Tenho uma relação peculiar com a banda Rush: não consigo ouvir uma música inteira, mas gosto demais dos integrantes. Li “Ghost Rider”, livro de Neil Peart em que ele narra a viagem de moto que fez para exorcizar as trágicas mortes da esposa e da filha, vi o doc “Beyond the Lighted Stage”, que conta a história da banda, e agora assisti, de uma tacada, aos quatro episódios de “Geddy Lee: Baixistas são Humanos Também?”, atração do canal Paramount+.
São episódios curtos – 20 minutos cada – em que Lee visita as casas e conversa com quatro baixistas importantes: Les Claypool (Primus), Robert Trujillo (Metallica), Melissa Auf Der Maur (Hole e Smashing Pumpkins) e Krist Novoselic (Nirvana).O tom é de um encontro de amigos: cada um leva Geddy para conhecer sua respectiva região e conhecer seus passatempos.
O episódio mais divertido é o primeiro: Les Claypool mora num rancho imenso em Sonoma, ao norte de São Francisco, e é uma figuraça: tem uma vinícola, fabrica linguiças artesanais e patrocina um luthier que faz todos os baixos que Claypool usa. Para completar, é maluco por pesca e leva Lee para jogar os anzóis num lago.
Na cena mais emocionante do episódio, Claypool leva Lee para provar vinhos em sua vinícola, onde Lee vê, escrita numa parede, uma eulogia a Neil Peart. “Acho que vou chorar”, diz Geddy Lee.
O baixista depois viaja para as cercanias de Los Angeles, onde encontra Robert Trujillo e conhece sua curiosa mansão de estilho espanhol, antes de dar uma banda por Venice Beach e descobrir sobre a adolescência de Robert, passada em meio a skatistas e punks, e que culminou na entrada dele no grupo Suicidal Tendencies.
O episódio mais melancólico é com Melissa Auf Der Maur, que conta a Lee que largou a música há cerca de dez anos para se dedicar a criar a família numa pacata cidadezinha no norte de Nova York. Dá para ver na cara que ela sente muitas saudades da vida na música. Ela diz, ao fim do episódio, que o papo com Lee o incentivou a retomar a carreira. Tomara.
O quarto episódio é o mais estranho, e por culpa de Krist Novoselic, um maluco-beleza que passa os dias cuidando de cabras, montando compotas de alimentos, tocando acordeom e fazendo cursos de política ambiental. E espere até conhecer a esposa de Krist, Darbury, artista plástica e estilista, que costura todas as roupas do casal.
Um ótimo dia a todas e todos.
28 comentários em "Geddy Lee fala baixo"
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Barcinski, saiu recentemente a auto biografia do Geddy Lee, embora eu goste da banda (e você não curta muito), acredito que você gostará porque Geddy é um cara com humor fino e guarda (muito) rancor de determinadas pessoas no livro, desde Bill Graham, Ray Danniels (empresário da banda), Aerosmith, John Rutsey (primeiro baterista da banda), Steve Lillywhite (que produziu U2, entre outros), além de contar sobre os percalços que sua família sofreu durante a segunda guerra mundial para sobreviver (para mim uma das partes mais emocionantes do livro). Forte abraço.
Olá, Barça. Sou Tânios Acácio criador do @portalrushbrasil, e te garanto que não viemos aqui defender nossa honra ferida. Na verdade, me diverte saber que você ultrajou nosso power-trio querido, já que pessoalmente sou um simpatizante dessa faceta do humor.
Cometi o galante impropério de não consumir seu conteúdo pelos últimos anos, sendo o ponto de redenção as quase 4 horas da sua conversa no podcast do Vilela. Tenho dificuldades intrínsecas de puxar o saco alheio, mas aqui vai, parabéns pelo seu trabalho. Já sei que após assinar por aqui, sairei mais culto e rico.
Valeu demais!
Fiquei surpreso em saber que o Barcinski não consegue ouvir uma música inteira do Rush, sendo esta banda uma referência a centenas de outras bandas. Surpreso também pelo conhecimento dele sobre centenas de bandas e não ser fã do Rush. Enfim, literalmente cada um tem um gosto.
Sim, cada um tem um gosto, até pelo Rush. Abraço!
