fev/2023

Crítica: “Pamela Anderson – Uma História de Amor” (Netflix)

Por André Barcinski

Crítica: “Pamela Anderson – Uma História de Amor” (Netflix)

Por André Barcinski

Confesso que comecei a assistir a “Pamela Anderson – Uma História de Amor”, na Netflix, com um pé atrás: à primeira vista, parecia mais um daqueles projetos egocêntricos de autopromoção, um comercial travestido de documentário. Ou então uma reação à minissérie “Pam & Tommy” (que eu não vi), exibida em 2022.

Mas o filme funciona. Dirigido por Ryan White, que fez a minissérie “The Keeepers” (Netflix), sobre o misterioso assassinato de uma freira nos anos 1960, “Pamela Anderson” usa uma montanha de material pessoal (diários, fotos, vídeos) para contar a história da ascensão e queda de um dos maiores sex-symbols dos anos 1990.

No início, encontramos Pamela, aos 55 anos, vivendo tranquilamente na pacata Ladysmith, uma ilha no Canadá com menos de 9 mil habitantes, onde ela nasceu. Na casa, vemos pilhas de caixas de papelão cheias de cadernos, álbuns de fotos e fitas de vídeo. Pamela conta que tinha o hábito de enviar todos seus pertences pessoais para a casa da mãe.

Ela lê anotações em seus diários, que contam a história meteórica da menina que saiu de Ladysmith e, em dois ou três anos, já era uma estrela mundial: descoberta na arquibancada de um jogo de futebol americano no Canadá, Pamela foi contratada para fazer um comercial de cereja, onde foi vista por um olheiro da revista “Playboy”. A menina desembarca em Beverly Hills e vai direto para a Mansão Playboy, caindo numa festa com Sean Penn, Johnny Depp e uma penca de celebridades.

Pamela enfileira namorados famosos (os atores Dean Cain e Mario Van Peebles, o surfista Kelly Slater), e é chamada para uma nova série de TV, “Baywatch” (“S.O.S. Malibu”). Numa viagem de trabalho ao México, é literalmente perseguida pelo baterista do Motley Crue, Tommy Lee. Ele a encontra numa festa de música eletrônica e joga um pílula de ecstasy na cerveja da moça. Quatro dias depois, estão casados.

Pamela Anderson e Tommy Lee foram “o” casal-celebridade dos anos 90. Numa época pré-Internet, os tabloides e programas de TV só tinham olhos para a dupla. Mas a coisa azedou quando um cofre é roubado da mansão deles, contendo, além de armas e dinheiro, um monte de vídeos íntimos do casal.

O resultado foi um filme erótico que se tornou mania no mundo todo, e um dos primeiros vídeos virais da Internet. Pamela e Tommy processaram a empresa que estava faturando milhões de dólares vendendo o filme, mas o estrago estava feito.

A personagem que surge em “Pamela Anderson – Uma História de Amor” é uma mulher claramente machucada pelos acontecimentos dos anos 90 e que tenta, desesperadamente, reconstruir sua imagem. Pamela Anderson foi um ícone sexual do período, mas também foi alvo de todo tipo de ataques misóginos, e é impressionante rever trechos de programas de TV da época e perceber a brutalidade com que ela era tratada.

Um ótimo dia a todas e todos.

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