ago/2022

“Dheepan”: o cinema brutal de Jacques Audiard

Por André Barcinski

“Dheepan”: o cinema brutal de Jacques Audiard

Por André Barcinski

A plataforma MUBI exibe “Dheepan – O Refúgio” (2015), do francês Jacques Audiard. O filme também pode ser visto na Amazon Prime, e é uma excelente oportunidade para conhecer este e outros dois grandes filmes dirigidos por esse cineasta fora do comum.

Lançado em 2015, “Dheepan” ganhou a Palma de Ouro em Cannes e é uma espécie de adaptação moderna de “Sob o Domínio do Medo” (“Straw Dogs”, 1971), um clássico brutal de Sam Peckinpah sobre um pacato professor de matemática (Dustin Hoffman) que se muda para uma vila isolada na Cornualha é obrigado a explorar seu lado sombrio e desconhecido ao ver sua mulher (Susan George) atacada por um grupo de violentos homens locais.

Em “Dheepan”, um soldado tâmil foge da violência do Sri Lanka após a violenta guerra civil que assolou o país (1983-2009) e chega à França se passando por exilado político, só para encontrar mais conflitos ao conseguir emprego de zelador num prédio dominado por traficantes de drogas. É uma mistura de drama com “thriller” político-policial e traz características semelhantes às de outros dois filmes de Audiard, “O Profeta” (2009) e “Ferrugem e Osso” (2012): personagens complexos e acostumados a ambientes hostis que se veem às voltas com situações em que a brutalidade parece ser a única saída.

“O Profeta” foi meu filme predileto de 2010 (leia aqui a crítica que fiz, à época, na “Folha”) e conta a história de um jovem criminoso árabe que chega a uma prisão francesa e sai de lá treinado como um assassino profissional. Já vi o filme umas cinco vezes e continuo fascinado com algumas cenas de ação criadas por Audiard (um tiroteio dentro de um carro é particularmente espetacular).

Já “Ferrugem e Osso” é um dos dramas mais arrebatadores e singulares dos últimos anos. Conta a relação entre um lutador de MMA (Matthias Shcoenaerts) e uma profissional que treina baleias orcas (Marion Cotillard), e tem cenas tão impactantes e inesquecíveis que não vou estragar a surpresa com descrições. Simplesmente veja.

Tanto “O Profeta” quanto “Ferrugem e Osso” podem ser vistos na Apple TV, Claro Video e Microsoft. O segundo está também no Google Play.

Audiard lançou recentemente um filme, “Paris, 13º Distrito”, que eu, estupidamente, não vi ainda. Está na Amazon Prime, Apple TV e Google Play. Verei sem falta.

Um ótimo fim de semana a todas e todos.

9 comentários em "“Dheepan”: o cinema brutal de Jacques Audiard"

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