O livro do Neil Peart é incrível! Fiquei curioso, vou ver. Curto o Primus e, especialmente, o Les Claypool. Abraço!
Que figura o Claypool.
Cara, para mim é estranho ver você elogiar qualquer coisa relacionada ao RUSH…Me lembro muito bem que a banda era uma das vítimas preferidas do GARAGEM e dia sim e outro também era esculachada com um nível de crueldade, na época pretensamente engraçado, para mim incompreensível, ainda mais diante dos elogios efusivos que coisas mais ou menos como GUIDED BY VOICES, BUFFALO TOM, MUDHONEY, PAVEMENT e tantas outras, tão nerds quanto a banda canadense, recebiam da bancada. Mas o mundo gira e aqui estamos!
“Nível de crueldade” do Garagem? É sério isso? Você levava a sério as piadas do programa? Ficava ofendido quando alguém zoava uma banda que vc gosta? Eu, hein.
Mas eu não sou chegado ao Rush, Barça, só não achava graça nenhuma nas piadas! A situação é muito semelhante às piadas antigas de mulheres, negros e gays. Hoje ninguém as acha engraçadas, mas no passado todos riam delas…Atualmente piadas como essas constrangem e muito apenas quem as está contando! Por que será? O RUSH era tratado a chutes e pontapés no programa, assim como diversos outros artistas, principalmente os nacionais, ou seja, digamos que vocês eram “proto-haters”. Não imagino algo parecido hoje no ABFP e acho que isso quer dizer alguma coisa…
Sim, claro, zoar o Rush é IGUALZINHO a fazer piadas racistas e homofóbicas.
Igualzinho? Não foi bem isso que eu disse…Mas deixa pra lá. Para ficarmos no RUSH: você imagina o ABFP esculachando a banda com as mesmas piadas hoje? Se eram apenas “piadas” inofensivas, e não “proto-haters” em (gest)ação, creio que não haveria problemas. Ou haveria? É isso que gostaria de saber de ti, se possível, por favor…
Foi EXATAMENTE o que você disse: “A situação é muito semelhante às piadas antigas de mulheres, negros e gays”. Abraço, Cleibsom.
Outro abraço para você, Barça! Lamento apenas você ter se prendido à uma questão semântica e não ter respondido a minha dúvida genuína. Tudo de bom!!!
Não tem nada de “questão semântica”, releia o que vc escreveu. Acho que existe diferença entre zoar bandas e ser racista ou homofóbico.
André, eu gosto de algumas músicas do Rush (nem todas), mas também gosto mais dos integrantes, que não tem cara e nem pose de astros do rock, pelo contrário, os caras são bem feiosos e eu mesmo demorei para gostar da banda por conta da voz do Geddy Lee…
Vou dar uma olhada no doc, deve ser bem divertido mesmo, obrigado por mais essa indicação!!!!
É divertido sim, vale a pena.
Sinto o mesmo peleo Rush e seus integrantes. Cara, eu era apaixonado pela Melissa Auf Der Maur… talvez ainda seja.
Imperdível, vou ver o quanto antes.
Sempre a achei demais.
Obrigado pela dica, mestre Barça
Vou começar a assistir hoje mesmo. Gosto muito da Melissa Auf Der Maur e acho o seu primeiro disco solo extremamente fantástico, espero mesmo que ela volte para música.
Nunca ouvi ela solo, obrigado pela dica.
Que dica legal, vou assistir. Recentemente até saiu uma biografia do Geddy Lee pela Editora Belas Letras.
Tô ligado. Vale a leitura?
Não li todo porque minha cópia ainda não chegou, mas a Belas Letras soltou o primeiro capítulo e eu fiquei interessado. Vou deixar o link aqui caso você ou algum dos colegas queiram ler: https://issuu.com/edbelasletrasofc/docs/miolo_geddy_lee_1
Boa!
Krist Novoselic tocando Fly By Nigth no acordeom foi uma das coisas mais engraçadas que já vi. Muito obrigado pela dica.
Compartilho do mesmo sentimento Xará. Os caras são excelentes músicos, mas o som não me agrada. Já esse documentário deu vontade de assistir. Mais uma excelente recomendação. Abração
É mais um programa de TV do que um doc. Mas diverte.