Disco novo do Slowdive é um deleite
O Slowdive tem uma carreira das mais curiosas: formado na Inglaterra no fim dos anos 80 por dois amigos de infância, a cantora e tecladista Rachel Goswell e o cantor e guitarrista Neil Halstead – e batizado com o nome de uma música de Siouxsie and the Banshees – a banda foi um dos pilares da pequena, porém influente cena do shoegaze britânico que revelou nomes como My Bloody Valentine, Ride, Lush, Swervedriver e tantos outros.
“Shoegazing” quer dizer “olhando para os pés”, e o gênero ganhou da imprensa musical esse nome irônico devido à mania de tocar olhando para baixo, sem encarar a plateia. Musicalmente, as bandas traziam um som viajante e atmosférico, com camadas e camadas de guitarras sobrepostas e vocais etéreos. Era uma cena tão pequena que ficou conhecida como “a cena que celebra ela mesma”, pelo fato de as bandas todas serem amigas e prestigiarem os shows das outras (até algumas começarem a ficar grandes, claro).
O Slowdive lançou três discos entre 1991 e 1995, com “Souvlaki” (1993) o melhor deles. Assim que saiu “Pygmalion” (1995), que foi pessimamente recebido pela crítica e não vendeu nada, a banda foi despedida pela gravadora Creation, e Goswell e Halstead formaram o grupo Mojave 3.
Quase 20 anos depois, em 2014, a cena musical havia mudado. O shoegaze, antes motivo de chacota em partes da imprensa musical, havia sido reavaliado, e discos como “Loveless”, do My Bloody Valentine, e o próprio “Souvlaki”, do Slowdive, ganharam status de clássicos do indie rock dos anos 90. Veja o lindo clipe de “Alison”, faixa mais famosa de “Souvlaki”
O Slowdive voltou naquele ano e fez uma grande excursão mundial. Em 2017, lançou um disco homônimo muito bem recebido e que trouxe canções de sucesso nas pistas indie, como “Sugar for the Pill”, e agora volta com outro melhor ainda: “Everything is Alive”, quinto álbum numa carreira de mais de 35 anos.
No disco, o Slowdive continua trazendo os oceanos de guitarras espaciais e os vocais sussurrados e cheios de reverb, mas incorporou também elementos mais eletrônicos e dançantes, O single, “Kisses”, parece uma grande música do New Order, o que não é pouca coisa. Veja a banda fazendo sua estreia – acredite – no festival de Glastonbury, tocando “Kisses”.
O Slowdive virá ao Primavera Sound e, ao que parece, fará um show fora do festival. Recomendo fortemente assistir. Já vi alguns shows do Slowdive – o último em 2017 – e são sempre muito bons.
Uma ótima semana a todas e todos.
12 comentários em "Disco novo do Slowdive é um deleite"
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Recomendo o documentário da pitchfork sobre o Soulvlaki https://www.youtube.com/watch?v=Sjr6esFXJl4. Não é só um grande disco (como esse último), mas uma grande história de redenção 🙂
Eu assisti um show do Slowdive em Lisboa em 2018, num lugar pequeno (para umas 200 pessoas no máximo). É uma das minhas bandas favoritas, e fiquei ainda mais fã. A qualidade do som que eles tiram ao vivo é incrível… não é igual aos discos, é melhor! É um dos raros casos de bandas que voltam melhor do que na primeira incarnação.
Boa dica, não vi esse doc da Pitchfork.
Slowdive em Interlagos é um crime ;-(( Será que eles sabem aonde vão tocar? kkk Passei o dia trabalhando e escutando everything is alive: um deleite!!
André, um OT: Que tristeza o que aconteceu com o Mingau aí em Paraty né?
Sim, muito triste e ruim pra cidade.
Barça, e esse festival sapatênis The Town? Viu? Eu vi o show dos Racionais e achei foda.. no mais, só porcaria.
Cara, fiz questão de não ver nada.
Comprei o ingresso do Primavera no escuro na expectativa de assistir o Blur, fui pego de surpresa com a escalação do ínsipido The Killers. Para não perder ou ter que vender o ingresso, to escavando o line-up, e nessa descobri bastante coisa interessante, entre elas o Slowdive. Não sei se justifica o valor do ingresso, mas depois de ter ido ao delírio no c6 com Underworld, Kraftwerk e Juan Atkins, me sinto tentado a ir em outro festival.
Ainda tenho idade e disposição de espírito para suportar multidões.
Olha, se rolar um show do Slowdive em clube, EU não hesitaria em ver. Em megafestival, depende do horário, duração, etc. Slowdive é show pra ambiente fechado.
Fala tricolor. Eu vi na Prime/MGM o filme “A festa nunca termina”. Matei a curiosidade de conhecer a criação da Factory, Hacienda (eu achava que era uma fazenda mesmo hahahaha) e o Tony Wilson etc e tal. O filme parece um documentário. O que me incomodou no filme foi o status que o Shaun Ryder recebeu de gênio (quase um John Lennon) e aquele ator/comediante insuportável Steve Coogan. Me pareceu também que o Tony Wilson tem um ego do tamanho do estado do Amazonas.
Boa dica, preciso rever, lembro que me diverti muito.
Sean Harris como Ian Curtis ficou bem.