Mais um excelente disco de Ty Segall: “Hello, Hi”. É o 14º álbum solo em 12 anos, sem contar pelo menos uns 40 lançamentos de compactos, discos ao vivo e trabalhos com outras bandas, como Fuzz, Wasted Shirts e Goggs.
Os dois que mais ouvimos em casa são “Manipulator” (2014) e “Freedom’s Goblin” (2018), mas posso dizer, sem medo de errar, que “Hello, Hi” vai entrar na seleta lista de discos de Segall que não paramos de ouvir.
É um trabalho menos pesado e mais acústico que os mais recentes LPs, mas continua naquela pegada T-Rex que tanto agrada ao cara. O ponto é que “Hello, Hi” lembra o T-Rex acústico e mais hippie, quando ainda se chamava Tyrannosaurus Rex, antes de mudar de nome para T-Rex, em 1970.
“Saturday, Pt.1” é uma canção bem representativa da sonoridade geral do álbum:
E a faixa-título, “Hello, Hi”, é mais pesada e animada, parece um peixe fora d’água no disco, mas periga ser uma das canções mais radiofônicas que Segall fez nos últimos tempos:
Segall trabalha tanto e lança tantos discos, que acabei compilando uma série de textos sobre ele. O mais recente é de dezembro de 2021 (e alude a outro, de 2013):
Se você quer ver um grande show de uma banda no auge, sugiro assistir à “Levitation Sessions” de Ty Segall & The Freedom Band, que entrou esses dias, na íntegra, no Youtube.
Gravado no lindo Remsen Bird Hillside Theatre, um anfiteatro ao ar livre de uma universidade em Los Angeles, mostra Segall e sua banda, a Freedom Band – Mikal Cronin (baixo), Ben Boye (teclados), Emmett Kelly (guitarra) e Charles Moothart (bateria) – tocando seleções do vastíssimo repertório de Segall.
Confesso que desisti de tentar acompanhar a carreira de Ty Segall. Nada contra a música, que é fantástica, mas eu simplesmente não consigo acompanhar o ritmo de lançamentos do sujeito. Pelas últimas estimativas, Segall, que tem só 34 anos, já lançou treze discos de estúdio, dois álbuns ao vivo, três EPs, 19 compactos e dezesseis vídeos musicais.
E isso só na carreira solo. Se computadas as participações dele em outras bandas – ao menos nove, incluindo Fuzz, Goggs e Sic Alps – estamos falando em outros trinta e tantos lançamentos. E nem vou começar a falar em participações em trabalhos de outros grupos.
Em 2013, escrevi pela primeira vez sobre Ty Segall:
O dia de Ty Segall deve ter 72 horas, não é possível.
O sujeito tem 25 anos, começou a gravar em 2005 e já lançou uns 40 discos. Só em 2012 foram três LPs, com vários projetos diferentes.
Segall toca em pelo menos sete grupos e acaba de criar mais uma banda, Fuzz, pela qual lançou um compacto com duas músicas muito boas. Ele lança discos com mais rapidez do que eu consigo ouvi-los.
Não sou maluco e nem tenho tempo para falar de tudo que ele gravou. Deixo isso para quem tem 20 anos e mais tempo livre. Mas posso dizer o seguinte: tudo que ouvi de Ty Segall é muito bom.
A praia dele é o rock de garagem sessentista, o pré-punk de Sonics, MC5, Stooges, 13th Floor Elevators e seus discípulos, como Mudhoney, Dinosaur Jr. e Scientists. Mas Segall não parece ser um daqueles obsessivos que acha que qualquer coisa gravada depois de 1974 não presta.
Ele também tem um pé no lado mais podre do rock. A prova é que colaborou num disco de tributo a G.G. Allin.
Torço para que Ty Segall diminua o ritmo. Não é possível gravar tanto sem comprometer a qualidade. Tomara que ele não vire um Guided By Voices, banda que eu desisti de acompanhar por falta de estamina (minha, claro, não da banda).
Vendo os vídeos de Ty Segall no Youtube, percebi três coisas: a primeira é que o sujeito faz ótimos shows. A segunda é que boa parte de seu público é de moleques de 15, 16 anos. Fantástico. A terceira é que é impossível não se sentir um decrépito: o cara tinha um ano de idade quando o Mudhoney lançou o primeiro disco. E você sabe que está ficando velho quando as bandas de que gostava já viraram “old school”…
Uma ótima semana a todas e todos.
