abr/2022

Em busca da onda de 30 metros

Por André Barcinski

Em busca da onda de 30 metros

Por André Barcinski

Cada vez que surge uma nova imagem de um surfista enfrentando as ondas de Nazaré, Portugal, paramos tudo em casa e ficamos vendo em loop. A mais recente, de dias atrás, é essa boçalidade – estimada em 115 pés, ou 35 metros – surfada pelo alemão Sebastian Steudtner.

Nunca subi numa prancha de surfe, mas o esporte me fascina. Um das autobiografias mais legais que já li (veja o texto aqui) é “Dias Bárbaros”, relato do multipremiado repórter de guerra William Finnegan sobre as décadas que passou buscando as ondas mais perigosas e desafiadoras do mundo.

Nos útimos dias, temos nos divertido em casa com a minissérie documental “A Onda de 30 Metros” (HBO Max), que mostra a saga do surfista norte-americano Garrett McNamara para dominar as ondas monstruosas de Nazaré.

A série começa no início dos anos 2000, quando McNamara, então um surfista profissional com a carreira em declínio, passa a se dedicar ao surfe de ondas grandes. Esse estilo foi revolucionado pela utilização de jet-skis para rebocar o surfista até essas ondas que, muitas vezes, não quebram na costeira, mas em recifes afastados da costa.

Na virada da década de 2010, McNamara aceita o convite de um português e visita Nazaré, uma sonolenta vila de pescadores na costa oeste de Portugal. Ele não acredita no que vê: ondas de 15, 20 metros de altura, que parecem surgir de repente, próximas à costa.

O fenômeno é explicado pela existência do Cânion de Nazaré, o maior e mais profundo cânion submarino da Europa, com profundidades que chegam a 5 km. Quando as correntezas chegam à costa, a água sobe com muita velocidade pela parede do cânion, formando ondas que parecem surgir do nada.

McNamara decide dedicar-se a surfar aquelas ondas e recebe o apoio inestimável da prefeitura de Nazaré, que, com rara visão comercial e turística, ajuda o surfista a montar uma equipe para conseguir o feito. McNamara recruta pilotos de jet-skis especializados em ondas grandes na Irlanda e, com intenso apoio local, começa a explorar as ondas.

Vimos os dois primeiros – de seis – episódios, e nos divertimos muito. As histórias pessoais de McNamara e sua equipe são muito interessantes, e as cenas de surfe são incríveis. Não sei como a série vai fazer para manter o interesse por ouros quatro episódios, mas estou curioso.

Um ótimo dia a todos.

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