set/2022

Disco novo do Black Angels é obrigatório

Por André Barcinski

Disco novo do Black Angels é obrigatório

Por André Barcinski

Sexta-feira passada, dia 16, foi lançado “Wilderness of Mirrors”, sexto LP de inéditas do grupo texano Black Angels, e desde então não conseguimos ouvir mais nada aqui em casa.

Sou muito fã do Black Angels: gosto do som, do visual, da aura de mistério (poucas entrevistas ou revelações), e da força que sempre deram para a cena dos sons alternativos, ajudando a promover, desde 2008, um dos festivaisl de música mais legais do planeta, o Levitation (nos primeiros anos, chamado de Austin Psych Fest).

Leia aqui um texto que escrevi em 2017 sobre a edição francesa do Levitation.

O Black Angels não esconde sua maior influência: a banda é batizada em homenagem a “The Black Angels’ Death Song”, música do clássico LP de estreia Velvet Underground, e até o logotipo do Black Angels remete ao Velvet, trazendo uma imagem de Nico, a cantora-modelo que acompanhou o grupo de Lou Reed e John Cale.

Outra semelhança com o Velvet: o Black Angels tem uma baterista, a excelente Stephanie Bailey, que, junto ao cantor, baixista e tecladista Alex Maas, os guitarristas Christian Bland e Jake Garcia e o tecladista Ramiro Verdooren, formam uma das bandas de rock mais consistentemente brilhantes das últimas das décadas.

O drone e as distorções do Velvet são a principal inspiração do Black Angels, mas a banda traz inúmeras outras influências, como os ritmos repetitivos e mântricos do rock alemão de Neu!, Can e Faust, o free jazz e toda a psicodelia do rock dos anos 60, em especial dos conterrâneos texanos do 13th Floor Elevators.

O Black Angels, aliás, ajudou a ressuscitar o interesse pelos Elevators nos últimos anos: tocaram por alguns anos como banda de apoio do genial e excêntrico Roky Eryckson (1947-2019), líder do grupo, e promoveram, em 2015, um show histórico reunindo os últimos membros originais da banda. Tive a sorte de ver esse show.

Em “Wilderness of Mirrors”, a banda não traz grandes novidades sonoras, e nem precisava: em som que está ganhando não se mexe.

Veja o Black Angels tocando, ao vivo, “Vermillion Eyes”, uma das faixas de “Wilderness of Mirrors”:

Aqui, o clipe de “El Jardín”:

E uma das músicas mais legais do disco, “Empires Falling”:

Enfim, ainda estamos aprendendo a gostar de “Wilderness of Mirrors”, mas periga ser um daqueles discos que ficam para sempre.

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