18 comentários em "De novo, Ty Segall…"
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Olá, Barça. Conheci o Ty Segall através de um texto seu em outro site, provavelmente esse de 2013.
Em 2019 estive em Los Angeles e ele estava tocando toda sexta no Teragram Ballroom. Tentei ir um show num dia e não consegui ingresso, só consegui para o da semana seguinte, que era o meu última dia lá. Ele tocou na íntegra os discos First Taste e Manipulator e no final ainda teve cover de Cherry Bomb. Foi sensacional.
Que maneiro isso.
Não esqueçam de Prince! O cara lançou album quádruplo!!
Pensa em um sujeito produtivo e consegue manter o nível. Valeu a lembrança de mais um lançamento.
Off topic total. Assisti ontem, na mostra ecofalante, grátis, o documentário Uprising do Steven Mcqueen de 2020. É um excrlente panorama das tensões raciais na Inglaterra no início dos anos 80, a partir do episódio trágico da morte de 13 jovens em um incêndio em 1981. É claramente a fonte de inspiração da série small axe. São 3 episódios de 60 min. Recomendo muito.
Que legal isso, tem o link, por favor? Gostaria de ver.
Pelo site da mostra ecofalante
https://ecofalante.org.br/filme/uprising
Também disponível no Bellas Artes
https://www.belasartesalacarte.com.br/uprising
Valeu, vi que tá até 17 de agosto, verei. Obrigado.
John Zorn é outro desse clube. Parece lançar um disco por mês, entre trabalhos solo, como convidado e com os vários Masadas (Eletric Masada, Acoustic Masada)… deve ter pelo menos uns 100 discos lançados. E sai de tudo… discos bacanas, discos piradões demais (ou eu que não tomei as drogas certas pra ouvir)…
Pois é, o Mike Patton também…
Fala Barcinski, tudo bem?
Acompanho seus blog há anos, mas demorei pra me ligar que estava com um blog próprio, fiz a assinatura recente e cá estou.
Sobre o posto, de fato é difícil acompanhar os lançamentos de uma galera. Ty Segall eu confesso que ouvi muito pouco, e até ler seu texto, não sabia que ele também esteve no Fuzz. Mas como o amigo citou acima, (Thee) Oh Sees e King Gizzard….. estão na mesma pegada e num dá pra acompanhar. Não sei se isso é bom ou ruim.
OffTopic: algumas semana atrás estive com minha esposa em Paraty, em todas as oportunidade que fomos nunca chegamos a ver a maré alta invadindo o centro histórico. Em qual época do ano isso ocorre? Pergunto pois nas pousadas dizem que todo dia fim de tarde a maré entra pro centro, achei meio “conversa de vendedor”.
Outra dúvida que creio que só morador de Paraty saberia responder, é sobre comida, nos indicaram o Quiosque São Francisco na Praia Grande e de fato a comida é maravilhosa, o melhor camarão empanado que já comi, mas no fim a conta ficou bem salgada. Alguma indicação de comida mais acessível por ai?
Muito obrigado!
Vida longa ao blog
Cara, esse papo de que maré entra toda tarde é mentira. Marés mais altas são em luas cheias. Maré mais alta do ano costuma ser em agosto. Vale checar a tábua de marés na Internet e ver as mais altas. Rolou uma imensa há umas três semanas, tava linda.
Sobre rango, o São Francisco (Catarina) é demais, mas não é nada barato. Restaurantes por aqui atendem a turistas e não costumam ser baratos, especialmente em praias. Quando vierem de novo, escreva e diga onde vão ficar, e penso numas sugestões, que tal?
Abraço!
Muito obrigado pela resposta, vou dar uma olhada na sua dica.
Na próxima oportunidade, aceito sugestões com certeza.
Valeu Barcinski
Uma curiosidade: como vc ouve música ? Adotou o streaming ou continua fiel ao cd? Parabéns pelo blog, está cada vez melhor.
Adotamos o streaming e compramos discos de bandas que achamos especiais, ou de lançamentos independentes. Abraço!
Outra banda que gosto e tenho a mesma dificuldade de acompanhar é o Thee Oh Sees.
Impossível, já desisti de ouvir tudo.
Acho que o King Gizzard, The Oh Sees e o Ty Segall ficam na batalha de quem lança mais disco na carreira. Ir no show desses caras deve ser uma roleta russa de qual música eles vão tocar….
Muito bom!! Ótima indicação.
Boa semana!!!