out/2022

Manu Dibango: 50 anos de um clássico perdido do afrojazz

Por André Barcinski

Manu Dibango: 50 anos de um clássico perdido do afrojazz

Por André Barcinski

França, 1971. O saxofonista e vibrafonista camaronês Manu Dibango, então com 37 anos e já um nome importante do afrojazz, é chamado por uma produtora de conteúdo de TV para gravar trilhas para uso em cinema, TV e publicidade.

Em um estúdio em Paris, Dibango reúne sete músicos da orquestra que o acompanha no programa de TV que apresenta, chamado “Pulsations”, e dá a ordem: “Vamos improvisar”. Três dias depois, eles terminam 12 faixas, cada uma batizada com uma breve descrição do estilo da música: “Encontro de saxes”, “Flauta com Groove”, “Natureza”, e por aí vai.

Lançado em 1972 como uma amostra de sons que poderiam ser usados comercialmente, o disco, “African Voodoo”, acabou se tornando uma raridade. Redescoberto anos depois por colecionadores, virou um dos mais celebrados da carreira de Dibango, um exemplo de sua genialidade como compositor e improvisador.

Ouça a deslumbrante “Groovy Flute”, faixa que abre o disco:

Em “African Voodoo”, Manu Dibango abre a caixa de ferramentas e mostra todo seu ecletismo. A base é o afrojazz, claro, mas é possível ouvir música latina, pop, rock e blues. Tudo improvisado. “A ideia era que cada músico tocasse o que estivesse passando por sua cabeça”, disse Dibango a um entrevistador, em 2008. “Deixar fluir a criatividade e ampliar a imaginação”.

O sumiço de “African Voodoo” talvez possa ser explicado pelo estouro, no mesmo ano, 1972, da faixa “Soul Makossa”, que tornou Dibango um astro internacional do afrojazz. Dez anos depois, Michael Jackson surrupiou, na cara dura, o gancho “Ma ma-se, ma ma-sa, ma ma-kossa” para a música “Wanna Be Startin’ Somethin’”, do megahit “Thriller” (Dibango e Jacko acabaram se acertando fora dos tribunais).

Dibango morou desde os 15 anos de idade na França e foi um dos maiores embaixadores da música africana pelo mundo. Morreu de Covid, em 2020, aos 86 anos.

9 comentários em "Manu Dibango: 50 anos de um clássico perdido do afrojazz"

  • Ma ma-se, ma ma-sa, mama ma-kossa!
    Esse é gênio de verdade.
    Tem nas plataformas streaming (eu ouço no Deezer) uma coletânea da FANIA All Stars, aquela famosa gravadora de Puerto Rico onde o Dibango está presente acompanhado de vários outros gigantes da world e latin music.

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    Joao Gilberto Monteiro

    André, o texto sobre o Manu Dibango e o afrojazz é muito interessante, mas se me permite, farei um OT:
    O que você achou da choradeira das filhas do Silvio Santos a respeito de como o pai delas é tratado no seriado “O rei da TV”?
    É uma reclamação esperada e genuína ou pode funcionar como um marketing pra série?

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      Andre Barcinski

      Cara, achei normal. O Silvio sempre foi o autor da própria biografia. Todas as histórias sobre ele nasceram de uma autobiografia que ele literalmente ditou prum funcionário, o Arlindo Silva, ou seja, nunca o Silvio foi confrontado com versões diferentes das que ele jogou no mundo. Eu, pessoalmente, sou grande fã dele, acho o personagem mais fascinante da TV brasileira, um gênio da comunicação. Mas ninguém é perfeito, concorda? Ninguém está na TV há mais de 60 anos sendo bonzinho.

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        Andre Luiz Antunes De Oliveira

        Estamos assistindo a série e gostando demais. Sinceramente vejo como uma bela homenagem ao SS, mas sem ser chapa branca. Como empresário o cara é um tubarão e isso não é um adjetivo ruim.

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    Andre Luiz Antunes De Oliveira

    Que demais esse som “Groovy Flute”. Posso estar falando besteira, mas me remeteu a uma presença de algo parecido com nosso chorinho. em algumas passagens. Abração

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      Andre Barcinski

      Não tenho estômago. Tenho uma parente que perdeu o marido, negacionista, pra Covid, deixando um filho de 14 anos órfão do pai. Domingo ela vai votar no cara que ajudou a matar o marido.

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