Galaxie 500: onde o sonho começou
Ouvimos muita música em casa com os filhos, e nossa adolescente sempre chega com A MAIOR BANDA DO MUNDO QUE VOCÊS PRECISAM OUVIR! Isso geralmente dura uma semana, quando a banda em questão é substituída por outra igualmente genial e imperdível (veja aqui uma lista que ela fez, em 2021, de alguns artistas preferidos).
Esses dias, estávamos ouvindo uma seleção dela, e fiquei impressionado em como a grande maioria das bandas resgatava sonoridades dos anos 80 e 90. Algumas emulavam The Cure, outras, The Smiths. O grupo Cigarettes After Sex, um dos prediletos da casa, é 100% Slowdive.
Agora, um dos estilos prevalentes, pelo menos nas preferências de nossa filha, é o dream pop, esse subgênero do rock surgido no início dos anos 80 com bandas como Cocteau Twins, e que se caracteriza por uma sonoridade lúdica e atmosférica, com camadas de teclados que criam um clima onírico e vocais sussurrados e cheios de reverb.
Ouvindo dois nomes que ela adora – Mitski e Men I Trust – imediatamente me veio à cabeça a música de uma banda que durou muito pouco, não vendeu quase nada e hoje raramente é lembrada: Galaxie 500.
O Galaxie 500 foi formado – ainda sem esse nome – em Nova York por três amigos de escola: Dean Wareham (vocais e guitarra), Naomi Yang (baixo e vocais) e Damon Krukowski (bateria). A banda começou de verdade quando os três estudavam em Harvard, em Massachusetts, em 1986 ou 87. Eles criaram um som que era novidade na época: guitarras em drone à Velvet Underground, mas com vocais em falsete e uma produção atmosférica. O resultado era uma música viajante e etérea, que conversava, embora com sonoridade diferente (e bem menos barulhenta), com bandas britânicas como The Jesus and Mary Chain e My Bloody Valentine, que experimentavam, à época, com elementos semelhantes.
Veja o Galaxie 500 em 1989 tocando “Tugboat”, seu primeiro single:
O Galaxie 500 teve uma vida breve: lançou três LPs extraordinários – “Today” (1988), “On Fire” (1989) e “This is Our Music” (1990) e terminou em 1991, quando se dividiu em duas turmas: Dean Wareham formou o Luna, e o casal Damon e Naomi formou o Magic Hour e, depois, o duo Damon & Naomi. Para quem se interessa pela música do Galaxie 500, há no Youtube, dividido em algumas partes, a íntegra do DVD “Don’t Let Our Youth Go To Waste”, que traz trechos de shows e clipes da banda:
Não tive a sorte de ver o Galaxie 500 ao vivo, mas vi tanto o Luna quanto Damon & Naomi. Os dois, separadamente, foram ao programa de rádio “Garagem”, que eu apresentava, e tocaram ao vivo na rádio. Dean Wareham fez diversas turnês com o Luna tocando o repertório do Galaxie 500, e esses shows foram inesquecíveis.
Uma ótima semana a todas e todos.
12 comentários em "Galaxie 500: onde o sonho começou"
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Sem exagero, lembro exatamente da primeira vez que ouvi essa banda. Era uma madrugada de 2012, época em que eu não estudava e nem trabalhava, estava navegando pela internet e descobri esses caras com “When Will You Come Home”. A música me pegou de primeira, com o andamento lento e a voz meio preguiçosa, mas foi na parte final, quando rola um solo completamente improvisado, cheio de feedbacks, que pirei. Custei a dormir depois disso, porque não parava de pensar na música. Uma das grandes joias do rock alternativo, sem sombra de dúvidas.
Taí, nunca parei pra ouvir o Galaxie – mas acho o ao vivo do Luna simplesmente sensacional. Ainda estão na ativa? Vou corrigir esse erro e escutar o 500.
André, interessante os caminhos sonoros que seus filhos trilham, bem diferente do que os adolescentes da idade principalmente da Nina ouvem, que é o funk-sertanojo-arrocha-último hit do Tik Tok, e tudo isso misturado…
Parabéns à ela e que sorte de vocês e seus ouvidos hehehe
Don’t Let Our Youth Go To Waste é um cover do Jonathan Richman e a versão do Galaxie 500 deve ser uma das músicas que mais ouvi na vida.
Eles amam Jonathan Richman.
Que banda legal, eu não conhecia. A Nina gostou?
Adorou. Ela tem 15 anos, tá bem nessa praia de música tristonha.
Nina tem bom gosto, sou fã dela.
Cara, e quem roubou a camisa que vc me deu foi o Noel, usa direto, nem a vejo mais, ele já levou.
Pelas barbas do profeta!!!!!!!!!!!! Acredita que no dia eu pensei em mandar uma pra ele, mas fiquei com receio dele não gostar? Vou corrigir esse erro hoje.
Hahahahahaha, não precisa, Moacir, sério mesmo. Ele usa direto, ama a camisa!
Precisa sim, agora teu filho é boliviano hahahahahaha.