Angeles.  É o auge da carreira de Mann.

The Insider (O Informante, 1999): Só mesmo um diretor talentoso como Mann, capaz de gerar tensão e suspense nas cenas mais banais, poderia fazer um filme tão emocionante sobre… a indústria tabagista. Russell Crowe faz um ex-funcionário de uma fabricante de cigarros que é convencido por um repórter (Al Pacino) a contar segredos que podem derrubar megacorporações.

Colateral (2004): Confesso que escolher o quinto da lista foi difícil. Poderia ser “Ali”, “Inimigos Públicos” ou “Miami Vice”. Acabei optando por “Colateral”, um exercício de estilo sobre um assassino profissional (Tom Cruise) que passa um dia “trabalhando” em Los Angeles, sendo transportado por um humilde motorista de táxi (Jamie Foxx). Há duas cenas que revejo sempre: a primeira é um diálogo de Cruise com uma vítima, em que falam sobre jazz. A segunda é um tiroteio dentro de uma boate. O que Michael Mann faz aqui é assombroso.

Uma ótima semana a todas e todos.

26 comentários em "Michael Mann, 80"

  • Mann é incrível, adoro quase tudo que o cara fez, mas Colateral pra mim, foi muito fraco… Tom Cruise com aquela cara de indigestão pós-feijoada dele, e o Jamie Foxx sempre exagerado também não ajudou… Quero muito ver Thief, pois só pela sua sinopse, já fiquei curiosíssimo.

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    Carlos Thomaz Pl Albornoz

    Se eu fosse fazer essa lista tirava ‘The Insider’ e colocava ‘Miami Vice’, que eu considero um filme lindo … dá raiva saber que Mann está quase aposentado, sem dirigir nada pra cinema desde que aquele filme dele com o Thor foi um baita dum flop (o filme era até razoável mas longe de ser dos melhores dele) enquanto tantos picaretas dirigem o que querem e saem impunes de seus abacaxis… mas isso é a vida em Hollywood…

  • Ninguém filma cenas de tiroteio tão bem quanto o cara. E o som, então? Nada chega perto. Essa cena nas ruas de LA em “Heat” e a troca de tiros no final de “Miami Vice” são sensacionais.

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    Leonardo Delmutte De Andrade

    Assino embaixo, são ótimos filmes.Em colateral o Michael Mann arrancou do Tom Cruise uma de suas melhores atuações e a cidade de Los Angeles a noite é uma atração a parte.

  • barça, assisti “heat” num cinema em santa monica, LA, logo que saiu em dez/95. experiência inesquecível. tá no netflix e vou rever pela 4a ou 5a vez. meu preferido dele.

    em “thief” a cena inicial na chuva já vale o play. só falta “manhunt” dessa lista, vou atrás.

    abraçao!

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    Joao Gilberto Monteiro

    André, eu jurava que o Michael Mann era um representante da Nova Hollywood, até pela idade que ele acaba de completar!!!!
    E sobre sua lista, concordo 100%, é só filmaço, gosto de todos!!!!

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    Joao Arthur Donadon

    Vida longa a Michael Mann!
    Barcinski, chegou a fazer algum post sobre “Bardo” – (Iñárritu /Netflix) ? Assisti nesse fim de semana ( em partes… essa onda de filmes longas é foda..)… A primeira metade me parecia só um amontado de arroubos exibicionistas do diretor (ótimos, mas sem propósito), mas na segunda metade o filme me ganhou e vi numa toada, uma das coisas mais interessantes de assistir nos últimos tempos, dentro dessa moda de filmes de inspirações autobiográficas…

    Abs !

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        Joao Arthur Donadon

        Tb tive essa preguiça, ainda mais já conhecendo o exibicionismo do diretor.. A primeira hora de filme entrega isso mesmo, mas não é desinteressante… A 1h30 final é muito boa, poderia ter sido 80% do filme. Valeu por ver um filme de memórias um pouco fora do formato meio romântico… E o ator protagonista está muito bem…

        Abs !

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    Cleibsom Carlos Alves Cabral

    Para Mann o estilo se sobrepõe ao conteúdo, ou seja, o cara é um cineasta yuppie por natureza. Em alguns de seus filmes ele consegue ir além do seu estilo publicitário, engomado e perfumado e revela uma fagulha de talento, mas isso é exceção em sua carreira. Michael Mann é um Adrian Lyne que a crítica gosta.

    • Pelamor dos meus filhinhos, Cleibsom, para com isso. O cara faz Thief, Manhunter e Heat e você diz que ele é “engomado e perfumado”? Parece que não viu os filmes, não é possível. Mann é o exato OPOSTO de um cinema engomado.

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        Cleibsom Carlos Alves Cabral

        Barça, para mim os assassinos dos filmes do cara sempre parecem estar mais preocupados com o penteado ou estilo das roupas que irão vestir do que com os próprios assassinatos que irão cometer. Mas, sei lá, talvez seja uma birra minha.

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