Documentário sobre Alanis virou tributo a Taylor Hawkins
A HBO Max, dentro de sua linha de documentários musicais chamada “Music Box”, exibe “Jagged”, um ótimo filme sobre a cantora e compositora canadense Alanis Morisette. O doc é centrado no álbum “Jagged Little Pill” (1995), um fenômeno com vendas estimadas em 33 milhões de discos em todo o mundo, o que o coloca entre os 15 LPs mais vendidos de todos os tempos.
O lançamento de “Jagged” pela HBO Max no Brasil coincidiu também com a trágica notícia da morte de Taylor Hawkins, baterista do Foo Fighters, que aparece com proeminência no filme, falando de sua experiência tocando na banda de apoio de Alanis.
Quando “Jagged Little Pill” foi lançado, Alanis tinha acabado de fazer 21 anos, mas já era uma veterana da indústria do entretenimento. Ainda adolescente, havia lançado dois discos de pop dançante, e desde criança atuava em programas de TV no Canadá. Mas sua carreira entrou em crise depois do lançamento do LP “Now is The Time” (1992), quando foi despedida da gravadora MCA. À época, era considerada mais uma entre tantas cantoras de pop descartável, e sua carreira era inteiramente controlada pelos pais e por produtores.
“Decidi que nunca mais ia gravar um disco sem ter controle total sobre o conteúdo”, diz Alanis no filme. Ela sai do Canadá, vai para Los Angeles e passa semanas em intensas sessões de composição com o músico e produtor Glen Ballard, um veterano que havia trabalhado com Michael Jackson e Paula Abdul.
O repertório que surgiu dessas sessões era muito diferente do que Alanis havia gravado antes. Eram canções cruas e confessionais, com letras longas e repletas de metáforas poéticas sobre a vida e as incertezas de uma jovem tão sensível quanto confusa. Ballard sentiu que tinha algo especial nas mãos, mas não conseguia convencer nenhuma gravadora do mesmo. “Fomos rejeitados por todos os selos”, diz no filme.
Até que Ballard consegue uma audição para a Maverick, gravadora fundada pela cantora Madonna, e um dos executivos, Guy Oseary (hoje empresário de Madonna, U2 e Red Hot Chili Peppers) ficou tão impressionado com a demo que contratou Alanis na hora.
O disco saiu exatamente no fim da era “grunge”, um ano depois da morte de Kurt Cobain, e a música de Alanis soou urgente e verdadeira para um público que havia sido ignorado pelo mercado alternativo: meninas adolescentes. Alanis virou um ícone, uma artista que abriu portas para muitas cantoras/compositoras, como fica evidente pelos depoimentos de artistas como Shirley Manson (Garbage) e Taylor Swift.
A ascensão de Alanis foi fulminante. O documentário mostra a cantora tocando em bares para 30 pessoas e, logo depois, em festivais de 100 mil. “Jagged Little Pill” é lançado em junho de 1995, e a turnê de lançamento dura até o fim de dezembro de 1996. Taylor Hawkins e os outros membros da banda de apoio aparecem em cenas de arquivo e depoimentos recentes, falando sobre o fenômeno que foi o disco e as mudanças que a fama provocou na vida deles. No fim, Hawkins conta sua saída da banda de Alanis, quando decidiu se juntar ao Foo Fighters. “Alanis chorou muito”, diz Hawkins. “Eu senti que a havia decepcionado. Mas a verdade é que ela não precisava mais de mim”.
É muito triste ver as imagens de arquivo de Hawkins, um baterista explosivo e sempre com um sorriso no rosto. É nítido o afeto entre ele e Alanis.
Um ótimo dia a todos.
25 comentários em "Documentário sobre Alanis virou tributo a Taylor Hawkins"
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As movimentações no palco e cabelão rodando no ar era puro suco de Eddie Vedder.
Muito parecida.
Com certeza, André.
Eu vi Jagged na segunda-feira. Eu não tinha percebido isso na época mas vendo as cenas da turnê de Jagged Little Pill, Alanis tinha adotado uma estética grunge. Banda, vestuário e modo de interpretar as canções. Não tinha vestido ou maquiagem. Jeans, camiseta, tênis e cabelão. Bem anos 90.
Total, era “o” visual da época.
Do Jagged Little Pill, a única que eu gosto é Hand In My Pocket. A letra cheia de contrastes fala bem para uma geração que tá iniciando a vida adulta mas tá na pior, levando paulada. Off topic: tá ligado no disco que está vindo aí do Ry Cooder e do Taj Mahal, tocando músicas de Sony Terry e Brownie McGee, expoentes do folk blues? Lançaram 3 singles e no youtube tem os dois tocando.
Não sabia do disco do Ry Cooder, parece demais isso.
E o conselho do Denzel pro Will, Barça?
Palhaçada essa história, não acha?
Sempre achei o trabalho da Alanis um porre, muito chato mesmo. Dave Ghrol deu uma declaração certa vez dizendo “ter salvo” o Taylor Hawkins da banda dela…
Também não sou fã, mas isso não quer dizer que o filme não mereça ser visto. A história dela é muito interessante.
Fiquei curioso, pois a saga deste disco é nada menos que extraordinaria. Vendeu mais que o “Nevernind” do Nirvana. A Alanis nao tinha nenhum apelo comercial, carisma bem abaixo da media. Na Wikipedia, o disco é simplesmente o 14 mais vendido da historia. A maioria dos icones da musica nao atingiram este nivel com um unico album.
Acho q o doc vai descrever o fenomeno Alanis, pois é bem dificil explicar.
É muito bem feito o filme, vale a pena assistir.
O Will tem que levar um castigo do tio Phill
Nem tava sabendo da morte dele. Lembrei que ele canta uma faixa inacabada (Holy Man) daquele álbum também inacabado do Dennis Wilson, Bambu.
Concordo. O fato de uma piada ser de péssimo gosto não dá o direito de sair batendo nos outros. Um do lá problemas que vejo é uma quantidade absurda de.pessoas defendendo a agressão. Não é por aí. Abraço
Se a moda pega…
André, lamentável o que aconteceu com o Taylor Hawkins, ainda mais num momento em que as mortes por overdose ou coisas do tipo, estavam finalmente em “viés de baixa” no mundo do rock…
E o que vc achou da substituição do show do Foo Fighters por uma jam session do rap e pop nacional? Foi uma boa ideia ou foi o que deu para fazer no momento?
Acho que foi uma boa opção, pelo pouco tempo que tiveram. Mas não aguentei ver o show, fui dormir cedo.
Jesse Tobias hj toca na banda do Morrissey.
Sim, e o baixista tá no Jane’s Addiction.
Você chegou a ir em show dessas turnês da Alanis Morisette? ela e a banda mandavam bem? assisti alguns shows esses dias do lolla pela tv e fiquei impressionado como tem galera nova que não canta nada ao vivo, quando tenta levar sem playback, sai baixo e quase sempre desafinado. Acho que é efeito da geração autotune…
Nunca vi a Alanis ao vivo, não era minha praia. Mas os vídeos ao vivo são bem intensos.
Ótima indicação Xará. Verei ainda hoje. Abraço.
PS. O q achou dos vencedores do Oscar e o tapa da Will Smith?
Cara, cheguei numa fase de desinteresse tão grande pelo Oscar que nem vi a cerimônia, fui dormir. Fiquei estarrecido com a reação do Will Smith, coisa de celebridade mimada.