Earth: reis do drone e da repetição
Acaba de sair “Live at the Crocodile”, o oitavo – isso mesmo, oitavo – disco ao vivo da banda norte-americana Earth. O disco ee soma a nove LPs de estúdio, além de incontáveis EPs, compactos e splits com outras bandas. Se você não conhece o Earth, está aqui um bom motivo para começar a ouvir. É uma dessas bandas de mudar a vida.
O grupo foi fundado em 1989 por Dylan Carlson em Olympia, Washington, noroeste dos Estados Unidos. Carlson foi amigo de adolescência de Kurt Cobain, que chegou a cantar em algumas gravações do início da carreira da banda. Cobain não gostava de falar sobre suas letras, mas é bem provável que o personagem de “In Bloom”, que “gosta de nossas músicas mais bonitas / e gosta de atirar suas armas” seja Carlson.
Faz sentido: Carlson era um obcecado por armas e, numa triste manobra do destino, comprou, a pedido de Cobain, a arma com que este acabaria se matando. Os amigos dividiam também o gosto por outros perigos, como a heroína, e Carlson, depois do suicídio de Cobain, se afundou no vício e quase morreu.
Em 1993, o Earth lançou seu primeiro LP, chamado, misteriosamente, de “Earth 2”. O disco – três músicas totalizando 75 minutos – é considerado um clássico precursor do chamado drone metal, um estilo de som extremamente pesado e lento, marcado por canções instrumentais de riffs repetitivos que vão criando uma sensação quase hipnótica e meditativa.
Os line-ups do Earth variaram ao longo dos anos, mas há duas décadas a banda mantém a mesma base, com Dylan Carlson na guitarra e Adrienne Davies na bateria. Veja uma apresentação recente do Earth na KEXP, tocando “The Bees Made Honey in the Lion’s Skull”:
O Earth nunca fez sucesso comercial, mas a qualidade de sua música e o experimentalismo corajoso de Dylan Carlson tornaram a banda muito respeitada nos círculos dos sons de vanguarda. Nomes importantes do rock e do jazz, como o guitarrista Bill Frisell e o cantor Mark Lanegan, fizeram participações em discos do Earth.
Na única vez que vi a banda ao vivo, num festival no Texas, fiquei espantado ao ver na plateia boa parte das outras bandas do festival – Primal Scream, The Brian Jonestown Massacre, Dandy Warhols, Fuzz – pirando com Dylan Carlson e Adrienne Davies.
O som do Earth não é fácil: canções de 10, 15 minutos, sem vocais, e com riffs que se repetem. Mas quem se deixar levar por essas canções não vai se arrepender.
13 comentários em "Earth: reis do drone e da repetição"
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Não conhecia o som da banda, no começo é meio estranho, mas depois vira uma parada hipnotizante. Muito obrigado pela dica.
Exatamente.
Eu fiquei sabendo desse disco ontem e não paro de ouvir…ai hoje vejo este post., que coincidencia. Bees made honey é o meu favorito deles. Quem sabe eles não vem em uma edição do Mar Festival,ne? Não custa sonhar…
Tá nos planos…
Difuder Barça.
Isso é mesmo.
Vou ouvir, com certeza… e essas performances na rádio KEXP são incríveis.
Sou obcecado por Earth. Será que um dia veremos eles no Brasil? Abs.
Calma?
Opa!
Olímpia…deve ter alguma coisa muito especial na água desse lugar. Vem de lá o maluco e incansável multiartista Arrington de Dionísio, solo , com as bandas Old Time Relijun e Malaikat Dan Singa e inúmeras colaborações sempre arrojadas , artista gráfico…um dínamo. Vale dar uma olhada no YouTube.
Boa dica, não conheço.
Onde está Dionísio leia Dionyso ( corretor ….)
Vale muito a pena dar uma olhada ao menos na Old Time Relijun.
Abraço