out/2021

Crítica: “O Fio Invisível” (Netflix)

Por André Barcinski

Crítica: “O Fio Invisível” (Netflix)

Por André Barcinski

Há três ou quatro anos, li, em inglês, o romance “Distância de Resgate” (ou “Fever Dream”, na edição americana), da argentina Samantha Schweblin. Fiquei muito impactado pela história e impressionado com a maneira engenhosa e criativa com que Schweblin estruturou a trama.

Lembro ter pensado como seria difícil adaptar o livro para um roteiro de filme. A história tem dois narradores em “off”: uma mulher, Amanda, e um menino, David. As falas dos personagens são enigmáticas e não explicam muita coisa. No início, não sabemos nada sobre eles.

À medida que a história é narrada, vamos entendendo a relação entre os dois: Amanda é uma mãe jovem que vai com a filha pequena, Nina, para uma casa de campo onde encontra Carla, uma mulher bonita e misteriosa, mãe de David.  Não quero estragar a surpresa de quem não leu o livro, então vou me limitar a dizer que uma tragédia familiar ocorre e é o estopim da relação entre Amanda e David.

Quando soube que a Netflix estava exibindo “O Fio Invisível”, adaptação de “Distância de Resgate”, corri para assistir, e a surpresa foi enorme: o filme, dirigido pela peruana Claudia Llosa e com roteiro dela e da autora Samantha Schweblin, é um triunfo de narrativa e conseguiu levar para a tela toda a atmosfera paranoica e sufocante do livro.

O resultado foi um comovente filme de terror psicológico que toca em temas como a maternidade, família e até, de forma surpreendente e sem panfletarismo, a questão ambiental.

Não espere grandes sustos ou fantasmas saindo de trás de portas. “O Fio Invisível” é inteligente demais para apelar a saídas fáceis. O filme vai ganhando o espectador aos poucos, à medida que nos envolvemos na história daquelas quatro pessoas.

Tão surpreendente quanto a qualidade da adaptação é o fato de “O Fio Invisível” está há algumas semanas no Top 10 dos mais assistidos da Netflix, espaço normalmente dominado por “blockbusters” como “La Casa de Papel” ou reprises da novela “Carrossel”. Não é comum ver um filme tão bom desses por ali.

21 comentários em "Crítica: “O Fio Invisível” (Netflix)"

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    Fala, André! Assisti ao filme, a partir da sua critica, e realmente o filme é envolvente, o final surpreendente e nos leva a várias reflexões. A cena final do David é chocante. Realmente, sempre acreditei em “casas verdes”. Abração e curto bastante o B3. Quando pintar em Paraty vamos tomar uma, até

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    André, vi o filme ontem a noite e realmente era tudo que você descreveu. Mas tem uma questão técnica envolvida em relação a contaminação ambiental. Nenhum dos trabalhadores que aparecem manipulando os produtos químicos utilizam EPI (equipamento de proteção individual). Eles deveriam utilizar um macacão tyvek, respiradores com filtros (provavelmente vapores orgânicos), luvas e botas de segurança. Sou especialista no assunto e se o nível de toxicidade mostrado no filme é daquela magnitude, todos os trabalhadores que tinham contato permanente com aquela substância (altamente tóxica) deveriam estar mortos ou afastados por doença do trabalho. Ninguém usava qualquer tipo de proteção respiratória. Peço desculpas (não quero dar palestrinha) e sei que a história em si transcende essa questão mas acho que foi um erro de roteiro. Desculpe novamente a palestrinha.

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    Opa! Vamos ver.

    Apesar de realmente ter muito lixo, tem tambem muita coisa boa na Netflix. O melhor eh garimpar FORA dela mesmo. Se deixar pro algoritmo ou se for pela lista dos top10 o risco de se frustrar eh grande.

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    Tinha visto este filme na lista de novidades mas passei reto por estar entre os top 10 do Netflix (que geralmente são bem merdas como você mesmo citou). Vou dar uma olhada nele no fim de semana.

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    Ola’ Barcinski

    Não sou nem um pouco fã da Netflix nem dos outros canais de streaming. No entanto, tenho que admitir que alguns filmes que a Netflix lançou são excelentes, os primeiros que me vêm a mente são: “Roma” do Cuaron e “Ballad of Buster Scruggs” dos irmãos Cohen. Estes dois estão entre os melhores filmes que eu vi nos ultimos anos.
    Claro, 90% do conteudo da Netflix é muito ruim. Imagino que deve ter um pequeno departamento do tipo “Deixemos de lado o medidor de audiencia, vamos fazer algo de qualidade incontestavel para calar os criticos”.

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