Esse texto já estava pronto e programado quando veio a notícia da morte da atriz Gena Rowlands. Semana que vem escreverei sobre ela e recomendarei alguns filmes estrelados por ela e dirigidos pelo então marido, John Cassavetes.
De John Dwyer só dá para esperar o inesperado. Há quase 30 anos, esse explorador sônico vem trilhando caminhos únicos e pessoais com sua banda, Osees, uma das favoritas aqui do blog (leia aqui um texto de 2023 sobre o disco “Intercepted Message”). E agora chega mais um LP do maluco – o 28º, sem contar EPs, singles, coletâneas, discos ao vivo e colaborações – “SORCS 80”.
Toda vez que sai um disco novo de John Dwyer eu digo a mesma coisa: é um dos meus favoritos da banda. Porque Dwyer é incapaz de fazer um trabalho que não seja ao menos ambicioso e aventureiro. E “SORCS 80” é exatamente isso: um disco em que ele, que é guitarrista, simplesmente abre mão de guitarras e fez um LP inteiro com samples, teclados, dois bateristas, percussão e dois saxofones.
Mas que ninguém ache que a ausência de guitarras deixou o som do Osees menos pesado: basta ouvir a faixa de abertura, o hardcore “Look at the Sky”, para perceber que isso é uma impossibilidade. Pelo contrário: os experimentalismos eletrônicos e com samples conseguiram deixar o Osees ainda mais maravilhosamente caótico e imprevisível. Para falar a verdade, eu demorei a perceber que o disco todo não tinha guitarra.
Há seis anos, a formação do Osees se estabilizou com Dwyer (vocais, guitarra), Tomas Dolas (teclados), Tim Hellman (baixo) e os bateristas Dan Rincon e Paul Quatronne. Todos estão no disco, com a adição de Cansafis Foote (sax barítono) e Brad Caulkins (sax tenor).
As influências de “SORCS 80” parecem vir principalmente de bandas do punk e pós-punk que inovaram com a mistura de rock e sons eletrônicos, como Pere Ubu e Suicide. Mas seguidas audições do disco (juro, não consigo parar de ouvir!) me convenceram de que John Dwyer está numa fase 100% Devo.
Ouçam “Earthling” e digam se não vem diretamente da escola Devo de synth-punk torto:
Enfim, “SORCS 80” é mais um desses discos do Osees que veio para ficar. E que bom ver tantas bandas e artistas recentes – Ty Segall, King Gizzard, The Brian Jonestown Massacre – livres das amarras do tradicional “um disco a cada dois anos, excursão, mais um disco, excursão…” e gravando tudo que lhes dá na telha.
Um ótimo dia a todas e todos.
12 comentários em "Crítica: “SORCS 80”, de Osees"
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Muito bom! Valeu!
Fala, Barça, o Osees acaba de postar um vídeo no YT com uma apresentação feita em um heliponto rsrs
https://youtu.be/GQZ3-ovNZQU?si=2ABrshCnQorAb4zt
André, um OT: Nesta semana não teria a publicação de um texto sobre o disco novo do Fagner, eu cheguei a receber por e-mail o link, mas ele não abriu…
Sabes o que houve ou foi loucura da minha cabeça hehehehe???
Cara, eu não sei o que houve, alguns assinantes disseram que o link não abriu. Por favor tente agora…https://webpreview.net.br/barcinski/critica-alem-desse-futuro-de-fagner/
“Ain, mas o Rock está morto”. Morto nada!
Concordo 100%. Eu acredito que o rock está cada dia mais vivo, vide a leva de grandes discos lançados todos os anos. Acho que por estar fora do mainstream, as banda se dão mais liberdade de criação.
Das (poucas) bandas de rock sem guitarra, sou alucinado com o Morphine. Acho a sonoridade deles inigualável.
Quel tal um texto sobre o Morphine, Barça? Vi que vc já escreveu sobre o Mark Sandman anos atrás no seu blog da Folha, mas acho que vale a pena revisitar essa banda sensacional
Cara, vc não acredita, mas estamos prestes a fechar a vinda do Vapors of Morphine, que são os dois remanescentes da banda. Deve rolar em fevereiro!
Pelamordedeus, arruma um show em BH!!!
Putz, não sei se vai rolar, só estamos fazendo SP, posso perguntar pro promotor…
pqp! não me fala isso!!!! esse eu não perco! adoro Morphine!
Avise, por favor