Do arquivo: “Você não conhece esse sujeito, mas ele já vendeu 300 milhões de discos”
Do arquivo: “Você não conhece esse sujeito, mas ele já vendeu 300 milhões de discos”
Dia desses, achei na Internet um texto sobre um documentário chamado “The Story of Roman & Nyro”, sobre um casal gay que pediu a uma amiga para ser “barriga de aluguel” de seus filhos, Roman e Nyro. Achei a história especialmente interessante porque o casal mora em Nashville, capital americana da música country e uma cidade muito conservadora. Veja:
Vi o trailer do filme e percebi que conhecia um dos personagens: era Desmond Child, um músico e compositor. O grande público não sabe quem é Desmond, mas com certeza conhece suas músicas. Nos últimos 35 anos, ele compôs canções que foram sucesso no mundo todo, como “I Was Made For Loving You” (Kiss), “Livin’ on a Prayer” e “You Give Love a Bad Name” (Bon Jovi), “Angel” e “Dude (Looks Like a Lady”) (Aerosmith), “How Can We Be Lovers?” (Michael Bolton) e “Livin’ la Vida Loca” (Ricky Martin), além de hits com Cher, Roxette, Kelly Clarkson, Meat Loaf, Bonnie Tyler, Weezer (podem chorar, indies!) e Katy Perry. Desmond calcula que suas músicas já venderam 300 milhões de cópias.
Desmond é um desses gênios pop que artistas procuram quando precisam de uma mudança ou um empurrão em suas carreiras. No fim dos anos 70, ele teve uma banda de relativo sucesso, Desmond Child & Rouge, mas que não durou muito. Um dos fãs da banda era Paul Stanley, do Kiss.
Quando o Kiss percebeu que a discoteca estava matando o rock, em 1979, encomendou a Desmond uma canção dançante, “I Was Made for Loving You”. Poucos anos depois, Jon Bon Jovi ouviu “Heaven’s on Fire”, outra canção de sucesso que Desmond escreveu para o Kiss, e foi atrás do compositor. Desmond escreveu “Livin’ on a Prayer”, “uma música sobre dois garotos tentando sobreviver”, em que citava uma ex-namorada chamada Gina. Jon Bon Jovi nunca mais saiu de perto de Desmond.
O compositor diz que sua especialidade é ajudar artistas que já são famosos a reinventar suas carreiras, como fez com Cher, Aerosmith e Ricky Martin. “Livin’ la Vida loca”,o sucesso mundial de Martin – que, na época, estava fazendo teatro na Broadway – foi todo gravado no estúdio de Desmond.
Desmond diz que o segredo do sucesso é um só: muito trabalho. Em 35 anos, compôs cerca de quatro mil músicas – quase uma a cada três dias – e passa ao menos oito horas por dia no estúdio. Um dos truques para fazer um hit, diz, é criar a canção em torno de um título. “A música precisa de um bom título e uma boa história. Você precisa saber sobre o que é a música e que história ela está contando. Eu sempre penso num título primeiro, e depois crio toda a música em função dele”.
Publicado originalmente em 24 de fevereiro de 2014
7 comentários em "Do arquivo: “Você não conhece esse sujeito, mas ele já vendeu 300 milhões de discos”"
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Voltei só pra dizer que não consigo parar de ouvir “Our love is insane” e não sei como essa vocalista maravilhosa não se tornou uma superstar da música
André, falando de Kiss e de indústria da música, gostaria muito de saber se você concorda com o Gene Simmons quando ele diz que o rock está morto e “The people that killed it are fans. Fans killed the thing they loved by downloading and file sharing for free.”. Apesar de concordar, em termos, não posso deixar de pensar que outros estilos estão bem vivos (e vendendo), apesar da transição das mídias físicas para downloads e, posteriormente, streaming. Vide o hiphop. O que esses outros estilos fizeram que o rock não conseguiu fazer? Abraço e sucesso!
https://www.loudersound.com/news/gene-simmons-i-stand-by-my-words-rock-is-dead-and-the-fans-killed-it
Acho que a crise é geral, não se limita ao rock, não posso concordar com isso.
André, vendo os “truques” do Desmond Child para fazer um hit, agente acha que é um negócio tão simples, mas são poucos que tem um currículo tão grande de sucessos de verdade quanto ele. Se fosse tão fácil, teria mais gente fazendo a mesma coisa, vc não acha?
Sempre assim: reclamam da música, mas poucos fazem igual.
Enquanto o público idolatra os bonitões e bonitinhas, nos bastidores um trio toca a casa das máquinas: o compositor, o arranjador e o produtor.
Exato. Tão importantes quanto.