Filme explora o som revolucionário do “Krautrock”
Sou muito fã dos documentários musicais da BBC. Eles não inventam: são filmes de estrutura simples, mas eficientes, com uma pesquisa primorosa, ótimas entrevistas e cenas de arquivo impressionantes.
Perdi a conta de quantos docs musicais da BBC já vi: de The Fall à história dos sintetizadores no pop britânico, de Marc Bolan a Tupac Shakur, de ABBA à vida de George Martin. Os caras têm de tudo.
Um dos filmes musicais mais legais da BBC está disponível no Youtube e, acredite, legendado em português: “Krautrock – The Rebirth of Germany”. Dirigido por Ben Whalley, que produziu para a BBC séries documentais sobre punk, discoteca e até o compositor Rachmaninoff, o filme conta a improvável história de um grupo de malucos que, num país sem grande tradição pop, a Alemanha, criou um gênero musical que influenciou de David Bowie a Daft Punk, passando por Iggy Pop, Tame Impala e todo o rock psicodélico atual de The Brian Jonestown Massacre, Black Angels e outros.
No fim da década de 1960, bandas como Can, Neu!, Faust, Kraftwerk, Tangerine Dream, Popol Vuh, Harmonia, Cluster, Ash Ra Tempel e outras fundiram rock, progressivo e música de vanguarda e inventaram um som novo e experimental, marcado por ritmos repetitivos e sons mântricos e hipnóticos.
As bandas eram muito diferentes: o Kraftwerk fazia uma música eletrônica minimalista e dançante, enquanto o Ash Ra Tempel e Can curtiam longas jams de improviso com guitarras distorcidas e o Tangerine Dream fazia um som “ambient” eletrônico. Para agrupar todos esses grupos contemporâneos, a imprensa musical inglesa e norte-americana criou um termo pejorativo: “Krautrock” (“kraut” vem de “sauerkraut”, ou “chucrute”, termo ofensivo para se referir a alemães). O nome colou.
A história por trás das bandas é fascinante: todas nasceram sob os escombros do nazismo e queriam se libertar do passado, criando uma música nova e que rompesse com as tradições musicais germânicas.
O filme traz entrevistas com integrantes das bandas mais importantes, além de depoimentos de artistas que foram influenciados por elas, como Iggy Pop (“The Idiot”, disco fundamental na carreira de Iggy, é claramente inspirado pelos sons de Can, Neu! e Kraftwerk). E as cenas de arquivo são, como sempre, de cair o queixo.
Aqui vai o filme, na íntegra. Nas configurações, é possível escolher o idioma das legendas. Espero que gostem:
Um ótimo dia a todas e todos.
8 comentários em "Filme explora o som revolucionário do “Krautrock”"
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Documentário maravilhoso! O grau de experimentalismo e criatividade dessa turma toda é impressionante. Muito obrigado pela dica.
Legal que gostou!
DOC impactante, eu não sabia que o Krautrock carregava todo esta barra pesado do pós 2 Guerra Mundial. Curti um monte. Valeu Barça.
Perfeito Johnny.
Vou deixar pra ver amanhã à noite, bebendo uma cervejinha…
Viu a versão de Hallogallo lançada hoje pelo Stephen Morris?
https://open.spotify.com/track/6yAemS7taDzFODrMhZ9vSr?si=96e3a903a9d3495d
Que coincidência, não sabia da caixa do Neu!.
André, a Alemanha dos tempos de divisão, era ao mesmo tempo, um ótimo ou um lugar muito difícil de se viver, com o Muro de Berlim, Baader-Meinhof, nazistas sobreviventes da 2ª Guerra ainda infiltrados nos círculos de poder, feridas e ressentimentos dos temos do 3º Reich e da queda de Hitler, etc e etc…
A música feita por lá naquela época refletiu esses tempos malucos por lá, e na verdade, esse Krautrock é um rótulo, do mesmo modo que o BRock dos anos 1980: Coloca vários grupos que, muitas vezes, só tem em comum, terem surgido na mesma época sob um mesmo guarda-chuva…