“Disco Boy: Choque Entre Mundos”, dirigido pelo italiano Giacomo Abbruzzese, chegou aos cinemas de 11 capitais brasileiras: São Paulo, Rio, Brasília, BH, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Fortaleza, Recife, Salvador e Rio Branco. É um filme estranho e bastante incomum, mas que recomendo fortemente.
No Brasil, “Disco Boy” ganhou um subtítulo, “Choque Entre Mundos”, certamente numa tentativa de dar ao espectador alguma ideia do tema do filme. De fato, ele fala de dois “mundos” diferentes, mas que são unidos por um antagonista comum: o colonialismo europeu, mais especificamente, o francês.
São duas histórias que acontecem em paralelo e, num ponto, se cruzam: a primeira é a de Aleksei (Franz Rogowski), um jovem bielorrusso que entra clandestinamente na França em busca de uma vida melhor, mas acaba alistado na Legião Estrangeira.
A segunda história se passa na selva do Níger, onde um grupo de guerrilheiros, liderados pelo carismático Jomo (Morr Ndiaye), enfrenta tropas do Exército. Jomo e seus colegas sequestram cidadãos franceses de uma fábrica que, segundo os moradores, está destruindo os rios e as matas. E é por causa desse sequestro que os caminhos de Aleksei e Jomo vão se cruzar.
A fotógrafa de “Disco Boy”, a francesa Hélène Louvart, ganhou um prêmio especial no Festival de Berlim por sua “Contribuição Artística”. A fotografia do filme é realmente extraordinária, com imagens muito criativas e que fogem do lugar comum, especialmente nas cenas filmadas nas matas africanas (há um plano de um homem pendurado num helicóptero que vale o ingresso).
Mas não é só a fotografia que se destaca no filme. A música é do francês Pascal Arbez, conhecido por fãs de música eletrônica como Vitalic. Sou suspeito para falar de Pascal, já o trouxe algumas vezes para festas no Brasil e é um de meus produtores de techno/electro prediletos (aliás, ele vai tocar no festival The Town, em SP, em 3/9). Vitalic criou para o filme temas eletrônicos que variam do ambient mais atmosférico ao techno mais pulsante. A trilha sonora do filme já está nas plataformas de streaming e é muito legal. Veja o clipe da faixa “Disco Boy (The Rising)”:
“Disco Boy” não é um filme fácil. Não espere uma narrativa convencional de “thriller” ou reviravoltas surpreendentes. É um filme de sensações e climas. Os dois personagens, Aleksei e Jomo, são unidos pelo fato de serem, cada qual à sua maneira, vítimas de um sistema em que muitos pagam pelo bem-estar de poucos. Mas o filme é inteligente demais para mostrar isso de forma simplista ou panfletária. Quem mergulhar na experiência de “Disco Boy” vai sair recompensado.
Um ótimo fim de semana a todas e todos.
4 comentários em "Crítica: “Disco Boy”"
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Pena que não chegou em nenhum cinema da minha cidade, terei que esperar sair no Cine Torrent.
Muito chato isso.
Fala, Barça, e o Franz Rogowski é um baita ator. Eu o “conheci” no filme “Undine”, do Christian Pretzold, e fiquei impressionado com sua atuação no “Great Freedom”, que está disponível na Mubi. https://mubi.com/pt/br/films/great-freedom
Aliás, há outros filmes desse autor em cartaz na Mubi.
Abç!
Preciso ver o “Great Freedom”.