Do Arquivo: Já viu o documentário do Carlos Imperial?
Publicado originalmente na “Folha de S. Paulo”, em abril de 2015
Carlos Imperial foi personagem de outra época, uma era em que o politicamente correto ainda era um pesadelo distante e um cafajeste assumido como ele poderia falar as barbaridades que quisesse, sem ser preso ou achincalhado.
Para o grande público, Carlos Imperial era o eterno vilão, o gordo egocêntrico que vivia cercado de mulheres, era vaiado em programas de auditório e irritava feministas com suas tiradas machistas e seus relatos do abate de “lebres”.
Mas era tudo fachada. Imperial era um gênio da autopromoção, que aprendeu a usar a mídia a seu favor e sacava, como poucos, a força de uma manchete negativa e polêmica. Infelizmente, sua imagem de fanfarrão obscureceu sua trajetória como um personagem importante da cultura pop brasileira.
Pouca gente lembra que Carlos Imperial foi um dos pioneiros do rock no Brasil, que ajudou a lançar as carreiras de Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Elis Regina, Tim Maia, Clara Nunes, Paulo Silvino e Eduardo Araújo, que foi cineasta, compositor, colunista de jornal e político.
O documentário “Eu Sou Carlos Imperial”, de Renato Terra e Ricardo Calil, tenta balancear os dois lados da vida do homem: dá a devida importância a seu trabalho, sem deixar de lado o escracho de sua figura pública. Veja o filme na íntegra:
O filme tem o mérito de não aliviar a barra de Imperial. Um entrevistado conta: “O Imperial costumava dizer que amigo dele não tinha defeito. E inimigo, se não tivesse defeito, ele inventava”. E não foram poucas as “invenções” de Imperial para prejudicar os inimigos. Era um sujeito vingativo, que caluniou muita gente – o caso mais conhecido envolveu o ator Mário Gomes – e teve uma relação problemática com os filhos. Um deles, Marco Antônio, chora ao lembrar que o pai lhe tirou tudo quando descobriu que ele casara.
A entrevista mais surpreendente do filme é a de Roberto Carlos, numa raríssima ocasião em que colabora com um empreendimento jornalístico, em vez de censurá-lo. Roberto conta como Imperial o ajudou no início da carreira. Mas é Eduardo Araújo que traz a informação mais quente sobre a relação de Imperial com o “Rei”, ao afirmar que Roberto chamava Imperial de “pai”. Erasmo Carlos diz ter recebido um conselho valioso do amigo: “O Imperial me disse: Erasmo, quando você estiver na pior, sem saber o que fazer, pense nisso: o que faria Carlos Imperial nessa situação?”
Tenham um ótimo sábado!
5 comentários em "Do Arquivo: Já viu o documentário do Carlos Imperial?"
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Esse documentário é muito bom.
Quem não viu tá perdendo.
É o fiel retrato do Brasil artístico dos anos 60,70 e 80.
André, e tem o livro do Denílson Monteiro sobre ele, o “Dez, nota dez”, que é impagável de tão engraçado!!!!
E o pior do Politicamente Correto é que ele destroi, humilha e achincalha, mas não constroi nada, nem ao menos uma sociedade melhor…
Tenho os livros do Denilson, o do Bôscoli também é muito legal.
O documentário também está disponível, até dia 09/05/2023, na plataforma Sesc Digital.
Outro filme disponível é Um Herói do Asghar Farhadi que recentemente foi tema de debate com os leitores do blog, disponível até dia 26/04/2023.
Excelente dica. Muito obrigado!