dez/2023

Dez discos que mais ouvi em 2023

Por André Barcinski

Dez discos que mais ouvi em 2023

Por André Barcinski

The Coral – Sea of Mirrors: Décimo-primeiro disco dessa banda britânica que, a cada ano, fica mais estranha e fascinante. Os caras vivem num vilarejo minúsculo na Península Wirral, noroeste da Inglaterra, e fizeram uma joia rara de folk-pop com pitadas de Kinks e Pentangle. Para ouvir deitado na rede, contemplando o fim de tarde.

Goat – Medicine: Ficamos simplesmente obcecados com o novo disco desses malucos dos cafundós da Suécia que fazem um space-rock psicodélico e ocultista, trilha sonora ideal para um culto pagão qualquer.

Tinariwen – Amatssou: Quarenta anos de carreira e os Beatles da África não conseguem fazer um disco ruim. Esse, coproduzido por Daniel Lanois, é um dos melhores e traz aquele peculiar blues desértico que o Tinariwen faz melhor que ninguém.

Teenage Fanclub – Nothing Lasts Forever: Todo disco do TF é igual, mas alguns são mais iguais que outros. Desde que começamos a ouvir este, não largamos mais. “Foreign Land” é uma das melhores canções que esses escoceses já gravaram.

Sleaford Mods – UK Grim: O duo inglês continua firme na missão de radiografar, com batidas furiosas e letras de uma urgência punk-proletária dignas de Mark E. Smith, a triste Inglaterra do pós-Brexit. Uma paulada.

Earth – Live at the Crocodile: Dylan Carlson toca guitarra e Adrienne Davies toca bateria. Não há vocais ou solos. Há mais de 30 anos, o Earth faz um drone metal lento e repetitivo, que vai envolvendo o ouvinte numa onda mântrica e hipnotizante. Esse disco ao vivo é impossível parar de ouvir.

Bike – Arte Bruta: Do Vale do Paraíba vem esse quarteto de sons psicodélicos que começou emulando Black Angels e Brian Jonestown Massacre, mas hoje faz um som próprio que, nesse novo disco, assume de vez as influências brasileiras. Lindão.

Slowdive – Everything is Alive: Nunca achei que o Slowdive faria um disco do nível de “Souvlaki”, mas este periga ser até melhor. Post-rock, shoegaze, dream pop, tem de tudo. E que disco pra ouvir no carro!

Peru Selvático: Sonic Expedition Into the Peruvian Amazon 1972-1986: Minha gravadora predileta dos últimos anos é a Analog Africa, especializada em coletâneas de sons “diferentes” do mundo. Aqui eles juntam uma penca de nomes que eu nunca tinha ouvido falar – Los Zheros, Fresa Juvenil de Tarapoto, Ranil Y Su Conjunto Tropical e Los Rangers de Tingo Maria – num disco de cumbia psicodélica peruana. Viciante.

Dead Meadow – Force Form Free: Se a sua praia é psicodelia, recomendo demais essa banda espetacular de Washington, D.C., que mistura sons lisérgicos a uma pegada stoner pesadona.

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