Crítica: “O Efeito Martha Mitchell” (Netflix)
Está em cartaz na plataforma Starzplay uma excelente minissérie chamada “Gaslit” (leia aqui uma crítica que fiz no portal Lado B).
“Gaslit” conta uma história conhecida – a da invasão dos escritórios do Partido Democrata no edifício Watergate, em Washington, em 1972, que culminou com a renúncia do então presidente americano, Richard Nixon – mas por um ponto de vista totalmente novo: os personagens são os membros do grupo que, a mando de Nixon e do Partido Republicano, perpetraram a invasão.
Dois dos personagens mais interessantes da história são o então Procurador-Geral do país, John Mitchell, e sua esposa, Martha. Na série, John e Martha são interpretados soberbamente por Sean Penn e Julia Roberts.
John Mitchell era o braço direito de Nixon e um de seus aliados mais confiáveis, e Martha, uma mulher sexy, carismática e falastrona, que destoava da caretice reinante nas lideranças Republicanas e virou uma celebridade nos Estados Unidos, participando de “talk shows” e saindo em capas de revistas.
Mas tudo mudou depois de Watergate. Mesmo com a reeleição de Nixon, em 1972, e a alta popularidade do presidente, as revelações do escândalo – especialmente as reportagens da dupla de repórteres Carl Bernstein e Bob Woodward, do jornal “The Washington Post” – tornaram impossível a continuidade da presidência de Nixon, que acabou por renunciar. Nesse tempo, o presidente não hesitou em sacrificar todos seus aliados, inclusive John Mitchell. E Martha passou, de fiel escudeira de Nixon, a sua maior opositora, acusando-o de ter ordenado a invasão de Watergate e exigindo publicamente sua renúncia.
Vale muito a pena assistir a “Gaslit” e complementar com um documentário curto (40 minutos) e instigante que acaba de estrear na Netflix: “O Efeito Martha Mitchell”.
Com uma montanha de cenas de arquivo e entrevistas com jornalistas, políticos e analistas políticos, o filme conta a história incrível de uma mulher tachada de maluca e mentirosa, mas que, nas palavras do próprio Nixon, foi a principal responsável pela queda de seu governo.
O “Efeito Martha Mitchell” é um termo cunhado em 1988 por Brendan Maher, professor de Psicologia de Harvard, e se refere a pacientes que, mesmo dizendo a verdade, são tratados como delirantes.
Um ótimo fim de semana a todas e todos.
16 comentários em "Crítica: “O Efeito Martha Mitchell” (Netflix)"
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Também vale muito ouvir a 1a temporada do Podcast Slow Burn, sobre o mesmo tema. É excelente!
Boa dica, não ouvi.
Vou ver o doc hoje mesmo, e depois, rever “End of The Century”, doc sobre os Ramones.
Na lista para o final de semana!
André, eunão vi ainda o Gaslit, pois não tenho o Starzplay, mas darei uma olhada neste doc da Martha Mitchell, pois acho esse período da história americana ( com efeitos mundiais) realmente muito interessante!!!
E fica até difícil para alguém mais jovem, vendo o que os políticos atuais fazem pelo poder, explicar a gravidade do que aconteceu no caso Watergate e como essa história terminou…
Cara, acho que Watergate foi fichinha perto do que temos visto em política hoje. Triste.
Opa! Vou ver o doc!
Dica aqui, como vc já disse que aprecia o trabalho da Jane Campion… tá no streaming do sesc o filme “o piano”, e sai do catalogo em 15 dias,… É um filme manjadão, mas tá totalmente fora dos streamings e essa cópia tá numa qualidade espetacular, que eu nunca tinha visto…
https://sesc.digital/conteudo/cinema-e-video/cinema-em-casa-com-sesc/o-piano
Abs !
Excelente dica, tá difícil achar mesmo.
Tá em cartaz tb o “vou rifar meu coração”… maravilhoso, divertidíssimo… bom de ver e rever… Nelson Ned faz uns depoimentos no doc… Tem no youtube, mas no sesc tá com uma qualidade melhor…
https://sesc.digital/conteudo/cinema-e-video/vou-rifar-meu-coracao
Obrigado pela dica.
Eu achei “Gaslit” excelente! Sean Penn e Julia Roberts estão bem demais nos papéis de Jonh e Martha Mitchell. Verei o doc…Vlw a dica!
Depois diz o que achou!
muito bom Barça! depois emendei com o doc sobre a Martha Mitchell, tmb excelente!
Que legal que gostou!
Bom dia André.
Valeu pela dica, acabei de assistir os 8 episódios ontem depois que você havia comentado no ABFP.
Duas obs: 1) você assistiu o filme Gaslight (1944) com a Ingrid Bergman? Li que fora baseado em um livro e peça do final dos anos 30. O filme é lindo e na época (como você sabe ela “mandava” em Hollywood). Vi no Stremio; 2) há uma cena “homenagem” ao “Soy Cuba” do Kalatazov no segundo episódio em Miami em que a Martha está andando pela casa. Aliás dica sua aqui.
Bom fds. Abraço
Claro que vi, George Cukor eterno! Mas faz um tempão, preciso rever. Abração!