Ingrid Bergman trocou Hollywood por uma paixão
A plataforma de streaming MUBI exibe “Eu Sou Ingrid Bergman” (2015), documentário de Stig Björkmann sobre a vida e carreira da atriz sueca Ingrid Bergman (1915-1982).
Além de um documento importante sobre a chamada “Era de Ouro” de Hollywood nos anos 1940, período em que Ingrid fez imenso sucesso em filmes como “Casablanca” (Michael Curtiz, 1941), ganhou seu primeiro – de três – Oscar por “À Meia-Luz” (George Cukor, 1944) e trabalhou em três filmes com Alfred Hitchcock (“Quando Fala o Coração”, “Interlúdio” e “Sob o Signo de Capricórnio”), o documentário conta em detalhes a conturbada e polêmica vida pessoal da atriz.
Destaque do cinema sueco na década de 1930, Ingrid chega a Hollywood na virada para os anos 1940 e se estabelece como uma das atrizes mais famosas de sua geração. Casada com um matemático, Petter Lindström, tem uma filha com ele, Pia, e leva uma vida de estrela hollywoodiana, frequentando festas dadas pelo produtor David O. Selznick que reuniam a nata dos astros do cinema, como Clark Gable e Humphrey Bogart.
Mas Ingrid logo se cansa da mesmice opulenta de Hollywood. Em 1945, assiste a “Roma, Cidade Aberta”, clássico neorrealista dirigido pelo italiano Roberto Rosselini, e fica impressionada com a beleza crua do filme. No ano seguinte, vê outro filme de Rosselini, “Paisà”, e escreve ao cineasta: “Seus filmes me tocaram muito. Se estiver precisando de uma atriz, estou à disposição. Mas, em italiano, só sei falar ‘Ti Amo’”.
Ingrid vai à Europa em 1949, conhece Rossellini, e os dois se apaixonam. Filmam “Stromboli” (1950) e a atriz resolve abandonar a família e Hollywood e se muda para a Itália. A decisão causa um escândalo internacional: Ingrid é banida de programas de TV nos Estados Unidos, massacrada pela mídia e até denunciada no Senado norte-americano como “corruptora da instituição do matrimônio”. Com Rosselini, tem três filhos: Roberto Jr. e as gêmeas Isotta e Isabella (esta, a grande atriz de filmes como “Veludo Azul”, de David Lynch).
O maior mérito do documentário é a quantidade inacreditável de grandes cenas de arquivo. O pai de Ingrid, Justus, amava fotografia e desde cedo passou a registrar o cotidiano da família, tanto em fotos quanto em filmes caseiros. Há uma imagem em movimento de Ingrid e a mãe, Frieda, filmada em 1917, quando Ingrid tinha apenas dois anos de idade (e um ano antes da morte da mãe).
Ingrid herdou do pai o gosto por registros familiares e nunca parou de filmar e fotografar os filhos, os amantes e os bastidores de suas casas e filmagens. Também deixou incontáveis diários que revelam segredos de sua vida íntima. As imagens familiares são complementadas por um material riquíssimo de cenas de arquivo, mostrando Ingrid filmando na Suécia, atuando ao lado de astros como Cary Grant e Humphrey Bogart e em momentos de descontração com cineastas como Victor Fleming (com quem teve um breve romance), Alfred Hitchcock e Ingmar Bergman.
Para qualquer documentarista, assistir a “Eu Sou Ingrid Bergman” é motivo de inveja. Poucas vezes vi tantas cenas de arquivo maravilhosas reunidas num único filme.
6 comentários em "Ingrid Bergman trocou Hollywood por uma paixão"
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Esse documentário é sensacional. Dos filmes dela, osque mais amo são o Sonata de Outono e Sob o signo de Capricórnio, talvez as maiores atuações dela no cinema. E falando em Mubi, imperdível a mostra Jacques Tati com cópias restauradas.
Tenho os filmes do Tati, são poucos e especiais.
Barça, off Topic: num texto seu já antigo, em que você escalava a sua seleção de cineastas italianos de todos os tempos (e deixava o Fellini na gandula kkk) te faço a seguinte pergunta: Março Ferreri disputaria vaga na reserva com Lina Wertmuller ?
Será? Tem o Bolognini, Steno…
Eu vi esse doc no cinema, muito bom mesmo. A coragem da Ingrid é de inspirar as mulheres. Gosto muito dela.
Muito inspiradora.