Disco novo do Black Angels é obrigatório
Sexta-feira passada, dia 16, foi lançado “Wilderness of Mirrors”, sexto LP de inéditas do grupo texano Black Angels, e desde então não conseguimos ouvir mais nada aqui em casa.
Sou muito fã do Black Angels: gosto do som, do visual, da aura de mistério (poucas entrevistas ou revelações), e da força que sempre deram para a cena dos sons alternativos, ajudando a promover, desde 2008, um dos festivaisl de música mais legais do planeta, o Levitation (nos primeiros anos, chamado de Austin Psych Fest).
Leia aqui um texto que escrevi em 2017 sobre a edição francesa do Levitation.
O Black Angels não esconde sua maior influência: a banda é batizada em homenagem a “The Black Angels’ Death Song”, música do clássico LP de estreia Velvet Underground, e até o logotipo do Black Angels remete ao Velvet, trazendo uma imagem de Nico, a cantora-modelo que acompanhou o grupo de Lou Reed e John Cale.
Outra semelhança com o Velvet: o Black Angels tem uma baterista, a excelente Stephanie Bailey, que, junto ao cantor, baixista e tecladista Alex Maas, os guitarristas Christian Bland e Jake Garcia e o tecladista Ramiro Verdooren, formam uma das bandas de rock mais consistentemente brilhantes das últimas das décadas.
O drone e as distorções do Velvet são a principal inspiração do Black Angels, mas a banda traz inúmeras outras influências, como os ritmos repetitivos e mântricos do rock alemão de Neu!, Can e Faust, o free jazz e toda a psicodelia do rock dos anos 60, em especial dos conterrâneos texanos do 13th Floor Elevators.
O Black Angels, aliás, ajudou a ressuscitar o interesse pelos Elevators nos últimos anos: tocaram por alguns anos como banda de apoio do genial e excêntrico Roky Eryckson (1947-2019), líder do grupo, e promoveram, em 2015, um show histórico reunindo os últimos membros originais da banda. Tive a sorte de ver esse show.
Em “Wilderness of Mirrors”, a banda não traz grandes novidades sonoras, e nem precisava: em som que está ganhando não se mexe.
Veja o Black Angels tocando, ao vivo, “Vermillion Eyes”, uma das faixas de “Wilderness of Mirrors”:
Aqui, o clipe de “El Jardín”:
E uma das músicas mais legais do disco, “Empires Falling”:
Enfim, ainda estamos aprendendo a gostar de “Wilderness of Mirrors”, mas periga ser um daqueles discos que ficam para sempre.
9 comentários em "Disco novo do Black Angels é obrigatório"
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De carona aqui, muito tempo depois, deixo um obrigado pela playlist também…
Eu que agradeço!
Que moral a dos caras, acompanhar o Roky Eryckson! uau!
que isso barca!!! seu artigo sobre o levitation 2017 tem tanta banda desconhecida pra mim que fiz uma playlist na sequência das citacoes. e claro, incluí o the black angels que por sinal voa passar por viena em fevereiro de 2023.
o link: https://open.spotify.com/playlist/0eZKGYZRikirHMLcN5xk1M?si=3c4f7467b65d4b3c
curtindo Woods bastante agora.
abracao e obrigado por mais uma aula.
Demais essa playlist, muito obrigado!
Já tinha ouvido os singles e agora to escutando na sequência. Em uma primeira audição achei excelente. Fui no show deles aqui em SP no Cine Joia. Gosto demais da banda, que conheci, inclusive, por sua indicação.
Valeu!
Que coincidência, ouvi o disco ontem e pensei “será que o André gosta dessa banda?”. A faixa Without a Trace tá em loop infinito aqui hahaha.
Gosto DEMAIS.
Fizeram um show sensacional há tempos atrás aqui no Cine Jóia. Quando voltarão?