maio/2024

Crítica: “Feud: Capote vs. The Swans”

Por André Barcinski

Crítica: “Feud: Capote vs. The Swans”

Por André Barcinski

Nos últimos anos, tem sido bem difícil me empolgar com séries novas. Mas abri uma exceção para “Ripley” (leia minha crítica aqui) e agora estou extasiado com “Feud: Capote vs. The Swans”, em exibição na Star+.

Trata-se da segunda temporada de “Feud”, série dramática sobre rivalidades históricas. A primeira temporada, lançada em 2017, contava as brigas entre as estrelas Bette Davis (Susan Sarandon) e Joan Crawford (Jessica Lange), e era muito boa. Mas essa nova é muito, mas muito melhor.

Para começar, a direção é de Gus Van Sant, diretor de alguns dos filmes mais ousados dos últimos 40 anos, como “Drugstore Cowboy”, “Elephant” e “Paranoid Park” (além de sucessos, não tão bons, como “Gênio Indomável”). O roteiro é do dramaturgo Jon Robin Baitz, um celebrado autor que foi duas vezes finalista do Pulitzer e que passou boa parte da vida, acredite, no Brasil.

A minissérie tem oito episódios (só vi os dois primeiros até agora) e conta a história da relação do escritor Truman Capote (Tom Hollander, absolutamente sensacional) com um grupo de socialites nova-iorquinas nos anos 1960 (apelidadas de “Swans”, ou “Cisnes”), como Babe Paley (Naomi Watts), Slim Keith (Diane Lane), C.Z. Guest (Chlöe Sevigny), Lee Radziwill (Calista Flockhart) e Ann Woodward (Demi Moore).

Todas são mulheres ricas e poderosas, casadas com magnatas (Babe Paley é esposa de William Paley – na série, interpretado por Treat Williams – fundador da rede de rádio e TV CBS). Elas passam os dias almoçando em caríssimos restaurantes e os fins de semana em nababescas propriedades em praias ou montanhas. E são todas apaixonadas por Truman Capote, à época o escritor mais famoso dos Estados Unidos, autor de “A Sangue Frio”, o gay com a língua mais ácida do planeta, um fofoqueiro contumaz e que abrilhanta qualquer jantar.

Tudo vai bem, até que Truman resolve expor alguns dos segredos cabeludos da alta sociedade num livro, “Answered Prayers”. Um capítulo do livro é publicado na revista “Esquire”, e o conteúdo é tão bombástico, com histórias de traições, adultérios e até assassinato, que toda a nata da cidade de Nova York se volta contra Truman Capote.

Gus Van Sant é o diretor ideal para essa história. Poucos cineastas teriam o refinamento e senso de ironia para filmar tão bem a high society dos anos 60 e 70. Cada cena de “Feud” é um deleite para quem gosta de cinema: o elenco todo está incrível, os diálogos são irretocáveis, figurinos e locações são lindos, e a narrativa tem uma aura de humor negro e perigo que são marcas do trabalho de Van Sant.

Há uma sequência em especial, no episódio 2, que revi duas vezes, de tão boa. É a cena de uma montagem paralela entre dois jantares de Ação de Graças, um filmado numa luxuosa casa em Nova York, e o outro na ensolarada Los Angeles. Não vou contar muito para não estragar a surpresa, mas a maneira como Van Sant filma e edita as cenas é brilhante. Vale a pena prestar atenção na música, e em como o roteiro mistura diálogos dos dois jantares para ressaltar as diferenças entre os locais, as cidades e as pessoas presentes em cada um.

Não posso esperar para assistir aos próximos episódios.

Um ótimo fim de semana a todas e todos.

7 comentários em "Crítica: “Feud: Capote vs. The Swans”"

Deixe seu comentário

Ir para o topo