Entrevista: Noodles (The Offspring)
O nome que aparece na ligação por Zoom é “Kevin Wasserman”. “Pelo amor de Deus, não me chame de Kevin! Só duas pessoas me chamam de Kevin: minha mulher, quando está muito zangada, e a polícia”, diz o sujeito mais conhecido por Noodles, 61 anos, guitarrista do The Offspring. A banda punk-pop, que surgiu há exatos 40 anos na Califórnia, Estados Unidos, chega ao Brasil para um show único no festival Lollapalooza, sexta-feira, dia 22 de março, às 19h05, em noite cuja atração principal é um contemporâneo da banda de Noodles: o grupo Blink-182.
The Offspring volta ao Brasil apenas dois anos depois de um elogiado show no Rock in Rio. O grupo já fez cerca de 30 apresentações no país desde a primeira turnê por aqui, em 1997. “Temos alguma conexão especial com o público brasileiro, é algo inexplicável”, diz Noodles, “o Dexter (Holland, vocalista do The Offspring) diz que nossas canções, apesar de serem punk, têm um groove, e isso atrai o público latino. Acho que ele está certo”.
Essa forte ligação com o público brasileiro rendeu uma música em homenagem aos fãs locais, que estará no próximo disco do The Offspring, com previsão de lançamento para o primeiro semestre de 2024. “Não quero falar muito para não estragar a surpresa, mas posso adiantar que é uma canção sobre nossos fãs brasileiros”, diz Noodles, “Tivemos o cuidado de mostrar a letra para alguns fãs daí, para que eles nos dissessem se havia algum erro na letra”. Será uma canção em português?
O novo disco terá produção do veterano Bob Rock, um ás de estúdio cuja principal qualidade é fazer discos pesados, mas comercialmente acessíveis, como o “Black Album” do Metallica (1991) e “Dr. Feelgood”, do Motley Crüe (1989). Rock já produziu diversos álbuns para o Offspring, começando com “Rise and Fall, Rage and Grace” (2008). “Adoramos trabalhar com Bob”, diz Noodles, “Ele já nos conhece bem e sabe como tirar o melhor de nós. É um cara exigente, que vive nos empurrando para fazermos sempre o melhor. Às vezes, gravamos um refrão e ficamos contentes com ele, mas Bob chega e diz: ‘ Vocês têm certeza? E se fizéssemos de outra maneira? Vamos tentar?’ Isso é muito bom para nós”.
Sobre o show no Lollapalooza, Noodles diz que há uma chance de a banda apresentar algumas músicas do novo disco, mas que a maioria do repertório será mesmo composta por sucessos da banda. “Não é um show só do Offspring, estaremos no meio de um grande festival com várias ótimas bandas, então precisamos dar ao público o que ele espera, que são nossos hits.”
O Offspring já tinha uma década de carreira quando explodiu no “mainstream” com o disco “Smash”, que está completando 30 anos. “Smash” foi um marco da popularização do punk californiano no mundo, com um som mais polido e acessível, que foi abraçado pelas rádios e pela MTV. O disco trouxe megassucessos como “Come Out and Play”, “Self Esteem” e “Gotta Get Away” e vendeu 11 milhões de cópias em todo o mundo, tornando-se o álbum mais vendido lançado por uma gravadora independente (a Epitaph, de propriedade do guitarrista da banda punk Bad Religion, outra contemporânea do Offspring). O disco seguinte do Offspring, “Ixnay on the Hombre”, já foi lançado pela gigante Columbia Records.
Noodles diz que a banda teve muita sorte ao estourar em meio ao “boom” do rock alternativo na primeira metade da década de 1990, liderado pelo sucesso mundial do álbum “Nevermind” (1991), do Nirvana. “Foi uma fase excelente para o rock”, diz o guitarrista. “Havia muitas bandas maravilhosas lançando discos que se tornariam clássicos e isso ajudou a artistas de diversos estilos, do grunge ao punk. Certamente ajudou muito o Offspring. Eu sempre vi o Nirvana muito mais como uma banda punk, bem diferente de outras bandas de Seattle, como Pearl Jam e Soundgarden, que eram ótimas, mas faziam um som mais conectado ao rock tradicional dos anos 60.”
Sobre bandas novas inspiradas pelo Offspring, Noodles não precisa ir longe: o filho, que tem 21 anos, lidera uma banda que, segundo o pai orgulhoso, faz um som punk, mas “lembra bandas que nós mesmos ouvíamos há 30 ou 40 anos”. Que bandas? “Penso em Gun Club, Bauhaus, The Cure, Christian Death, essa onda meio gótica. Eles fazem uma música muito atmosférica e densa, e também põem umas coisas meio eletrônicas no meio, é um som muito diferente e muito bom.”
Um ótimo fim de semana a todas e todos!
5 comentários em "Entrevista: Noodles (The Offspring)"
Deixe seu comentário
Faça login para publicar um comentário.
Nunca curti o som do Offspring, Blink, Green Day e afins, mas o cara parece ser gente fina.
Excelente entrevista, Barça. O Noodles parece ser um sujeito muito gente boa e divertido. E sobre o show, estive no Lollapalooza e apresentação do Offspring foi a melhor dia.
Foi bem gente fina mesmo.
André, você já viu um show do Offspring ao vivo? Presta? Confesso que nunca gostei da banda.
Esse punk-pop californiano não é a minha praia, mas são bons nonque fazem.