mar/2022

Documentário sobre Alanis virou tributo a Taylor Hawkins

Por André Barcinski

Documentário sobre Alanis virou tributo a Taylor Hawkins

Por André Barcinski

A HBO Max, dentro de sua linha de documentários musicais chamada “Music Box”, exibe “Jagged”, um ótimo filme sobre a cantora e compositora canadense Alanis Morisette. O doc é centrado no álbum “Jagged Little Pill” (1995), um fenômeno com vendas estimadas em 33 milhões de discos em todo o mundo, o que o coloca entre os 15 LPs mais vendidos de todos os tempos.

O lançamento de “Jagged” pela HBO Max no Brasil coincidiu também com a trágica notícia da morte de Taylor Hawkins, baterista do Foo Fighters, que aparece com proeminência no filme, falando de sua experiência tocando na banda de apoio de Alanis.

Quando “Jagged Little Pill” foi lançado, Alanis tinha acabado de fazer 21 anos, mas já era uma veterana da indústria do entretenimento. Ainda adolescente, havia lançado dois discos de pop dançante, e desde criança atuava em programas de TV no Canadá. Mas sua carreira entrou em crise depois do lançamento do LP “Now is The Time” (1992), quando foi despedida da gravadora MCA. À época, era considerada mais uma entre tantas cantoras de pop descartável, e sua carreira era inteiramente controlada pelos pais e por produtores.

“Decidi que nunca mais ia gravar um disco sem ter controle total sobre o conteúdo”, diz Alanis no filme. Ela sai do Canadá, vai para Los Angeles e passa semanas em intensas sessões de composição com o músico e produtor Glen Ballard, um veterano que havia trabalhado com Michael Jackson e Paula Abdul.

O repertório que surgiu dessas sessões era muito diferente do que Alanis havia gravado antes. Eram canções cruas e confessionais, com letras longas e repletas de metáforas poéticas sobre a vida e as incertezas de uma jovem tão sensível quanto confusa. Ballard sentiu que tinha algo especial nas mãos, mas não conseguia convencer nenhuma gravadora do mesmo. “Fomos rejeitados por todos os selos”, diz no filme.

Até que Ballard consegue uma audição para a Maverick, gravadora fundada pela cantora Madonna, e um dos executivos, Guy Oseary (hoje empresário de Madonna, U2 e Red Hot Chili Peppers) ficou tão impressionado com a demo que contratou Alanis na hora.

O disco saiu exatamente no fim da era “grunge”, um ano depois da morte de Kurt Cobain, e a música de Alanis soou urgente e verdadeira para um público que havia sido ignorado pelo mercado alternativo: meninas adolescentes. Alanis virou um ícone, uma artista que abriu portas para muitas cantoras/compositoras, como fica evidente pelos depoimentos de artistas como Shirley Manson (Garbage) e Taylor Swift.

A ascensão de Alanis foi fulminante. O documentário mostra a cantora tocando em bares para 30 pessoas e, logo depois, em festivais de 100 mil. “Jagged Little Pill” é lançado em junho de 1995, e a turnê de lançamento dura até o fim de dezembro de 1996. Taylor Hawkins e os outros membros da banda de apoio aparecem em cenas de arquivo e depoimentos recentes, falando sobre o fenômeno que foi o disco e as mudanças que a fama provocou na vida deles. No fim, Hawkins conta sua saída da banda de Alanis, quando decidiu se juntar ao Foo Fighters. “Alanis chorou muito”, diz Hawkins. “Eu senti que a havia decepcionado. Mas a verdade é que ela não precisava mais de mim”.

É muito triste ver as imagens de arquivo de Hawkins, um baterista explosivo e sempre com um sorriso no rosto. É nítido o afeto entre ele e Alanis.

Um ótimo dia a todos.

25 comentários em "Documentário sobre Alanis virou tributo a Taylor Hawkins"

Deixe seu comentário

Ir para o topo