abr/2022

Feliz 100, Nosferatu!

Por André Barcinski

Feliz 100, Nosferatu!

Por André Barcinski

Um dos maiores clássicos do cinema acaba de completar cem anos: “Nosferatu”, de F.W. Murnau.

Revimos em família pela enésima vez, e as imagens continuam assombrosas. O filme está em domínio público e pode ser visto no Youtube e em diversos serviços de streaming: Telecine, Belas Artes à La Carte, Looke e Net Movies.

Lançado em março de 1922, “Nosferatu” é não apenas um dos grandes títulos do cinema Expressionista alemão dos anos 1920 e 1930, mas um dos filmes mais aterrorizantes já feitos. Se hoje é considerado um clássico, na época, poucos ligaram: foi um fracasso de bilheteria e não recuperou seu modesto orçamento.  

Erguido no séc. 13, o Castelo de Orava, na Eslováquia, foi cenário de “Nosferatu”

O que muita gente não sabe é que, por muito pouco, essa obra-prima não foi destruída.

“Nosferatu” não foi o primeiro filme de terror da história do cinema – a marca provavelmente é de “A Casa do Diabo”, filmado por Georges Méliès em 1896 e encontrado, depois de décadas considerado perdido, num arquivo de filmes na Nova Zelândia, em 1988 – mas é o primeiro filme inspirado no romance “Drácula”, de Bram Stoker, lançado em 1897.

“Nosferatu” é bem diferente de “Drácula”: personagens foram mudados, subtraídos ou adicionados. Sem querer dar “spoiler”, mas até o final é diferente. Isso não impediu a viúva de Stoker, Florence, de processar a produtora do filme, uma empresa furreca chamada Prana (que havia falido logo após o fiasco comercial do filme), e ganhar na Justiça o direito de destruir todas as cópias.

Felizmente, Florence não conseguiu seu objetivo. Morreu em 1937, deixando algumas cópias do filme nas mãos de distribuidores e exibidores. Foi isso que salvou “Nosferatu” do desaparecimento.

Hoje, no aniversário de cem anos de “Nosferatu”, vale também homenagear um nome esquecido do filme, e que teve tanta importância no resultado final quanto o diretor, F.W. Murnau: Albin Grau (1884-1971).

Como escreveu Brent Reid, um dos grandes especialistas em cinema mudo e criador de um dos sites mais legais sobre o assunto (veja aqui o especial que ele fez sobre o centenário de “Nosferatu”): “Embora ignorado em favor de Murnau, o verdadeiro responsável pela criação do filme foi o coprodutor e designer de produção Albin Grau. Ele foi um dos fundadores da produtora Prana, iniciou o projeto e selecionou todos os profissionais da parte criativa, incluindo o próprio Murnau, além de contratar o amigo cineasta e ocultista Henrik Galeen (1881-1949) para escrever o roteiro (…) além de um talentoso artista e arquiteto, Grau foi um ocultista fervoroso e responsável pelo visual de todo o projeto. Ele desenhou os sets e figurinos, além de fazer os cartazes, storyboards e material de divulgação. Ele até escreveu a carta, repleta de símbolos ocultos, vista no filme, além dos intertítulos originais. Embora o filme seja sempre associado a Murnau, sem dúvida foi Grau que mais o influenciou”.

Um ótimo dia a todas e todos.

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