abr/2023

Crítica: “Tetris”

Por André Barcinski

Crítica: “Tetris”

Por André Barcinski

A Apple TV estreou “Tetris”, um “thriller” com toques cômicos sobre a briga pelo licenciamento do famoso videogame. Preciso dizer que meu conhecimento sobre videogames é nulo. O único game que tentei jogar foi o tênis do Telejogo, lá se vão 40 anos, e nunca mais me interessei por diversões eletrônicas. Mesmo assim, fiquei bem interessado em ver o filme, porque a história parecia muito interessante.

A trama é ambientada no fim dos anos 80. A história se passa, majoritariamente, na União Soviética, onde o game foi criado. Um norte-americano dono de uma pequena empresa de games, Henk Rogers (Taron Egerton) descobre o Tetris numa feira de jogos e fica obcecado pela ideia de licenciá-lo.

A busca o leva a Moscou, em plena Guerra Fria, e descamba numa briga entre empresas rivais para ver quem faz a melhor oferta aos russos, então lidando com uma gravíssima crise que descambaria, em 1989, na queda do Muro de Berlim e no grande “racha” do comunismo.

O início do filme é promissor. Henk é um personagem aventureiro e com uma convicção inabalável em seu próprio tino comercial. Ele vai a Moscou e, sem a mínima noção de geopolítica e conflitos Oriente vs. Ocidente, acaba no meio de uma batalha internacional que envolve muito mais do que um simples jogo eletrônico.

Enquanto se limita a contar a saga de Henk em Moscou e sua luta contra a burocracia e a espionagem russas, “Tetris” é bem divertido. O problema é que, lá pela metade, o roteiro dá uma guinada numa direção meio policialesca, e tudo que a história tinha de interessante – os conflitos de Henk com os russos, a descrição do dia a dia da Rússia dominada pela KGB, a certeza de que o comunismo estava ruindo – desaparece soterrado em perseguições bobas e cenas de ação que parecem completamente deslocadas.

Não vou dar spoilers, mas preciso dizer que a segunda metade do filme é uma decepção que culmina numa ridícula perseguição de carro pelo centro de Moscou e na inescapável sequência dos bandidos tentando entrar num avião para retirar os mocinhos. Difícil acreditar que “Tetris” tenha duas metades tão díspares em qualidade.

Enfim, acho que o filme merece ser visto por causa de sua história incomum e sua ambientação numa época muito interessante do mundo. Mas a segunda metade é uma aula de como transformar uma ótima história num pastiche de “thriller”. E a cena final é um arroubo americanófilo de dar vergonha em “Rocky 4”.

Um ótimo dia a todas e todos.

7 comentários em "Crítica: “Tetris”"

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