nov/2024

Entrevista: Roger Taylor (Duran Duran)

Por André Barcinski

Entrevista: Roger Taylor (Duran Duran)

Por André Barcinski

O Duran Duran nasceu na Inglaterra e tem quase 50 anos de história, mas foi só recentemente que a banda passou a se interessar por uma festa tipicamente norte-americana: o Halloween, ou Dia das Bruxas. “Nem eu e nem os outros caras da banda cresceram celebrando Halloween”, diz o baterista Roger Taylor com exclusividade à “Folha”, “Mas tenho que dizer que, nos últimos anos, percebemos que a celebração tem muito a ver com o Duran Duran: nós gostamos de nos vestir de modo peculiar e temos explorado cada vez mais o lado sombrio e misterioso de nossa música”.

Em outubro de 2023, o Duran Duran lançou “Danse Macabre”, um disco bastante peculiar que celebrava o Halloween misturando novas versões de hits do próprio grupo a “covers” de músicas de temas macabros de outros artistas, como “Bury a Friend”, de Billie Eilish, “Psycho Killer”, do Talking Heads (com participação de Victoria De Angelis, da banda Maneskin), “Paint It Black”, dos Rolling Stones, e “Ghost Town”, dos Specials.

Roger Taylor diz que a ideia de gravar essas versões surgiu espontaneamente: “Estávamos sobrevoando a América num pequeno avião durante uma turnê, jogando conversa fora, quando tivemos a ideia de fazer um disco de covers para tocar num show de Halloween. Nick (Rhodes, tecladista) literalmente pegou um papel, pediu uma caneta à aeromoça, e fizemos a lista de covers ali, na hora”. A banda fez um show no Halloween de 2023 em Las Vegas e o resultado foi tão bom que a experiência foi ampliada em 2024 para um grande show no Madison Square Garden, em Nova York, ocorrido em 31 de outubro. “Foi uma noite sensacional”, diz Roger Taylor. “O público todo fantasiado, animado, dançando e adorando as músicas novas. Nossa versão da Billie Eilish recebeu uma ovação!”

Exatamente um ano depois do lançamento de “Danse Macabre”, o Duran Duran lança a versão “deluxe” do álbum, que traz, além do repertório original, uma nova faixa instrumental chamada “Masque of the Pink Death”, uma versão moderna para um hit da banda de 1984, “New Moon On Monday”, intitulada “New Moon (Dark Phase)”, e um cover de “Evil Woman”, famosa canção de 1975 da Electric Light Orchestra (ELO). “Evil Woman” ganhou um remix dançante feito pelo produtor e DJ brasileiro Bruno Martini. “Nosso agente nos falou de Bruno”, diz Roger Taylor. “Ele disse que Bruno era um nome que estava despontando no cenário da música eletrônica e estava interessado em remixar ‘Evil Woman’. Quando ouvimos o remix dele, a banda inteira amou, foi unanimidade”.

Taylor diz que a conexão com a Electric Light Orchestra vem de longe. “Eles são de Birmingham, como nós, e Jeff (Lynne, líder do ELO) era meu vizinho, morava a dez casas da minha. O Duran Duran surgiu em 1978, em meio a uma efervescente cena de música local que misturava punk, pós-punk, música eletrônica e até heavy metal. “Dois monstros do heavy metal são de Birmingham, o Black Sabbath e Judas Priest”, diz Taylor, “Nós crescemos ouvindo e admirando todas essas bandas. Havia também uma imensa comunidade jamaicana em Birmingham, e nós fomos expostos a grandes bandas de reggae, dub e ska, como UB40, Steel Pulse e The Beat”.

Em 1980, o Duran Duran era a banda residente e ensaiava numa famosa casa noturna da cidade, a Rum Runner. “Era um local em que tocava de tudo”, diz Roger Taylor. “Às segundas, havia uma noite de discoteca e house music, às terças, música eletrônica tipo Kraftwerk, em outra noite ouvíamos Bowie, Roxy Music, T-Rex e toda aquela turma do glam rock. Foi essa mistura que deu origem ao som do Duran Duran”.

