jul/2023

Do Arquivo: crítica da série “Making a Murderer”

Por André Barcinski

Do Arquivo: crítica da série “Making a Murderer”

Por André Barcinski

Publicado originalmente em 2015

Uma das melhores séries documentais de 2015 estreou bem no fim do ano no Netflix e acabou com os festejos natalinos de muita gente. Porque assistir a “Making a Murderer” é uma experiência tão fascinante quanto arrasadora.

Dirigida por Moira Demos e Laura Ricciardi, a série tem dez episódios e acompanha, durante cerca de dez anos, a vida de Steven Avery, morador do condado de Manitowoc, no estado de Wisconsin, norte dos Estados Unidos. Em 1985, Avery foi preso pelo estupro de uma mulher e passou 18 anos na cadeia, até ser libertado depois que testes de DNA provaram sua inocência.

O filme mostra como a polícia de Manitowoc colaborou decisivamente para a condenação de Avery, seja por falhas gritantes na investigação ou por não divulgar informações que poderiam provar sua inocência.

Como se essa história não fosse incrível o bastante, Avery, pouco depois de libertado e de processar o condado de Manitowoc por 36 milhões de dólares, foi preso novamente, dessa vez acusado do assassinato de uma fotógrafa. Novamente, a polícia local pareceu ter agido com má-fé e feito de tudo para condená-lo.

A série acompanha em detalhes as investigações desse crime e levanta suspeitas terríveis contra a polícia, incluindo a de forjar provas e arrancar confissões de menores de idade com evidentes problemas mentais. A história é tão escabrosa e surpreendente que parece ficção. Infelizmente, é tudo verdade.

“Making a Murderer” é extremamente detalhista e, por vezes, pode parecer um pouco repetitivo. Mas a história é tão bem contada e os personagens, tão marcantes, que é impossível parar de assistir.

Os personagens da história parecem saídos da imaginação bizarra dos Irmãos Coen. Para começar, há Steven Avery e sua família, donos de um imenso ferro-velho de automóveis. Os Avery são considerados a escória da comunidade e unanimemente odiados por vizinhos. Steven é um sujeito simplório, dotado de um QI baixíssimo e que não parece ter noção da gravidade das acusações contra ele. Mas é um verdadeiro gênio se comparado ao sobrinho adolescente, Brendan, que é preso como cúmplice, mas só está preocupado em assistir a programas de luta-livre na TV.

Os policiais são igualmente estranhos, uma galeria medonha de psicopatas que parecem viver no tempo do faroeste (um deles, chefe da polícia local, diz a uma repórter de TV que teria sido mais fácil matar Steven Avery do que forjar provas contra ele). No meio disso tudo, surgem os dois advogados de Avery, os únicos sujeitos minimamente sãos da história, que tentam fazer sentido desse pesadelo jurídico e policial. É ver para crer.

3 comentários em "Do Arquivo: crítica da série “Making a Murderer”"

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    Rafael Paixao Araujo Pinto

    Barça, você viu a segunda temporada? Fica ainda mais bizarro com a nova advogada do Steve, mostrando que os defensores anteriores, os quais saíram em tour devido à fama obtida com o filme, não fizeram um trabalham tão bom assim…

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    Andre Luiz Antunes De Oliveira

    Xará, não conhecia esse documentário. Parece excelente. Aproveitando o tema, caso entenda pertinente, poderia sugerir alguns bons livros policiais, os clássicos e alguns mais recentes. Abração

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