jul/2024

Crítica: “O Esquema das Boy Bands”

Por André Barcinski

Crítica: “O Esquema das Boy Bands”

Por André Barcinski

A Netflix exibe “Bastidores do Pop: o Esquema das Boy Bands”, minissérie documental em três episódios sobre Lou Pearlman, um genial trambiqueiro que inventou as boy bands Backstreet Boys e  N’Sync e dominou o mercado da música adolescente na segunda metade dos anos 1990.

Já escrevi bastante sobre Pearlman, tanto aqui no blog (leia aqui um texto longo sobre ele) quanto em meu livro “Pavões Misteriosos”, em que conto a gênese das boy bands, que começaram muito antes de Pearlman.

A série não tem nada inovador, mas conta, de forma eficiente, uma grande história: a de como Pearlman, um menino judeu tímido e que se achava feio, gordo e pouco atraente, tornou-se um astro pop, posando para fotos e dando autógrafos ao lado dos rapazes lindos e carismáticos que escolheu a dedo para seus grupos.

O primeiro episódio é o mais revelador, até pelas ótimas imagens de arquivo dos empreendimentos comerciais de Pearlman antes de se tornar agente de boy bands. Ele era sócio de uma empresa de táxi aéreo que, segundo ele próprio conta no filme, transportava astros como Paul McCartney e Madonna. Um dia, depois de ser contratado para levar uma banda da qual nunca tinha ouvido falar, New Kids on the Block, Pearlman ficou surpreso ao descobrir os incríveis números de venda do grupo. “Estou no ramo errado”, disse. O resto é sabido: Pearlman muda para Orlando, na Flórida, meca dos parques temáticos e com uma infinita oferta de adolescentes que cantava, dançavam e atuavam, e monta o Backstreet Boys.

Antes disso, Pearlman foi também sócio de uma empresa que vendia dirigíveis aéreos, e o filme mostra como ele, um judeu, não teve nenhum problema em ter como sócio um alemão que havia sido piloto nazista na Segunda Guerra. Tudo pelo sucesso.

É fascinante ver imagens antigas de Pearlman e perceber como ele, antes mesmo de entrar no ramo artístico, já alimentava sonhos de grandeza e tinha um tino comercial impressionante. Há também muitas cenas raras dos Backstreet Boys, antes da fama, cantando para cinco pessoas numa escola ou numa festa vazia.

Outro trunfo da série são as cenas do inesperado sucesso que os Backstreet Boys fizeram na Alemanha, a ponto de Pearlman deixar a banda excursionando por lá por quase dois anos, enquanto ele, nos Estados Unidos, e sem contar aos Backstreet Boys, criava uma banda rival, a N’Sync. “Se eu tenho a Coca-Cola, por que vou esperar algum concorrente criar a Pepsi?” diz Pearlman.

A série usa um artifício narrativo que eu, pessoalmente, não gosto, mas que está se tornando bastante popular: a recriação de depoimentos por meio de samples de voz. A série copiou a voz de Pearlman e gravou trechos dele supostamente lendo a própria autobiografia. O recurso foi usado recentemente em outro documentário que está na Netflix, “Roadrunner”, sobre o chef e apresentador Anthony Bourdain.

Não vou dar spoiler sobre o fim da história de Lou Pearlman (quem quiser saber, sugiro ler o texto que linkei no início dessa crítica), mas posso garantir que ela é cheia de reviravoltas impressionantes e que fazem a série valer seu tempo.

Uma ótima semana a todas e todos.

3 comentários em "Crítica: “O Esquema das Boy Bands”"

Deixe seu comentário

Ir para o topo