“Dheepan”: o cinema brutal de Jacques Audiard
A plataforma MUBI exibe “Dheepan – O Refúgio” (2015), do francês Jacques Audiard. O filme também pode ser visto na Amazon Prime, e é uma excelente oportunidade para conhecer este e outros dois grandes filmes dirigidos por esse cineasta fora do comum.
Lançado em 2015, “Dheepan” ganhou a Palma de Ouro em Cannes e é uma espécie de adaptação moderna de “Sob o Domínio do Medo” (“Straw Dogs”, 1971), um clássico brutal de Sam Peckinpah sobre um pacato professor de matemática (Dustin Hoffman) que se muda para uma vila isolada na Cornualha é obrigado a explorar seu lado sombrio e desconhecido ao ver sua mulher (Susan George) atacada por um grupo de violentos homens locais.
Em “Dheepan”, um soldado tâmil foge da violência do Sri Lanka após a violenta guerra civil que assolou o país (1983-2009) e chega à França se passando por exilado político, só para encontrar mais conflitos ao conseguir emprego de zelador num prédio dominado por traficantes de drogas. É uma mistura de drama com “thriller” político-policial e traz características semelhantes às de outros dois filmes de Audiard, “O Profeta” (2009) e “Ferrugem e Osso” (2012): personagens complexos e acostumados a ambientes hostis que se veem às voltas com situações em que a brutalidade parece ser a única saída.
“O Profeta” foi meu filme predileto de 2010 (leia aqui a crítica que fiz, à época, na “Folha”) e conta a história de um jovem criminoso árabe que chega a uma prisão francesa e sai de lá treinado como um assassino profissional. Já vi o filme umas cinco vezes e continuo fascinado com algumas cenas de ação criadas por Audiard (um tiroteio dentro de um carro é particularmente espetacular).
Já “Ferrugem e Osso” é um dos dramas mais arrebatadores e singulares dos últimos anos. Conta a relação entre um lutador de MMA (Matthias Shcoenaerts) e uma profissional que treina baleias orcas (Marion Cotillard), e tem cenas tão impactantes e inesquecíveis que não vou estragar a surpresa com descrições. Simplesmente veja.
Tanto “O Profeta” quanto “Ferrugem e Osso” podem ser vistos na Apple TV, Claro Video e Microsoft. O segundo está também no Google Play.
Audiard lançou recentemente um filme, “Paris, 13º Distrito”, que eu, estupidamente, não vi ainda. Está na Amazon Prime, Apple TV e Google Play. Verei sem falta.
Um ótimo fim de semana a todas e todos.
9 comentários em "“Dheepan”: o cinema brutal de Jacques Audiard"
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Lembro de ter visto numa mostra “De Tanto Bater meu Coração Parou”, uma uma boa adaptação do Audiard de um filme do James Toback.
ah, e paris 13º distrito também tá na amazon…
barça, acabei de encontrar dheepan no amazon prime também…
Muito obrigado, não tá listado no Just Watch, vou incluir no texto.
Eu sabia que você ia gostar deste filme, Barça. Brutal…brutal, esse diretor é brutal! rs…
Cara, eu não associei o nome ao filme quando vc escreveu, eu tinha visto, não perco nada do Audiard. Valeu!
Fala André, viu que entrou no Mubi o “Coup de Torchon”, adaptação do “Pop 1280” do Jim Thompson?
Abraço!
E o que me diz do título em Português “A lei de quem tem o poder”?
Revi esses dias, achei que envelheceu mal, muito lento. Mas amo o filme porque o Philippe Noiret tá A CARA do meu pai, é surreal.