Crítica: “Pamela Anderson – Uma História de Amor” (Netflix)
Confesso que comecei a assistir a “Pamela Anderson – Uma História de Amor”, na Netflix, com um pé atrás: à primeira vista, parecia mais um daqueles projetos egocêntricos de autopromoção, um comercial travestido de documentário. Ou então uma reação à minissérie “Pam & Tommy” (que eu não vi), exibida em 2022.
Mas o filme funciona. Dirigido por Ryan White, que fez a minissérie “The Keeepers” (Netflix), sobre o misterioso assassinato de uma freira nos anos 1960, “Pamela Anderson” usa uma montanha de material pessoal (diários, fotos, vídeos) para contar a história da ascensão e queda de um dos maiores sex-symbols dos anos 1990.
No início, encontramos Pamela, aos 55 anos, vivendo tranquilamente na pacata Ladysmith, uma ilha no Canadá com menos de 9 mil habitantes, onde ela nasceu. Na casa, vemos pilhas de caixas de papelão cheias de cadernos, álbuns de fotos e fitas de vídeo. Pamela conta que tinha o hábito de enviar todos seus pertences pessoais para a casa da mãe.
Ela lê anotações em seus diários, que contam a história meteórica da menina que saiu de Ladysmith e, em dois ou três anos, já era uma estrela mundial: descoberta na arquibancada de um jogo de futebol americano no Canadá, Pamela foi contratada para fazer um comercial de cereja, onde foi vista por um olheiro da revista “Playboy”. A menina desembarca em Beverly Hills e vai direto para a Mansão Playboy, caindo numa festa com Sean Penn, Johnny Depp e uma penca de celebridades.
Pamela enfileira namorados famosos (os atores Dean Cain e Mario Van Peebles, o surfista Kelly Slater), e é chamada para uma nova série de TV, “Baywatch” (“S.O.S. Malibu”). Numa viagem de trabalho ao México, é literalmente perseguida pelo baterista do Motley Crue, Tommy Lee. Ele a encontra numa festa de música eletrônica e joga um pílula de ecstasy na cerveja da moça. Quatro dias depois, estão casados.
Pamela Anderson e Tommy Lee foram “o” casal-celebridade dos anos 90. Numa época pré-Internet, os tabloides e programas de TV só tinham olhos para a dupla. Mas a coisa azedou quando um cofre é roubado da mansão deles, contendo, além de armas e dinheiro, um monte de vídeos íntimos do casal.
O resultado foi um filme erótico que se tornou mania no mundo todo, e um dos primeiros vídeos virais da Internet. Pamela e Tommy processaram a empresa que estava faturando milhões de dólares vendendo o filme, mas o estrago estava feito.
A personagem que surge em “Pamela Anderson – Uma História de Amor” é uma mulher claramente machucada pelos acontecimentos dos anos 90 e que tenta, desesperadamente, reconstruir sua imagem. Pamela Anderson foi um ícone sexual do período, mas também foi alvo de todo tipo de ataques misóginos, e é impressionante rever trechos de programas de TV da época e perceber a brutalidade com que ela era tratada.
Um ótimo dia a todas e todos.
18 comentários em "Crítica: “Pamela Anderson – Uma História de Amor” (Netflix)"
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Teste
Assisti e fiquei abismado… a ingenuidade dela e o desrepeito com que era tratada era surreal. Melancólico.
Ah, e sempre desconfiei que o Tommy Lee era babaca, agora tive certeza.
Eu me lembro de uma entrevista com o Kelly Slater, em que ele se referia à Pam, ao falar do relacionamento que tiveram, como aquele tipo de pessoa que não mede esforços para ajudar alguém, sendo muito parceira, algo assim nesse sentido. Ali tive a impressão de que ela é gente boa mesmo.
Não tem como falar sobre a cultura pop dos anos 90 sem citar Pamela Anderson. E acredito que o machismo e o jornalismo sensacionalista quase a destruiram por inteiro, como fizeram com Marilyn e outras divas. Ainda bem que ela transparece uma força descomunal para superar tantos obstáculos. Uma mulher sensivel, inteligente e que ainda tem muita coisa pra mostrar, muito além do corpo e sua sensualidade.
Como foi uma dica sua, eu dei uma espiada na Netflix. Comecei a ver e não parei mais. Fiquei surpreso com algumas questões relacionadas a personalidade da Pamela Anderson. Ela é muito articulada, gente boa e um doce de pessoa. O Tommy Lee também é um cara gente boa. Era um casal apaixonado. Alguma coisa aconteceu com o Tommy Lee para agredir a Pamela. Musico em turnê acaba pirando.
Bom doc realmente. Barca, vc ja viu ” Fire and love” doc indicado ao oscar sobre um casal de vulcanologistas?
Sim, até escrevi sobre o filme aqui no site:
https://webpreview.net.br/barcinski/amor-romance-e-vulcoes-em-erupcao/
Assisti ontem e gostei muito. A Pamela Anderson soa mais autêntica e verdadeira que 99,78% das pseudocelebridades de instagram que existem hoje em dia.
A série Pam and Tommy é muito boa, com o Seth Rogen muito bem no papel do nerd que rouba as fitas deles.
Não vi ainda esse doc, mas é triste como a mídia explorava a Pam, como se ela fosse só uma boneca.
Não sabia que era com o Rogen!
Ela é fascinante !
Barça, esses dias lembrei de um doc passado em galápagos, mas não acho.. certeza que foi dica de um post antigo seu… “Quando Satã Veio ao Paraíso (Daniel Geller e Dayna Goldfine, 2013)”… ´ é das coisas mais piradas que já vi, com imagens de uma época que mal tinha salas de cinema… história doida… tem o post? era netflix, mas acho que não está mais no catálogo….
Vou procurar, esse filme é maravilhoso.
https://barcinski5.rssing.com/chan-24731018/article502.html#c24731018a502
Muito obrigado, Moacir!
André, não vi ainda o filme, mas o caso da Pamela é um grande exemplo de como eram (são) tratadas as mulheres no showbiz, especialmente aquelas consideradas símbolos sexuais, elas eram consideradas apenas um pedaço de carne sem vontade própria e facilmente descartadas por outras…
É dureza lembrar os programas de TV da época.
Curioso como a indústria do entretenimento coloca na nossa cabeça a idéia de pessoas super ricas, mega poderosas, mulheres hiper gostosas, etc… e quando vamos ver, são apenas pessoas normais, como qualquer um.
Lembro de um doc recomendado por vc há anos, sobre a Carrie Fischer que para mim era uma superstar milionária de Hollywood, cercada de glamour e Rolls Royces, que na vida real era só uma tiazona meio amargurada que fumava feito um dragão…
Sim, ver a Pamela hoje, é exatamente isso.