Taylor se diz sortudo por ter vivido o período do fim dos anos 1970 na Inglaterra. “Acho que nunca houve uma fase como aquela para a música. Estava tudo acontecendo ao mesmo tempo: o punk, o pós-punk, David Bowie fazendo discos fantásticos, a música eletrônica em uma fase gloriosa, a gente vivia rodeado de grande música. Para mim, o punk estava morto em 1978, porque eu imediatamente comecei a ouvir Joy Division e coisas mais eletrônicas como Gary Numan e Human League”. Roger Taylor faz questão de elogiar o público brasileiro que, segundo ele, tem uma conexão especial com o Duran Duran. “Não sei o que acontece no Brasil e Argentina, mas acho que temos algo muito particular com os latinos, e isso não ocorre tanto na Alemanha e França, por exemplo. Sempre fizemos música dançante, mas também sempre fomos uma banda, com bateria, baixo, teclados, um grupo que faz tudo de forma orgânica, nunca quisemos ser uma banda puramente eletrônica e fria. Acho que o público latino se identifica com esse lado mais festivo e humano do Duran Duran, e isso nos emociona muito”.

Uma ótima semana a todas e todos!

11 comentários em "Entrevista: Roger Taylor (Duran Duran)"

  • Não entendi por que associam fortemente os caras do Duran Duran como pegadores de garotas. O cantor Simon já era inclusive casado quando se integrou ao grupo. O que foi feito na época foi criar um estilo próprio à banda passando pelo visual, meio que ligado aos nomões da moda e os integrantes levaram de boa – os videoclipes eram muito sensualizados e claro que as mulheres fazem parte do contexto.. Se provaram excelentes músicos . Hoje mesmo cinquentões seguem criando bons sons, sem parecerem retrógrados.

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    Cleibsom Carlos Alves Cabral

    Para uma banda que foi criada apenas para que seus integrantes pegassem supermodelos e atrizes em início de carreira e que tinha a música como algo secundário, até que o Duran Duran é legal. A banda e seus integrantes, com exceção de John Taylor, que ainda parece pensar que é o mesmo galã de 3 décadas e meia atrás, envelheceram bem e merecem pelo menos respeito.

    • Sim, claro, a banda tocava numa espelunca em Birmingham em 1978 e 79 pra PEGAR SUPERMODELOS. Havia praticamente um harém de SUPERMODELOS no Rum Runner, onde a banda tocava. Que tal ler a autobiografia do John Taylor antes de escrever uma coisa dessas?

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        Cleibsom Carlos Alves Cabral

        Uma coisa não elimina a outra, Barça! Os manos do Duran Duran podiam tocar nos muquifos que fossem no início de carreira, mas no que os caras pensavam mesmo era na penca de mulheres à disposição que teriam com a chegada do sucesso e “só” depois disso que vinha a preocupação com a música. Tenho certeza absoluto de que na escala de importância dos caras primeiro vinha a preocupação com o estilo do cabelo e o caimento do terno e em segundo a afinação dos instrumentos. Mas, independente disso, o Duran Duran é uma boa banda e isso, pelo menos para mim, não a diminui em nada…

        • “Para uma banda que foi criada apenas para que seus integrantes pegassem supermodelos…”

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    Joao Gilberto Monteiro

    André, o Duran Duran está sendo como o vinho: Quanto mais envelhecem, melhor tocam, os shows ao vivo estão muito bons e os álbuns mais recentes também!!!!
    Já eram espetaculares no auge da carreira e agora continuam!!!!

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    Manuel Goncalves

    Duran Duran sempre foi uma das minhas bandas prediletas. Foram quase que pioneiros em investir pesado em video clips, que eram sempre bem feitos, muitos em locações fora da Europa. Grande banda.

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