fev/2023

Do Arquivo: Confidências do Midas da música pop

Por André Barcinski

Do Arquivo: Confidências do Midas da música pop

Por André Barcinski

Esse texto, publicado em 2013, é sobre a biografia do executivo musical Clive Davis. O livro não foi lançado no Brasil, mas há um ótimo documentário sobre ele, “Clive Davis: Nosso Ritmo”, no catálogo da Netflix.

Em tempos de música de graça e MP3, ler a autobiografia de Clive Davis é mergulhar numa era extinta, em que poderosos titãs da indústria da música dominavam a Terra. Se a época de Clive era melhor ou pior que hoje, não sei, mas certamente foi um período muito interessante.

O livro chama  The Soundtrack of My Life”, foi escrito em parceria com o jornalista Anthony De Curtis, e é leitura obrigatória para quem quiser conhecer mais sobre a indústria musical dos últimos 50 anos.

Clive Davis foi um dos mais influentes e importantes executivos da música pop. Foi presidente das gravadoras Columbia, Arista e J Records. Trabalhou com Bob Dylan, Janis Joplin, Santana, Bruce Springsteen, Chicago, Grateful Dead, Simon & Garfunkel, Aretha Franklin, Patti Smith e Alicia Keys, entre centenas de outros artistas. Fundou a gravadora LaFace, casa de Usher, Outkast e Toni Braxton e a Bad Boy, casa de Puffy Combs e Notorious B.I.G.

Foi Clive Davis que descobriu uma menina de 19 anos, que se tornaria a cantora de maior sucesso comercial da história: Whitney Houston.

A carreira de Davis também teve seus percalços: ele foi despedido da Columbia Records por suspeita – nunca provada – de ter fraudado a empresa. E era presidente da Arista quando um de seus contratados, a dupla Milli Vanilli, teve de devolver os Grammys que ganhou depois que foi revelado que eles não haviam cantado no disco.

Não leia o livro esperando revelações de bastidores ou histórias de sexo, drogas e rock’n’roll; Clive Davis é respeitoso até demais com os artistas e sempre foi um homem da indústria, capaz de guardar segredos e usá-los quando necessário.

O divertido é ler Clive contando histórias sobre a contratação de Janis Joplin (que sugeriu transar com Clive no escritório da gravadora, para comemorar), ou sobre a insegurança de Bob Dylan com os rumos da própria carreira.

Um dos capítulos mais interessantes é sobre Whitney Houston. Davis rejeita a tese de que teria controlado a carreira de Whitney nos mínimos detalhes. Diz que ela era uma grande artista e dona de seu destino. Mas acaba se traindo ao reproduzir uma longa carta que enviou a Whitney, depois de um de seus primeiros shows, em que “sugere” mudanças no repertório e até na forma com que a cantora se dirige ao público.

Outro trecho de destaque narra a ressurreição da carreira de Santana, com o disco “Supernatural”. E a maior surpresa do livro foi a revelação da bissexualidade de Davis, que em 2004, aos 72 anos, resolveu assumir um relacionamento com outro homem.

“The Soundtrack of My Life” ainda não saiu no Brasil, e espero que não demore. Mesmo que o livro adoce a realidade para tornar Davis um sujeito muito mais simpático e justo do que outros relatos fazem supor, é um registro importante sobre um titã da indústria da música.

Um ótimo fim de semana!

3 comentários em "Do Arquivo: Confidências do Midas da música pop"

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